Quer uma dica de um lugar pra não ir em Porto Alegre? Botequim da Letras. Fuja como o diabo da cruz. Está localizado no coração do Moinhos de Vento, na parte mais arborizada da Félix da Cunha, em um conjunto de casas históricas. O lugar não poderia ser mais charmoso, mas a pretensão do espaço não poderia ser mais irritante. E o atendimento, ah, o atendimento. Uma garota moderninha, óculos de aro grosso, roupa desbeiçada, ar existencialista cansado e cabelo emplastado na cabeça – que pessoas com mais de 25 ou asseadas chamariam de sujo – oferece um atendimento supimpa. Pedimos uma Coca com gelo, um cortado e um panini. Passados quase dez minutos, veio a Coca, com duas minúsculas pedras. Sentimos o drama: se economizam no gelo, como será o resto? Pois é, o resto veio. Ou melhor, não veio. Cinco minutos depois, o reforço no pedido: será que é possível trazer o café, pelo menos? Mais dez minutos e ele veio, quase sendo jogado em nossas cabeças. A moçoila do cabelinho cheiroso mostrou não ter prática nem habilidade pra segurar a bandeja com uma xícara transbordando. Teve que ser ajudada. Quase 40 minutos depois do pedido feito, e com apenas duas mesas além da nossa – tomando apenas chopp e café –, levantei, com o tempo e o saco estourados, e pedi a conta, avisando: suspende o panini. Ao que ouvi da cabelinho bom: “Agora tá pronto”. Respondi: Lamento, mas agora eu não tenho mais tempo. E a sebosinha retrucou: “Então deveria ter avisado antes que tinha pressa”, e jogou o troco na minha mão, com a cabeça virada pro lado. O que esperar de uma mulher que não toma banho, não sabe servir a mesa, não consegue prensar um pão de queijo e ainda é grosseira? Pretensão, tanto quanto o lugar, é óbvio. Gente assim me cansa, lugares assim me desagradam. Por isso a honestidade do bom e velho boteco seduz: nada promete além do que pode dar. E honra a tradição do nome que traz estampado na fachada: boteco.
18 Maio 2009
15 Maio 2009
Funcionário do mês
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Sean Hagen
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25 Abril 2009
Então
Um dia a gente acorda e percebe que nada mudou.
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Sean Hagen
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18 Abril 2009
A insustentável mesquinheza do ser
Existe coisa mais insana do que reunião de condomínio?
Existe coisa mais insana do que reunião de condomínio sexta à noite que dura três horas?
Existe coisa mais insana do que reunião de condomínio sexta à noite, que dura três horas, com gente mesquinha, desagradável e profundamente prejudicada cognitivamente?
Existe.
É ver quanto uma pessoa é capaz de ser abjeta quando cegada pela ilusão do poder. MacBeth traiu, conspirou e matou para ser rei. Há quem limpe fossas e minta para ser síndico. A ambição presente em grandes feitos ou em pequenas mesquinharias pode esconder uma grande ingenuidade de quem não consegue se ver realmente como é. Torna o camarão com espírito de lagosta uma presa fácil, manipulável e risível – apesar de toda incomodação que produz.
Agora, alguém diz aí: como uma pessoa equilibrada pode fazer tanta baixaria pra permanecer ad infinitum num carguinho de mando? – que talvez seja melhor definido como carguinho de mandalete. Deve dar um puta orgasmo ser aclamada Rainha das Fossas. Imagina o balconista da ferragem, frente a tão intenso poder, perguntando: “Quantos quilos de soda cáustica vai hoje, tia?”.
No fundo, sinto uma profunda pena de um ser como esse. Imagino que limitar o mundo entre corredores sujos e canos entupidos deve ser a única saída pra quem não conseguiu mais nada na vida. A ilusão de controle sobre cinco outros apartamentos – uau! – parece ser a última alternativa quando os sonhos megalômanos de dominar o mundo fracassam.
Algo que MacBeth, revendo a mesquinhez da própria vida, soube definir como ninguém: “Apaga vela! A vida é só uma sombra: um mau ator que grita e se debate pelo palco, depois é esquecido; é uma história que conta o idiota, toda som e fúria, sem querer dizer nada”.
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12 Abril 2009
O retorno
A possibilidade de renascer é um dos mitos mais caros à humanidade: a fênix, consumida em chamas, renasce das cinzas; Bela Adormecida, através de um beijo, acorda do sono eterno; e Jesus, imagem suprema do eterno retorno, sobe aos céus em corpo e alma após a morte na cruz.
