31 julho 2006

Yin

Porto Alegre em desfoco. Foto Sean Hagen


Trinta e um de julho, duas e meia da manhã, 4° em Porto Alegre.
O clima úmido intensifica ainda mais a sensação de frio.
Lá fora, a noite está escura e compacta.
As estrelas, tímidas, não conseguem esquentar o céu.
E a lua, como que assustada com essa repentina frieza, reluta em abandonar a fase minguante em direção ao circulo imperfeito da nova.
Aqui dentro, banhado pela luz do computador, a sensação é de acolhimento.
Por alguma razão, o frio me faz sentir vivo e conectado comigo mesmo.
Tenho gelo nas veias.
E uma boa dose de escuridão na mente.

30 julho 2006

Detetizador de criancinhas

Cinqüenta pessoas massacradas no Líbano só nesse começo de domingo.
Dessas, 20 são crianças.
Morrem como baratas.

"Todos os habitantes da região foram avisados e convidados a partir", disse o sábio primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert. Mas mesmo com todos os gentis convites, ninguém fugiu das próprias casas e vidas. E pagaram o preço por essa insolência.


Israel, o grande estado da paz e sabedoria, deveria detetizar todo o mundo árabe. Ia ser mais barato e não causaria o contrangimento de ter criancinhas com os corpos mutilados aparendo nos jornais.

Afinal, no mundo civilizado não é de bom tom ver isso na hora das refeições.

28 julho 2006

Repulsa

A repulsa chegou ao limite.
Uma pesquisa de um jornal israelense aponta que 71% dos entrevistados querem força mais bruta contra o Líbano. Agora, não é apenas o governo de sanguinários arrivistas que vibra com a destruição do povo libanês, mas a população judaica também.

Os números do massacre são assustadores: para cada 12 pessoas do Líbano trucidadas, apenas um judeu é morto. São 600 libaneses – quase todos civis, entre eles sete brasileiros com dupla cidadania – contra 50 israelenses – apenas 18 civis. E não esqueça que quando esse comentário estiver sendo lido, o número de mortos terá se multiplicado.

Então é esse é povo que pede compaixão e regalias por ter sofrido nas mãos do nazismo? Não, não é e não merece. Quase todos que mereciam já morreram e, lamentavelmente, deixaram descendentes que negam o passado de quem sofreu para abraçar com fervor as práticas de quem dizimou.

A Al Qaeda promete entrar na rusga.
Quem realmente pode condenar terroristas lutando contra terroristas?

E os palestinos, é óbvio, continuam virando cadáveres.

26 julho 2006

Ingenuatecnologicidade

MSN, skype, orkut.
MP3, palm top, pen drive.
DVD, celular, GPS.

A tecnologia corre acelerada mudando a vida das gentes. Mas, e se as gentes não querem mudar de vida?

Confesso um pouco perplexo que me espanta a ingenuidade que permeia algumas relações virtuais. A tecnologia de ponta, sozinha, não tem capacidade de mudar a visão de mundo das pessoas. O aldeão que não quer sai da sua vila usa o celular pra falar com o vizinho, não com o mundo.

Sendo patifamente cínico, me irrito ao abrir minha caixa de mensagens do orkut e encontrar duas mensagens iguais, com os mesmos erros e o mesmo tom apocalíptico. Ei-las aqui, ipsis literis:

Pelo fato de haverem muitos profiles nÃo ativos e pelo grande número de fakes existentes, o orkut esta limpando seu cadastro. Todas as pessoas que não repassarem essa mensagem em 48 horas terão seu profile deletado e só poderão se Recadastrar após um mês ou em tempo indeterminado.Já FOI CONFIRMADO E O GOOGLE JÁ ESTÁ AGINDO!!!Para nÃo ter seu orkut deletado, passe essa mensagem para todas as pessoas da sua lista de amigos aqui mesmo do orkut (inclusive a mim).Uma hora depois, aperte F5 ou o botão Atualizar. O orkut imediatamente recadastrará seu profile e você já estara na nova lista de cadastros do orkut! O.B.S>>> Isso é verdade viu...por coincidencia qdo eu recebi esse e-mail de um amigo eu tinha a
revista veja do dia 10/06 e fui vê-la com mais atenção e realmente constava essa matéria...faça sua parte...repasse esse aviso à todos os seus amigos da sua lista aqui do orkut (inclusive a mim)Depois de passar a todos da sua lista lembre-se de apertar F5 ou ATUALIZAR apos uma hora o envio da mensagem ok. Pode ser ou não ser verdade mas não quer perder contato com meus amigos...
Essa mensagem é uma variação de tantas outras que já recebi. Assusta é saber que daqui a cinco anos eu possa encontrá-la igualzinha entre meus mails, apenas adaptada para um novo momento.

Tecnologia e ingenuidade não são excludentes.
Eu sou.

23 julho 2006

A lei

Vendo o caso Varig, com o transtorno de milhares de passageiros que tiveram perdas pelos atrasos e cancelamentos, os funcionários demitidos e os credores sem saber se vão receber, agora o preço da passagem área dispara. A explicação é sempre a mesma: gente demais querendo viajar e lotação de 80% na capacidade dos aviões geram inflação – se por milagre tiver algum economista que entre nesse blog e possa racionalmente explicar isso, por favor, apresente-se.

O duro é saber que a nossa economia vai continuar premiando as negociatas, a falta de comprometimento com os clientes e a falta de respeito às cláusulas que regulam os contratos.

Comprei um computador top de linha no início de junho. Paguei à vista, em dinheiro, uma continha bem salgada. Depois, passei um mês tentando garantir que o prometido fosse cumprido. Um desgaste estúpido e insano pra ter o que já era meu. Esses dias, passei em frente à loja – que fica dentro do shopping Iguatemi – e descubro que o estabelecimento fechou, quebrou, não existe mais, kaput. Lá vou eu começar a romaria pra descobrir quem vai honrar a garantia de um ano.

Outro caso: minha mãe está internada há quatro dias no Moinhos de Vento, o principal hospital particular de Porto Alegre. Já esteve lá um sem número de vezes e sempre foi atendida com excelência. Agora, assisto assustado a um ex-grande hospital pedir que os pacientes levem os remédios de casa sob a alegação de não poder pagar por isso - remédios estão incluídos na diária do plano de saúde. Mas não fica por aí: falta sabonete. Sim, sabonete. E o papel é daqueles que a gente carinhosamente chama de “lixa”. A comida? Buenas, prefiro não entrar nessa parte. Mas a conta no bolso continua alta. E com certeza, pra tentar suprir esses percalços, deve sofrer um novo aumento.

É a tal lei da oferta e da procura.
É a lei.

18 julho 2006

Rancor & morte

A religião judaica é um dos maiores casos de marketing que eu conheço. Da arrogância que a fez romper com o cristianismo – por não aceitar um deus mortal e plebeu – restou uma pecha de avaro e soberba que carrega por séculos.

Para os radicais arrivistas judeus, o abominável e insano massacre de milhões de pessoas que professavam a fé judaica na Segunda Guerra foi a desculpa pra transformarem o judaísmo em uma ‘etnia’, forjar um país e fazer fortunas. Em aliança com os novos donos do poder, tomaram na mão grande o território dos palestinos, matando e destruindo o que fosse necessário pra ter sucesso.

Fazem um tipo de terrorismo de Estado amparado por uma suposta lei; trucidam, mutilam e roubam terras, sonhos e vidas dos países do entorno. Aparam-se no senso comum de que ricos matam pra salvar o mundo, e pobres, porque são terroristas ignorantes e primitivos.

Agora, sem nenhum fundamento legal, invadiram o Líbano – como em 1982 – e estão massacrando sistematicamente crianças, pais e cidadãos, gente que acorda pela manhã apenas preocupada com as pequenas coisas que materializam o ato de viver. Pessoas que, assim como os fiéis judeus na segunda guerra, estão morrendo sem ter motivo, todas vítimas do ódio e preconceito de uma Religião-Estado que quer acertar as contas com a História por vias tortas, exterminando quem não tem defesa.

