20 abril 2006

Queima ela, Jesus!

Uma sucessão de casualidades me faz publicar essa versão apócrifa do horóscopo maldito, publicado pela Folha essa semana – sei que já circula há tempos na internet, mas se quer lembrar das barbaridades que falam de você, espia o post abaixo -. Na semana passada, o Valor Econômico decidiu “provar” que astrologia não é ciência através do paradigma positivista que as ciências duras professam.

Que astrologia não é ciência tradicional me parece de entendimento comum, mas a importância cultural dessa “não-ciência” deve ser levada em conta: atravessa estudos de psicologia, antropologia, sociologia e diversas áreas sendo o foco central ou suporte. Transita no campo do imaginário, do mito e dos “saberes interiores”, como diz o antropólogo Joseph Campbell. Trabalha com arquétipos e imagens universais; dá subsídios pra formação do ego adulto, assim como as histórias da Carochinha fazem com as crianças.

Há quatro anos, eu concordaria com o Valor Econômico – não pelo lado jornalístico, que fique claro, onde é inadmissível ouvir apenas um lado da questão. Mas pelo meu forte ceticismo, pela minha inclinação à lógica, por achar tudo isso era uma baboseira. Precisei de um mestrado, em que o mito foi o centro da pesquisa, pra entender que a verdade, assim como a realidade, é muito subjetiva: aceita pontos de vista diferentes e abordagens não usais, desde que deixe claros os parâmetros.

Ontem, como sempre acontece, a astrologia brotou natural numa conversa e ouvi essa frase: “você deve agir sempre com muita ação, ainda mais quando tem Áries na casa da emoção (a lua)”. Se isso ajuda as pessoas a me compreenderem melhor, que ótimo. Entender o Outro e respeitar o espaço que ele ocupa virou mercadoria rara hoje em dia.

A ciência já provou que o sol não gira ao redor da terra. Mas muita gente ainda acha que o limite do mundo é o próprio umbigo.

2 comentários:

marcia disse...

não sei se consigo explicar, mas eu avalio a beleza de alguém por sua capacidade de se lançar no mar. volta um pouco, tem seus portos e seus cais, descansa, respira e se recupera, mas não teme morrer (porque, sabemos, este é sempre o risco de se lançar no mar). sabe que não se basta, que o mundo é maior. sabe que seu próprio mundo interior é maior e exige mais do que aquelas braçadas de sempre. avalio a beleza de alguém por sua capacidade de não temer o mistério - nem rir do mistério, nem desejar o mistério.

hum... acho que não me fiz entender. estou tentando falar daquele sujeito do Gilles Deleuze. o sujeito que vejo em ti, sem qualquer sombra de dúvida. uma de tuas maiores belezas é se lançar no mar. raridade corajosa que nunca deixa de me encantar.

Sean Hagen disse...

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sensibiliade pra perceber.
sensibilidade pra demonstrar.
li emocionado e com o peito embargado.


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