19 abril 2006

Incongruências similares

No sexto ano do novo milênio, ainda me espanta ver como os velhos mecanismos do Brasil colonial e clientelista dominam as relações econômicas do país. Da cerveja comprada num bar, ao bilhete com lugar na janela de um avião, as mesmas práticas sanguessugas acabam com o consumidor.

Existe algo mais arcaico do que cobrar taxa de consumação nos bares? Os empresários de Porto Alegre não acham, e já iniciaram choradeira geral pra tentar evitar que, na próxima semana, a Assembléia vote um projeto de lei que os impeça de extorquir os clientes. O Código de Defesa do Consumidor é claro: é proibido condicionar o consumo a um valor pré-determinado.

“Como assim perder as benesses?”, está vociferando o sindicato da categoria, enquanto engendra o mesmo terrorismo de sempre: vamos demitir, vamos aumentar os preços, vamos fechar.

Dos barzinhos para os modernos aviões MD 11, a pressão que a corrupta Varig faz na sociedade é a mesma, mas com uma carga emocional mais forte: milhares de demitidos, a extinção da mais internacional marca brasileira, a perda de rotas únicas, o fim de um patrimônio cultural e blá blá blá.

Nos dois casos, há um só desfecho: quem arca com o financiamento da saúde, da educação, do carro importado do dono de bar famoso, do luxo na vida dos acionistas e diretores de uma grande empresa aérea, das estradas, dos fundos que salvam empresas corruptas somos nós.

Nós, sempre nós.

Também quero pedir falência e ver o governo largando dinheiro no meu bolso. Ou cobrar uma taxa por uso da minha imagem cada vez que eu entrar num barzinho. Se for pra explorar, quero a minha parte.
Quem me quiser, que pague.

12 comentários:

marcia disse...

o lance mínimo não é pra qualquer biquinho.

Sean Hagen disse...

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se vc soubessse como sou baratinho...


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Ana disse...

É tudo uma questão de custo-benefício...

Ihihihihihi!

marcia disse...

aceita cartão?

Sean Hagen disse...

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ana,,
ainda tô tentando achar os benefícios.


marcia,,
até cheque pra descontar com o 13º tô aceitando.



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marcia disse...

desculpe, xuxu. não uso cheque.
mas posso empenhar a porcelana inglesa da minha tataravó.

Sean Hagen disse...

*


tá valendo.
manda ver que tô no aguardo.


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marcia disse...

mais um filé com fritas no de sempre.

Homera disse...

Sean! Querido!
O que tu anda fazendo agora?

Grazi disse...

... pensei em dar um lance, mas o mercado está muito inflacionado
...

Sean Hagen disse...

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que nada, Grazi. assim como as bolsas, tô em queda.


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Thelma disse...

Eu queeeeeero!!!!!! Pago tudo que tiver que pagar, bunitinhuuuuu! Mas só para poder sentar contigo e conversar longamente. Tô dentro!