Ainda será preciso erguer quantos campos de concentração e acionar quantos tanques e mísseis pra despertar a consciência da arrogância, do avaro e da soberba que promovem genocídios, agora, em nome do “povo escolhido”?

A História parece não ter ensinado nada para os líderes da religião judaica: nenhuma ação de marketing se sustenta sem mudança. E se milhões de mortes dos próprios fiéis não foram capazes de fazer diferença, não acredito que a chacina de “outros” fará. Rancor e morte passaram a ser valores de Estado.

Será que o povo escolhido já percebeu isso?



- a Thelma já comentou isso no blog dela. passa lá -

14 julho 2006

Preguicite aguda

O vento forte da noite trouxe a chuva fina da manhã.
Depois dos 31° em pleno inverno – nada que já não faça parte do clima gaúcho – a temperatura fez uma bela lipo e estamos em 16°. Acabo de perceber nos joelhos que não dá mais pra ficar de calção e camiseta. Isso se a preguiça me deixar sair da cadeira pra trocar de roupa.

Preguiça.
Devia haver uma vacina contra ela. Age como a gripe: depois que contamina, tem um período de incubação e desenvolvimento pra só então começar o processo de recuperação. Fui infectado, não tenho dúvida. Têm pilhas de coisas me chamando, compromissos futuros que devem ser amarrados agora, mas está tudo em banho-maria.

Tenho certeza que a culpa é do calor que me entorpece os sentidos durante o dia. Ou da languidez da lua cheia, que me espia com aquele olho amarelo. Ou será medo do PCC&Marcola desembarcarem no sul? Ou do Alckmin virar presidente? Ou descobrir que o segredo do Zidane está ligado à Opus Dai?

Minha avó nazista dizia que vagabundagem tem nome.
Calo-me.

11 julho 2006

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

05 julho 2006

Morada do diabo

Ainda me impressiona a resistência ao uso das novas tecnologias. Volta e meia encontro amigos que me repreendem por eu gastar tempo no orkut ou no blog. Eles não entendem qual o objetivo que há nessa interação e ressaltam sempre o sentido de perda.

Não vou entrar no mérito acadêmico das pesquisas feitas na área, e são muitas, mas de forma banal e prática eu resumiria o que busco: ócio criativo.

Domenico di Masi, o sociólogo italiano que cunhou essa expressão, postula que o ócio é vital para o desenvolvimento do homem. Afastar-se do trabalho e dedicar mais tempo ao “nada” é tão ou mais importante quanto ralar o dia todo. O problema é que, pela nossa cultura, só depois de 20 horas diárias de labuta pesada alguém pode ser considerado produtivo. Quem trabalha 18 é preguiçoso, e 12, vagabundo. Tremendo vagabundo.

O ócio é tratado como um pecado que deve ser banido da face da terra. Não leva a nada, não produz, não acrescenta. Como diz o pouco repressor ditado, “cabeça vazia é morada do diabo”.

Pois que o diabo se instale na minha cabeça e vire tudo de patas pro ar. Passar horas no orkut, interagir, descobrir pessoas interessantes do outro lado do mundo ou na rua atrás da minha, conhecer novas culturas através de quem chega ao blog são prazeres que não abro mão. E também falar besteira, muita besteira.

Já ouvi que isso é um comportamento de criança, que fica ensimesmada em um universo onírico. Que seja. Faço aquilo que me deixa feliz e tenho a sorte de achar quem pensa igual.

Ainda não consegui estipular um preço possível de ser pago pra eu me sujeitar a uma visão de mundo limitadora e estreita, mas meu ócio vale milhões - de euros, é claro. Porque se é pra sonhar, que seja grande.

01 julho 2006

Vaya con dios!

Que ninguém chore a patética e acovardada derrota.
Estamos livres de ouvir a sabedoria de latrina do Galvão Bueno.