31 maio 2006

Meu mundo caiu

sem computador.
- "quebrou" -
sem comunicação.
sem ação.

como poderei viver?

29 maio 2006

A vitória do fracasso

O bom da internet – e do orkut – é o monte de besteiras que as pessoas perdem tempo inventando pra fazer a gente rir.
Sempre tem um gaiato disposto a tudo.
Essa é uma piadinha política. Se não for seu estilo, esqueça.

1 - Entre no Google
2 - Escreva failure – significa fracasso, em inglês
3 - Clique em Estou com Sorte - fica ao lado de Pesquisa Google.
4 - Ria agora antes que o Google se dê conta.

28 maio 2006

Porto Alegre, 30°

Vinte e oito de maio de 2006.
Depois de uma semana no paraíso, com temperaturas muito baixas, cerração e geada, chego a esta cidade onde está fazendo um calor insuportável.
Às sete da noite de sábado os termômetros registravam 24°.
Eu disse sete da noite.
Da noite.
Castigo divino, efeito estufa, terra de incongruências, el niño, la niña, seja lá o que for, é dureza sair de casa com casaco e ter que voltar só de cueca.
Vou propor uma lei no Congresso proibindo variações de temperatura maiores do que 20° num espaço de 48 horas.

26 maio 2006

Inverno, 4°

Já tinha esquecido como é bom sentir frio.
Quatro graus à noite – madrugada batendo em .
O campo coberto de geada.
A cerração fazendo do dia sonho.
Pena que isso seja tão raro.
E pena que as viagens sempre acabam.

21 maio 2006

Estelionato

Será que algum dia ainda vou ganhar desconto em compras à vista usando cartão de crédito?
Duvido.

Transgênico yankee

Isso é o que eu chamo de maldade: olha a cara do Bush no corpo da Jennifer Aniston.
Como puderam fazer isso com ela? Ok, como atriz ela não é lá essas coisas, mas tem um carisma e uma empatia com a câmera impressionantes. Sem falar no soberbo talento físico, é óbvio.

Se você ainda não viu a coleção de fotomontagens, dá uma espiada. Têm várias outras famosas sendo agraciadas com a carinha do mico-leão-dourado yankee.

18 maio 2006

Telhado novo

Enquanto o chão ficava coberto de cabelo, o cara que cometia um cabelocídio no meu cocuruto, disse: “Que desperdício! E tanta gente sem”. Pelo espelho, vi uma franja rala cuidadosamente espichada tentando tapar entradas que eram impossíveis de esconder. Rimos os dois, muito. Mas em algum lugar, lá no fundo, ouvi a Elis Regina entoar os tão familiares versos que há anos me acompanham.

“Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida/ Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais”.

Dos 18 aos 24 anos, eu senti intensamente o que significa ter cabelo ao vento. Agora, quando o branco ao castanho se impõe, e 20 anos separam aquele primeiro momento do tempo presente, despeço-me outra vez dos cabelos longos e fico apenas com o que os versos do Belchior indicam: possibilidades, parcerias e uma certa inquietude com a vida. Sentimentos que não são apenas lembranças penduradas na memória, mas uma realidade que vivo no dia-a-dia.

Quanto à dor da segunda estrofe, talvez seja por não ter recolhido os tufos capilares com que atapetei o piso. Dariam uma bela cobertura. Vá que um dia eu tenha o azar de ser acometido por uma franjinha assassina?

14 maio 2006

Muralhas e dinamite

A emoção é uma fera pronta para dilacerar a presa com garras e dentes afiados. De tocaia, nos abate na presença de um gesto, de uma palavra, de um filme. Acabo de ver Mar Adentro, de Alejandro Amenábar, uma belíssima ode ao direito de sentir. Não vi quando passou nos cinemas e só agora, numa noite pachorrenta, depois de um dia de muito trabalho, tive a sorte de assistir. A contida carga emocional do filme me acertou com um golpe certeiro.

Javier Bardem interpreta um tetraplégico que luta pelo direito de morrer: há 28 anos não move um único músculo do corpo, enquanto a mente é capaz de sobrevoar campos e navegar no mar. A paralisia que sente não está na falta, mas na saturação: no excesso de sentimento e de possibilidades que nunca serão vividos. Andar, escrever, levar o garfo à boca, tirar o cabelo do rosto, gestos tão corriqueiros e automatizados, são os mesmos que proporcionam o apaziguamento da hipersensibilidade e deixam a vida suportável. Para sentir a vida também é preciso “esquecê-la”.

Apesar da poesia dedicar uma sobrevalorização ao verbo viver, há uma diferença significativa entre viver e sentir. Um está ligado ao ato físico e às sensações decorrentes dessa capacidade. O outro, à emoção e – e por mais paradoxal que seja – à razão que advém desse sentimento. O excesso de sensibilidade leva ao racionalismo, não à paixão.

O racional e o emocional sempre travaram uma luta aberta na minha vida, e o fio da navalha em que se movem deixa marcas tão profundas quanto o ataque de uma fera. A emoção que me inflama frente as coisas mais banais é a mesma que se apaga quando a razão oferece uma forma lógica de sentir. E quando a lógica ergue muralhas, lá vem a emoção com uma carga de dinamite. Dosar essas duas forças é sempre uma busca por transcendência.

Mar Adentro reafirma que viver é a única forma de acalmar o desejo brutal de sentir vida. Longe das grandes paixões, são os pequenos gestos que fazem a razão transbordar de sentimentos. E onde diariamente a vida reafirma seu sentido.

