26 abril 2006

Instinto fálico

Se Instinto Selvagem 2 fosse mais ruim, até que seria bom.

Explico: Sharon Stone é uma estrela decadente. Michael Caton Jones é um diretor de segunda linha. Um tal de David Morrissey – quem? – é o galã. O filme tenta se levar a sério, mas só no final, quando cai no risível, entendemos que este é o ambiente em que deveria ter se desenrolado o tempo todo. Caton Jones perdeu a oportunidade de fazer um filme camp, daqueles cultuados em cinematecas por aficionados. Ficou apenas no ruim.

O roteiro é profundo como um pires: clichês se amontoam sobre o nada, sem coragem de ir fundo e atropelar o “bom gosto”. Sharon Stone é retratada como um falo ambulante: usa roupas clean e retas, está sempre de salto alto e carrega nas mãos isqueiros longilíneos. E, claro, fuma sem parar. Uma forçação de barra que deixaria Freud com os poucos cabelos em pé. Pra provar que as mulheres são histericamente insaciáveis, até a cool Charlote Rampling é obrigada a pendurar um cigarro na boca. E o famoso furador de gelo voltou a aparecer, mas pra reforçar a idéia de que o vazio e as figuras fálicas do filme são indissociáveis.

Obviamente que os homens não fumam. São reprimidos sexualmente e têm visíveis problemas com o sexo oposto: querem dominar, mas ser objetos. Querem ter a sensação de controlar e ser controlados. São duros na aparência, mas recheados de creme de baunilha.



Charlotte Rampling, um mulherão na casa dos 60

David Morrissey devia fazer comercias de fralda pra bebê. Tem a cara de um menininho chorão e o talento de um feto. O psiquiatra que interpreta é emocionalmente inseguro, sempre pedindo ajuda pra “mãe” – encarnada na figura da amiga Charlote Rampling – e treme as pernas quando se depara com a autoridade do poder paterno – representada pelo aloucado psiquiatra freudiano. Trabalha num prédio que tem a forma de um vibrador gigante e tenta reforçar a frágil masculinidade gritando e proibindo as mulheres de fumar – vejam só.

Mas tudo não passa de uma grande bobagem com direito a um final em aberto. Talvez ainda renda mais uma continuação caso a bilheteria pague os custos.

Apesar das plásticas no rosto - com olhos ao estilo Elza Soares -, e dos peitos siliconados, Sharon Stone continua batendo um bolão. É sexy, e tem um sorriso malicioso que incendeia a tela. Mas me recuso a fazer o aclamado adendo aos 48 anos: ela está bonita não pela idade, mas simplesmente porque é. Se fizesse ressalvas, seria para Charlotte Rampling, que há quatro décadas mantém o mesmo charme e beleza da juventude sem plásticas aparentes.

6 comentários:

Ana disse...

O bom de assistir um filme é poder comentar depois! Raramente tenho esta chance!

Ontem assisti "Chocolate", de novo, junto com a minha filha... Bom demais... Tem filmes que são pra ser saboreados!!

marcia disse...

se pelo menos as cenas de sexo fossem boas.

marcia disse...

xuxu, tá pronto. quer dizer, marromêno. piu piu piu.

Juan Diego Polo disse...

hehe,
posso colocar esta notícia no http://www.linkk.com.br na categoria de cinema?

Sean Hagen disse...

*

juan

se vc creditar que foi tirada aqui do blog, sem problema.
só me avise para eu dar uma espiada, ok?


*

Juan Diego Polo disse...

Oi!
segue link da sua notícia no linkk

http://www.linkk.com.br/story.php?id=328


você mesmo pode colocar mais notícias, a categoria de filmes precisa de qualidade mesmo.

parabens pelo blog

Diego