28 agosto 2006

Oito things sobre me

Lá vou eu me unir a essa instigante e criativa corrente, da qual sou apenas um pequenino e frágil elo. A Marcia cutucou e eu respondo.
Oito coisas about me:
  1. irônico incorrigível
  2. chocólotra intratável
  3. explosivo como cabeça de fósforo
  4. organizado feito garagem de família grande
  5. persistente suicida
  6. detalhista com lupa
  7. glutão curioso
  8. rei do duplo sentido
Pra manter a corrente unidinha e fofinha, passo a bola pra Aline, Cássia, Fabiana, Lilaise, Mariana e Mônica.
E se alguém quebrar a corrente, ou disser que já participou de outra, já sabe: Tutancamon - com a mãozinha áspera de múmia milenar - vai pegar no pé pela eternidade. Fora os mil e 200 gatinhos dele brincando na sua cozinha todo dia.

26 agosto 2006

Lambança capilosa
Tive a sorte de nascer numa família em que a calvície não é uma predisposição genética. Minha cabeça é cheia de nódulos, entradas e ângulos retos, algo que não faria de mim uma figura muito aprazível de coco pelado.

Por outro lado, já tinha ouvido falar da tal maldição dos pelos furiosos, que atacam os homens depois dos trinta. Eles nascem rebeldes, xiitas, dispostos a ocupar todos os espaços, mesmo aqueles a que não têm direito.

A briga com os meus tem sido árdua, mas ainda tô conseguindo levar a melhor. Meu medo é que um dia a pilosidade me vença. E em vez de Xôn, eu seja chamado de Lembo.

24 agosto 2006

ocus poccus broxantocus

Não tem mágica nessas horas.
Ou vai, ou racha.
Daniel Radcliffe, o eterno Harry Potter, repetiu 30 vezes a cena de um beijo nas filmagens do novo filme da série.
“Eu tava nervoso”, disse ele.
Então tá.

Gilda & Jerry

A censura inglesa decidiu podar cenas do desenho Tom & Jerry em que eles aparecem fumando. Como os pais não querem perder tempo educando os filhos e explicando como a vida se configura, é mais fácil mutilar um clássico cartoon infantil. E adeus arte, cultura e momento histórico. Fico imaginando quando vão proibir os filmes noir da década de 40. Ou cortar as seqüências em que Rita Hayworth fuma em Gilda. A velha moralidade politicamente correta é algo de difícil compreensão pra um ser levemente tosco como eu.

Adiós

O frio gostoso que tinha perdurado por mais de três dias subitamente se foi.
O sol forte já come o couro de quem está na rua, e os casacos que dormiram na cadeira agora voltam pro armário novamente.
Lá vamos nós pular dos 6° para os 32° outra vez.
Depois ninguém entende porque os gaúchos são meio esquisitos.

20 agosto 2006


Dia Perfeito

Estrada para Nova Palma Foto: Sean Hagen

Um frio muito intenso, um sol muito brilhante.

18 agosto 2006

Decepção em azul

Descobri que não tenho sangue azul.
Por toda vida ouvi que meu tataravô havia perdido o título de von Hagen porque caiu na gandaia e veio parar no Brasil.
Mas que, nas veias, carregava a nobreza.
Vivi uma vida de ilusões.
Desfeita pela visão de uma agulha rombuda cravada no meu braço e de um tubo de 10 ml que não parava de se encher com um líquido vermelho.
O mundo já foi um lugar melhor pra se viver.

17 agosto 2006

Dia vermelho

Escarlate
Ganhar por empate é como jogar xadrez com uma galinha.
Mas tudo bem, o ego destroçado dos colorados precisava de um acalanto, seja lá qual fosse.
Mas o gostinho de vitória plena, aquele em que se vence todos os desafios pela garra e brio próprio, isso eles não têm.
Ganhar nas estatísticas não é muito honroso, não.