A crença na renovação é extremamente necessária quando se instauram a desgraça, o desespero ou o desencanto. Não é à toa que marcamos o tempo por dias, meses e anos; aniversários de nascimento e morte; natais, carnavais e páscoas. Precisamos de ciclos bem definidos para experenciar a sensação de que tudo que inicia deve acabar em algum momento. A vida é assim. Viver é assim.
Muitos ciclos se encerram nesse momento de minha vida. Alguns longos, alguns difíceis, alguns produtivos, alguns marcantes. E um novo processo se instaura para girar a roda e acionar novas possibilidades, trazendo a esperança para mudar aquilo que não foi possível e a inquietude de superar aquilo que foi.
É nesse paradoxo que me construo. Não sou um monolito de certezas imutáveis, apesar de ser mais fácil acreditar que as pessoas não mudam – “afinam e desafinam”, como tão bem define Guimarães Rosa. Mesmo o que tenho de mais estável encerra contradições – a noção de doce só existe pela comparação com o amargo, e a ordem se instaura em perspectiva a uma desordem. Não há apenas uma verdade maior, há verdades provisórias.
O Estranho Mundo de Xôn também passa por essas mudanças. Foi criado em abril de 2006, hibernado em abril de 2008 e “renascido” em abril de 2009. Perdeu a alcunha de “estranho” – apenas na grafia, é certo – para ser definido mais sucintamente de Xôn, esse outro que sou eu, mas que também é outro, em uma eterna busca – impossível – pela unificação daquilo que tenho de mais contraditório.
Abril de 2009 é o início de um novo ciclo. Que seja eterno enquanto dure.
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28 Abril 2008
27 Abril 2008
Esfiha faz mal à saúde
Ciclo do vírus: 15 dias.
Contágio: direto – evitar tocar nos olhos e lavar constantemente as mãos minimizam os riscos.
Forma de contaminação inevitável: esfiha – apesar do estômago não fazer parte do sistema visual (mesmo pra quem “come com os olhos”), esfiha não existe sem limão. E limão não existe sem pingo no olho. Qual a reação imediata de quem leva ácido cítrico no olho conjuntivitoso? Esfregar a área, sair correndo em direção a pia, gritar feito uma cacatua famélica e espalhar o vírus por onde passa, tocando em tudo pra tentar não bater nos móveis.
Em sumo, digo, suma: conjuntivite associada à esfiha faz mal à saúde.
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10:42 AM
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10 Abril 2008
Lubridiação disxélica
Corri pro Houaiss, meu guru da língua portuguesa. Nada, nem trocando o “i” pelo “e” ou o “u” pelo “o”. Fui atrás de um dicionário luso: nada. De um espanhol: nada. Entrei na página do Cláudio Moreno: nadica de nada again. Pra ajudar, o Google mostrou que eu estava, digamos, em companhia um tanto quanto duvidosa. Nenhum grande veículo de comunicação aparecia usando “lubridiar”, nenhuma instituição social de peso, só textos de gente comunzinha como eu e blogueiros. Tá, pra ser mais justo, o vereador Diniz Cogo, do PMDB de Santiago, na região da Missões gaúcha, também usa. Mas ele lapida otras cositas más, como “há onze meses atrás” e “veja-se que se trata”, ou seja: embarquei no ônibus errado.
Pensei em abortar esse projeto e não mostrar ao mundo minhas ignorãças – vou copiar o Manoel de Barros pra ver se limpo um pouco minha barra – mas enquanto escrevia esse texto e pensava que lubridiar significa “enganar”, voltei ao Houaiss e procurei os sinônimos de “enganar”. E lá estava: ludibriar.
Eita. Como é que se chama isso? Dislexia, né? Pois é, eu sou disxélico.
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07 Abril 2008
Poeira de píxels
Uma amiga carinhosa me acusa de fazer isso de forma estrategicamente pensada, só pra eu ver quem vai lembrar de mim no final. Como não quero gastar grana com terapia – nada contra, Carrrion, tudo a favor –, já que minhas neuras me respeitam sobremaneira e minha cota de rejeição tá controlada, resolvi voltar antes de virar poeira de pixels.
