17 junho 2006

Ele não está mais entre nós

O comediante Bussunda morreu na Alemanha, aos 43 anos. Ataque cardíaco fulminante devido a uma crise de asma. É sempre trágico um desaparecimento. Trágico pra família, pros amigos, pra Rede Globo – obviamente – pros fãs que gostavam dele.

Agora, o que vai começar a pipocar pela internet, revistas e jornais são as matérias e notas falando da grandeza de Bussunda, da excelência inimaginável do trabalho dele, do humorista único e incomparável, de como o Brasil será diferente sem ele.

Nunca consegui esboçar nem um leve sorriso amarelo pras piadas do Casseta & Planeta. Entre o intelectualóide e o infame, eles não conseguem ser uma coisa nem outra. Até simpatizava com o trabalho do grupo quando eles editavam os jornaizinhos lá no início dos anos 80. Mas talvez eu é que fosse um piá mais ingênuo.

O próprio Bussunda admitia não ter talento pra nada, nem pra humorista. Entrou nessa por brincadeira e simplesmente ficou. Gerava “humor” pelo grotesco de uma avantajada compleição física – explorada na paródia das boazudas da Globo –, e um rosto duro ao mesmo tempo que sem expressão.

A partir de agora, Bussunda é perfeito e inigualável: além do talento, será o melhor amigo, o melhor pai, melhor marido, melhor filho. E isso é o cômico da história: o poder de beatificação que as pessoas imputam à morte – e que os meios de comunicação, como mediadores do senso comum, reproduzem e amplificam. Esperem pra ver o especial que o Faustão vai apresentar, lacrimoso e edificante, os erros de gravação de Bussunda comentados no Fantástico com a Gloria Maria fazendo beicinho, a capa da Caras e da Época.

Me solidarizo com a tragédia de um homem que morre prematuramente aos 43 anos. Mas ter que aturar os epitáfios sobre o "gênio" vai ser dureza.

10 comentários:

marcia disse...

a nossa mania de achar que não é nada, que não precisamos de atendimento, que é apenas um mal-estar, que já vai passar (como nas outras vezes, ora).
dói na mulher, na filha, nos pais.
e sim, já está lá o Juca Kfouri na capa do UOL falando nele.

Sean Hagen disse...

*


os adjetivos do kfouri: "brilhante", "excelente"...
ser amigo já não bastava a homenagem?


*

Rosa disse...

Concordo plenamente contigo...

c\ disse...

Eu tava começando a pensar que era a única anormal nessa história de não achar a mínima graça nas piadas do Casseta. Nunca consegui assistir a um programa inteiro deles. Até que tentei, umas 2 vezes, mas como não conseguia ir além da 1a parte, deixava pra lá.
Também sinto pela perda prematura do ser humano, mas daí a dizer que o cara era um humorista é muito, pra mim.Fico vendo esse endeusamento todo só porque o cara morreu. Será se isso é só da nossa cultura brasileira?
Excelentes colocações

Anônimo disse...

Mais uma vez o meu nome foi incompleto e só foi a 1a letra.
Isso já tá se tornando uma perseguição..

cida disse...

De novo??? Não acreito!!!

Um taquin de pan disse...

No mundo todo esta crescendo o 'endeusamento' do mediocre, do baixo e ate, de certo modo, do repugnante. Por que isso? Nao sei. Sei que fico entediada rapidamente com as conversas da moda, que como a agua, sao insipidas, inodoras e incolores... mas diferentemente desta, nao matam a sede de conhecimento...

Que chita bacana! disse...

Isso mesmo, Sean, nada pior do que os meios de comunicacao que promovem o tao preconceituoso 'senso comun'e destroem o senso critico. (ta bom, to sendo redundante, eu sei)
cheiro.

Que chita bacana! disse...

Isso mesmo, Sean, nada pior do que os meios de comunicacao que promovem o tao preconceituoso 'senso comun'e destroem o senso critico. (ta bom, to sendo redundante, eu sei)
cheiro.

marcia disse...

e que venha logo o novo computador. patifaria sem certo patife é só meia patifaria.

piu piu piu. :)