Solferino
O vulcão Mayon, nas Filipinas, continua dando um espetáculo.
Daria tudo pra ver isso de perto.

Encarnado
Faço hoje, pela primeira vez na vida, exame de sangue.
Se não voltar, meu adeus compungido.
A vida foi boa enquanto durou.

14 agosto 2006

Fotonovela do amor rubro

"Tô com a nossa camisa, Fifi"


"Oh, Tchaves, agora que te reencontrei não vou deixar você fugir outra vez"


"Dá-me juras de fidelidade, Tchaves"


"Ai, Fifi, quantas noites sonhei com esse momento"


Moral da história: "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás"



* Achei a foto do Fidel e do Chaves com o pau nas mãos no blog
Uma dama não comenta.

11 agosto 2006

Há uma luz que nunca se apaga

Anoiteceu no meio do dia.
A chuva ergue uma muralha compacta lá fora.
A voz do Morrisey não pára de lembrar que there is light than never goes out.
E eu fico com saudades do que nunca aconteceu.

Zóios de Lula

Quem estava mais nervoso, o Lula ou o Bonner?
Um estava com os olhos esbugalhados, pronto pra morder.
O outro, amedontrado, parecia que ia desmaiar.
E a Fatinha ali no meio, louca pra dar pitaco em tudo, mas tentado se controlar.
Eu disse tentando, porque parecia que ela tava ligada a um fio desencapado.

Pra ter a entrevista do Lula a qualquer custo no Jornal Nacional, a Globo fez uma deferência que outros candidatos não ganharam: tirou os apresentadores do estúdio e foi até o Palácio do Planalto. Obviamente que Lula assumiu o papel de candidato e de presidente ao mesmo tempo, algo que a postura de Bonner e Bernardes ratificou.

Sou favorável à reeleição, desde que haja algum tipo de descompatilidade com o cargo. FHC já tinha usado toda a máquina pra se reeleger. E a entrevista de ontem mostra que é difícil esquecer quem é o presidente e quem é o candidato.

Só lembrando: eu voto no Lula e no PT.

09 agosto 2006

Adeus, inocência

A cópia: Brandon Routh

A perda da inocência já gerou no cinema clássicos irretocáveis como Os Incompreendidos, de Truffaut – com sua desconcertante imagem final – e obras pop de culto como Conta Comigo, embalada pela força da música Stand by me.

Só agora vi Superman, o Retorno, que chegou já há algum tempo aos cinemas. Brian Singer, um competente diretor de comédias ácidas regadas a muita ação e efeitos especiais, usa a figura do ser sobre-humano pra falar justamente disso: inocência. Trata o herói como uma figura anacrônica – com a ridícula malha azul, a sunga e a capa vermelhas – em meio ao mundo da alta tecnologia de hoje. Superman volta à Terra depois de viajar por seis anos em busca de suas raízes e do que restou de Kripton. Desconectado da mulher que ama – Lois Lane –, da mãe, do trabalho como jornalista, só aos poucos junta as peças que compuseram sua ausência. E o que vemos na tela não é um tratado sobre a inocência, mas sobre o constrangimento.

Brandon Routh tem o talento interpretativo do Reinaldo Gianechinni. O problema de usar modelos em filmes é que eles têm que falar. E se mexer. E o pobre garoto, que aparece sempre com o rosto coberto por uma pesada maquiagem – acne? – não consegue nem fazer isso.

O original: Cristopher Reeves

Singer constrói o filme em cima de detalhes, de cacoetes. Mas como diz o velho ditado, é nos detalhes que mora o diabo. Então, vamos dar passagem ao cramulhão.

• A maturidade de Superman acontece de fora pra dentro e nada indica que ele cresceu como pessoa. Isso só acontece na capa, em que o vermelho vivo ganha gradativamente um tom amarronzado durante o filme. Como uma maçã que apodrece lentamente.