Já contei aqui que achava os blogs pessoais, salvo os com temas específicos, meros diários exibicionistas. Mudei de idéia quando descobri a interação possível entre quem escreve – eu, neste caso – e quem comenta – você, caro leitor, que de alguma forma ainda lembra de mim.
Não, não é uma relação presencial, não podemos aplicar as mesmas regras que usamos nas relações face a face. Mas isso não tira a integridade do laço virtual, não desmerece a verdade que sentimos. Talvez eu nunca venha a conhecer pessoalmente algumas pessoas que por aqui passam, mas esse convívio trouxe algo de real para o que sinto e penso. Ajudou a me construir mais do que muita gente que vejo todo dia e com a qual não tenho a mínima intimidade pra falar dos assuntos aqui abordados e das discussões travadas em outros blogs.
E quem tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, a intimidade do não presencial cresceu ainda mais com o olho no olho. Isso por que, mesmo inserido num ambiente de aparente distanciamento e tecnicidade, os blogs queimam etapas do processo interativo, trabalham com a essência de uma idéia, de uma postura de vida, de um sentimento – sempre que permitimos isso, é claro.
Saint-Exupéry, apesar de ser considerado o rei dos cafonas, é exato quando fala “você é eternamente responsável por aquilo que cativa”. Essa é uma premissa pueril que o lado racional do cérebro faz troça, mas, ao mesmo tempo, é uma verdade que a emoção reconhece como necessária, não se deixando intimidar pela obviedade que encerra.
A todos que passam, somem, voltam, lêem, comentam, calam-se, uma confissão: eu sou cafona. E é muito bom poder encontrar com vocês aqui, mesmo quando quase viro poeira de pixels.
- Urubu Maroto, beijo especial pela constante instigação e pelo post explicito no teu blog –
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17 Fevereiro 2008
Crianças, xô!
Domingo de sol, eu aqui na frente do computador com um zilhão e trocentos bilhões de coisas pra fazer, e a vontade é de sair correndo porta a fora e não olhar pra trás. Daí lembrei que o blog estava sem atualização outra vez e vim dar uma espiada. Meu primeiro impulso foi comentar as notícias políticas que tenho acompanhado no blog do Josias de Souza. Primeiro, o lance do el rey FHC que, como todos sabem e todos fazem que não vêem, teve um governinho com tantas irregularidades que até Zeus duvida:
* TCU já mencionava ‘falta de transparência’ em 2002
* Auditoria pôs em dúvida contas das viagens de FHC
* Presidência fracionou despesas para fugir à licitação
* Algumas compras não têm comprovante de quitação
* Adquiriam-se de comida a utensílios para o Alvorada
* Assessora de ministro viajou até em fins de semana
Mas pensei: tá velho. Então, vou falar da CPI das ONGs, que começou lá no governo do outra vez intocável FHC, e se espraiou no governo do filhote de tucano Lula.
* Verba foi repassada pelo Tesouro entre 1999 e 2006
* Foram beneficiadas 7.670 entidades em todo o país
* Lista inclui de sindicatos a organizações indigenistas
*Suspeitas alcançam de congressistas a universidades
Voltei a pensar e vi que isso é muito sem graça pra falar num domingo de sol. Na hora ouvi a voz do Carrion alertando que eu tava ficando muito chato, o que me fez trocar de idéia. Então, em homenagem a'O hedonista, e dando seqüência ao post de baixo, coloco um videozinho maneiro pra energizar a semana. Se sexo faz bem até pras rugas, imagine o que sexo sem gravidade e cheio de conceito faz.
Uia.
Dor nas costas.
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12 Fevereiro 2008
Fuqui-fuqui rejuvenescedor
Previne rugas, minha gente, rugas!
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09 Fevereiro 2008
Plasticidade sanguínea
Imagine que Edward Mãos de Tesouras parou de tomar antidepressivos. E que pra se vingar de um mundo que julga cruel, decide “limpar a área” até chegar na fonte de todo desajuste. Grosso modo, é o que Tim Burton faz De longe, este é o filme mais explicitamente soturno e sanguinolento de Burton. Cada um sobrevive como pode numa sociedade que faz a transição entre a fidelidade feudal aos senhores e suas leis, e a máquina que traz a fortuna a qualquer custo. O contraste do vermelho que jorra das gargantas com os tons de cinza e azul de uma Londres decadente mostra a primazia do desenho de produção. Tudo é impecável: a direção de arte, a fotografia, a cenografia, o figurino, a maquiagem.