11 maio 2006

Sexy Jocasta

Mães são aquelas pessoas que existem pra garantir que ao menos um vivente no mundo nos ame de forma incondicional. Amores românticos começam e acabam, mudam, trazem felicidade e dor de cabeça. O único imutável é o amor de mãe. Freud e Jung - e até a mesa de bar - já trataram do assunto. É rico e controverso. Mas ninguém duvida que amor de mãe estrutura o ego da cria e a torna alguém menos complicado.

De uns tempos pra cá, essa imagem da mãe acolhedora cedeu espaço pra uma mãe, no mínimo, inusitada. A cada ano a publicidade usa mulheres mais jovens pra vender anéis e eletrodomésticos no dia dedicado às progenitoras. Ontem, na TV, descobri que agora elas têm cara de meninas de 16 anos: sexy, provocativas e extremamente desejáveis. Claro que a Associação Brasileira de Auto-regulamentação Publicitária não vê mal nenhum em incentivar a gestação de adolescentes, o negócio deles é vender.

É um pouco desconcertante ver essa sexualização excessiva da figura materna. Isso mexe com a imagem que as pessoas têm do como deve ser uma mãe. O melhor anúncio que vi é da Conte Freire, a Daslu dos gaúchos - não consegui postar aqui porque está em flash, mas quem quiser pode ver neste endereço enquanto eles não tiram. Uma loira de corpo escultural olha pra câmera - apenas de sutiã, calcinha, casacão e colar de pérolas – com aquele ar de “vou te devorar até o último osso”. O título: Dia das Mães Conte Freire. Ela merece se sentir assim.

Opa! Se minha mãe me receber assim no domingo, fujo em desabalada carreira e desapareço no horizonte. Quero beijinho no rosto, cafuné, colo, comidinha especial, abraço. A perversão da “mamãe sexy” eu resolvo em outro lugar.

Em suma: minha mãe não vai ganhar presente da Conte Freire. Já escolhi as pantufinhas que vão deixar os pés dela bem quentinhos.

07 maio 2006

Hierofania selênica

Nunca aprendi a diferenciar a lua minguante da crescente. A única que eu conheço é a cheia. Ela costuma invadir arrogantemente meu quarto, grande como um olho gordo, xeretando cada cantinho desarrumado. Nossa relação é antiga, sou um licantropo que uiva em silêncio.

A lua mais linda que vi na vida foi em um aniversário, numa noite muito fria de junho. Lembro que fui ao Theatro São Pedro, mas não lembro mais o que vi. Nem em que restaurante comemorei, nem que idade fiz. Mas lembro dela, enorme, gigantesca, alaranjada e perfeita, esperando no fim da minha rua enquanto eu caminhava de volta pra casa, alta madrugada. Difícil descrever o que senti naquele momento.

Talvez um sentimento tão forte assim eu só tenha vivido na ausência. No meio do lago Titicaca, numa minúscula ilha congelada em algum século passado, sob o céu mais estupidamente estrelado que já vi. Ela não estava lá. E a escuridão era tão plena, e a sensação de desamparo tão grande, que descobri ser capaz de sentir coisas que pensava não fazerem parte de mim.

Escrevo isso porque acabo de ler que palingenesia, hierofania, cratofania e teofania são apenas alguns dos sentidos sonoramente elegantes que a definem.

Olho pela janela aberta um céu quase negro. Não há lua, não há luar. O quatro está escuro. Nem a luz prateada do computador consegue reproduzir o que as palavras não sabem explicar

04 maio 2006

Os afetados me afetam

Afetação é uma coisa que me incomoda. Muito.

Mas que fique claro que afetado é diferente de espontâneo – um é original, o outro é falso. Nessa categoria estão as mulheres excessivamente emperuadas, os homens montanha de músculos, o sotaque do Philip Seymour Hoffman em Capote, a síndrome de Pollyana - que ataca quem vive sempre em cima do muro e nunca se posiciona. No orkut, por exemplo, são aqueles que só “passam pra dar um oi” e somem.

Já notei que dentre todos os afetamentos, um me incomoda mais do que todos: os afetados da língua. Eles não têm profissão, sexo ou idade definidos, mas geralmente se disseminam em ambientes onde ser poser – como me ensinou a minha sobrinha – é fundamental.

Falo isso porque participei há pouco de uma reunião na Universidade Federal do Rio Grande do Sul pra implementar um projeto. Era uma plêiade de doutores, gente graúda, e eu. Fala um de cá, fala outro de lá, e levanta um nobilíssimo senhor: “blablabalá blablablá, je sui désolé!, blablabalá blablablá, je sui la femme!, blablabalá blablablá, allez tous vous foudre!

Será que o Brasil foi colonizado pela França enquanto eu dormia e ninguém me avisou? A cada dez palavras, o afetado disparava uma em francês. E ainda reforçava com um: “Como se diz na França...”.

Até hoje não descobri se isso é desprezo pela língua, desprezo pelo interlocutor, ou um cérebro deficiente que embaralha as coisas e não sabe onde está.

Moral da história: essa história não tem moral nenhuma. E muito menos eu, que fico escrevendo bobagem em vez de trabalhar.

02 maio 2006

Os gigantes também fedem

E solucionou-se o mistério fétido.
Tudo não passou de um pequeno probleminha nos filtros de uma das maiores poluidoras do Rio Grande do Sul.
Aracruz Celulose – ex Borregaard – na terra, shit in the air.

As pessoas deveriam ter paplilas olfativas menos sensíveis pra não incomodar os outros.