18 maio 2006

Telhado novo

Enquanto o chão ficava coberto de cabelo, o cara que cometia um cabelocídio no meu cocuruto, disse: “Que desperdício! E tanta gente sem”. Pelo espelho, vi uma franja rala cuidadosamente espichada tentando tapar entradas que eram impossíveis de esconder. Rimos os dois, muito. Mas em algum lugar, lá no fundo, ouvi a Elis Regina entoar os tão familiares versos que há anos me acompanham.

“Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida/ Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais”.

Dos 18 aos 24 anos, eu senti intensamente o que significa ter cabelo ao vento. Agora, quando o branco ao castanho se impõe, e 20 anos separam aquele primeiro momento do tempo presente, despeço-me outra vez dos cabelos longos e fico apenas com o que os versos do Belchior indicam: possibilidades, parcerias e uma certa inquietude com a vida. Sentimentos que não são apenas lembranças penduradas na memória, mas uma realidade que vivo no dia-a-dia.

Quanto à dor da segunda estrofe, talvez seja por não ter recolhido os tufos capilares com que atapetei o piso. Dariam uma bela cobertura. Vá que um dia eu tenha o azar de ser acometido por uma franjinha assassina?

6 comentários:

Graziana disse...

voltou ao corte que usava qdo te conheci?
tinha que colocar foto para os leitores opinarem sobre...
:p

marcia disse...

piu piu piu. (ptf.)

Thelma disse...

Tás desmelenado, bunitinhuuuu? Como te sentes com a nova identidade? Manda fotos!!!!

Thelma disse...

Tás desmelenado, bunitinhuuuu? Como te sentes com a nova identidade? Manda fotos!!!!

Ana disse...

Sabe?
Já cortei, algumas vezes, o meu cabelo todinho, deixando com mais ou menos 5 cm. Foi uma delícia!
Ando pensando em repetir a dose!
(Mas depois do inverno!)
:}
Kd a foto??

Cássia disse...

ê. nunca curti o visual cabelo ao vento ;-)

nem pra mim...