02 junho 2006

ExXxplosion Men

Dos filmes de Simbad com incríveis efeitos a base de “massinha” movimentada quadro a quadro da década de 50 – que eu via na sessão da tarde nos anos 70 –, rapidamente mudei meus parâmetros para a revolução que George Lucas inaugurou em Guerra nas Estrelas. Nos anos 80, os efeitos passaram a ser um dos personagens principais dos filmes.

Hoje, quando a banalização dos efeitos digitais – e a tentativa frustrada de tentar ser mais real do que o real -, aborrece mais do que entretém, descubro em X-Men III efeitos maravilhosos, apesar da pataquada cafona que sempre acompanha esse gênero.

Não vou entrar na questão do filme ser fiel ou não aos quadrinhos. Não sou nerd e confesso que tenho um certo tédio com essa forma de expressão. Mas a transposição para o cinema é pueril na tentativa de ser plural e abrangente. Os X-Men podem representar, dependendo do ângulo que se veja, todas as “minorias” reprimidas: de mulheres a gays, de negros a albinos, de trogloditas a nerds. Nesse supermercado de ofertas, só não encontra identificação quem estiver de mau humor.

Também há muita forçação de barra no roteiro, como a história do ícaro que só aparece pra dar fecho a essa baboseira mela-cueca – e é protagonista da seqüência mais brega de toda a série, com sua “fuga para a liberdade”.

Mas os efeitos...áh os efeitos. Fazia tempo que eu não via tantas cenas de ação interessantes. Tudo explode, tudo salta, tudo urra, tudo brilha. Mas não cansa. E o melhor é que em nenhum momento eu fiquei pensando “isso é digital, isso não tá bem texturizado, essa luz não é igual a da cena real”.

Se você agüenta sem muito trauma uma historinha xaropenta pra poder curtir bons efeitos, veja. Agora, preste atenção na primeira seqüência, que começa no passado. Por mais que se gaste com poderosos programas de computador, rejuvenescer uma pessoa ainda é uma tarefa a ser desenvolvia.

Uma dica: fique até o último crédito. A “surpresa” final nos diz onde começará a próxima seqüência.

E uma curiosidade: quem lembra da grande Sissy Spaceck de braços duros colados ao corpo, olhos esbugalhados, toda lambuzada de sangue em Carrie, a estranha? O tal Brett Ratner, diretor, não teve a mínima vergonha de piratear essa imagem e transformá-la no centro desse X-Men.

Em suma, sobram efeitos e falta história. Mas pra que roteiro, se por duas horas é possível ter sete anos novamente?

1 comentários:

marcia disse...

bah, naquela hora eu pensei "Carrie". mas tudo bem, todo mundo copia todo mundo, mesmo.

duas coisas me incomodaram. primeiro, os violinos. o que diabos aqueles violinos estão fazendo lá o tempo todo?

segundo, por que transformaram a Tempestade naquela chatinha?