E Sweeney Todd seria perfeito se não fosse um detalhe: é construído como um musical. A idéia parece excelente, ainda mais com a infinita ironia que Burton sabe exercitar. Mas o tiro sai pela culatra. Basicamente, um único tema melódico se repete por todo o filme, como um CD avariado que fica pulando e repetindo sempre o mesmo. Raros são os momentos em que o paradoxo entre forma e conteúdo se estabelece – quando Todd faz um duo com o juiz que o mandou pra cadeia e roubou sua mulher e filha, os dois louvam o mesmo amor: um, o que perdeu depois de 15 anos aprisionado, e o outro, o desejo de desposar a agora filha adolescente do homem que encarcerou injustamente.
Dentro desse gênero, a música é o clímax de uma seqüência, intensificando a carga emocional da trama. Burton “esfria” as canções, deixando-as sem sentido e truncando a fluência da história – Lars von Trier, que já havia pintado de negro os musicais em Dançando no Escuro, nunca dispensou o clímax catártico, como nos angustiantes números antes e durante e execução de Björk.
Quando se consegue abstrair esse fato, o filme ganha corpo, apesar de estar muito aquém do que poderia ser. Mas a essência de Burton está presente, com seus seres em desalinho em um mundo hipócrita. A magistral abertura, em que o sangue faz girar uma desumana e fria máquina, contrasta com a belíssima seqüência final, em que o sangue redime o ódio e a incapacidade de sentir, congelando a ação na mítica imagem da Pietá de Michelangelo. É preciso que o sangue se una ao sangue para restabelecer a harmonia perdida. E a justiça renasça pelas mãos da inocência corrompida.
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07 Fevereiro 2008
Rodamoinho
Ninguém sai impune dos desafios que se impõe – ou não se imporia desafios. A sensação de domar o tempo, um assunto, um percalço, uma questão técnica, uma emoção faz a gente se sentir apto a coisas maiores. Dá aquela sensação de que, se deu certo desta vez, com todas as dificuldades, algo maior pode ser arriscado na próxima.Imagino que as epifanias sejam feitas do mesmo material: quando subitamente uma verdade se materializa e traz uma outra opção de olhar as banalidades do mundo. Talvez não seja de todo consciente, talvez se manifeste apenas no regozijo da superação num primeiro momento. Mas lá no fundo, onde as águas sempre revoltas giram as pás do moinho que nos dá a energia vital pra ser quem somos, um novo ritmo começa a tomar forma. Mesmo que lento e quase imperceptível, à espera de outras epifanias que consolidem o novo fluxo que começou a se instaurar.
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30 Dezembro 2007
Certezas
-----------------------------------------------------------------------------------------------foto sean hagen
Certezas imutáveis podem ser tão enganadoras quanto mentiras. A repetição mecânica esvazia a verdade que as torna vivas. São como fotos que amarelecem com o tempo contando sempre a mesma história. Há certezas que precisam ser destruídas para formar verdades mais coerentes. Mesmo que seja um processo frankensteinsiano, em que partes do todo são costuradas com fragmentos de vida e átimos de tempo.
Dois mil e sete finda mais uma passagem temporal nas verdades que carregamos vida a fora. Propiciou a chance de perpetuar certezas, mas também de destruir outras tantas, num movimento nem sempre coerente: saber o que realmente deve ser confirmado e o que deve ser descartado.
Não foi nada fácil pra mim, com certeza. Foi um período de perdas, de erros, de dores e decepções. E ao mesmo tempo, de reconfirmações, descobertas e encontros. Um ano que causou um rebuliço nas verdades que eu tinha como certas, mas que apontou novas perspectivas.
Espero que 2008 seja um ano marcante pra todos nós. Não apenas pelas coisas grandes que possa proporcionar, mas pela oportunidade de nos fazer melhores. E que pelo menos esta certeza seja irrefutável em 2009.
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Sean Hagen
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1:05 PM
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22 Dezembro 2007
25/12
Luzes e velas.
Brilhos.
Doces.
Presentes, constrangimentos, carências.
Beijos.
Mesa farta, dor de estômago.
Desejos.
Saudades.
Dor por quem não está presente.
Vontade de estar junto.
Alegria por estar junto, pertencimento.
Saber o que se quer e o quanto se gosta.
Desculpa pra se permitir sentir, pensar, pesar, rever.
Catarse
Epifania.
Prazer em estar vivo.
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Sean Hagen
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11:39 PM
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