• A super mecha de cabelo que o diferencia de Clark Kent é um personagem à parte. Haja o que houver ela não se desfaz, mesmo embaixo d’água. Mas ganha versão desgranhada, versão rabinho-de-porco e versão cool. Minha velha mãe diria que é um belo pega-rapaz.

• O garboso herói é bombado, usa maquiagem, arruma o cabelo impecavelmente e é sensível feito o Bambi. E desfila com umas plataformas de fazer inveja a qualquer drag queen.

• Superman morre e renasce a cada seqüência. Singer simplesmente destruiu Joseph Campbell e a idéia do herói como o mito do eterno retorno. Com a apoteose guardada para o final, o Bombado de Colant assume a postura de um Jesus Cristo superstar. Vixe! Mas até a homenagem que Singer tenta fazer à pintura de Salvador Dalí é troncha.

Maldito Google que não retornou uma imagem dele crucificado; mas essa já dá uma idéia


Cristo de San Juan de la Cruz, 1951 - Salvador Dalí

• E já que estamos no campo dos mitos, vamos pras fábulas. Muita atenção, por favor, ao momento Branca de Neve: a vida está contida em um beijo. Dois na verdade. Como a inocência é linda, minha gente!

• Lois Lane é jornalista, logo, cínica e desconfiada. Mas no primeiro encontro com o bombado herói, ela solta a melhor pérola do filme. Abraçadinha a ele, ascendendo aos céus, dispara, de forma compenetrada: “Tinha esquecido o quanto você era quentinho”. Huáhuáhuáhuáhuáhuáhuá, quem pode deixar de rir histericamente ao ouvir isso? Imagina se fosse um filme pornô. Só faltou ela revirar os olhinhos.

• É dela a segunda melhor frase, dita com o filho no colo, para Lex Luthor: “Deixe o menino em um lugar seguro e faça o que quiser comigo”. Além de cínica, ninfomaníaca. Pena que ninguém avisou a atriz Kate Bosworth pra não tentar ser dramática.

• Se Superman responde pela alcunha de “homem de aço”, o que se pode dizer de Lois Lane? Ela cai, apanha, despenca, rola e beija paredes sem nem despentear o cabelo. A Gessy Lever perdeu a chance de fazer um puta mershandising.

• O Lex Luthor do maneirista Kevin Space é pífio. A única preocupação que tem é mudar de peruca e ouvir óperas – as que retratam fortes mulheres, como Lakmé e Carmen. Freud explica?

• Pobre Marlon Brando. Recauchutaram algumas imagens dele do ainda competente e agradável Superman interpretado por Cristopher Reeves - de quem Brandon Routh é um clone juvenil -, dirigido pelo Richard Donner em 1978. Justamente na parte em que ele diz “o filho se torna o pai e o pai se torna o filho”. Putz, usaram o defunto pra dar credibilidade a um filme incredível. O coitado deve estar se retorcendo no túmulo. Ainda mais que era um tremendo mão de vaca e não ganhou um tostão pra aparecer na tela.

• E tem o filho de Lois, um pequeno e frágil Bambi perdido na floresta, que precisa desesperadamente descobrir o próprio caminho e a força interior. Mas isso fica para a continuação. Afinal, o horror sempre vem aos pares. E usa malha justinha.

08 agosto 2006

Dia de sol

Esta é a São Paulo de Marcola & PCC. Mas poderia ser o Líbano massacrado por Israel


O PCC volta a bombardear São Paulo.
Israel volta a bombardear o Líbano.
O PCC mostra que a força está em quem tem poder de aterrorizar, e não em um Estado sem força política e moral pra combater o crime.
Israel mostra que a força está em aterrorizar, dizimar, saquear e subjugar, desde que se tenha o apoio dos poderosos.
A vida vira um caos pros paulistanos.
A morte leva ao caos os libaneses.
Faz sol e calor em Porto Alegre.
O mundo continua um lugar lindo.


Este é o Líbano massacrado por Israel. Logo, logo poderá ser a São Paulo de Marcola & PCC

03 agosto 2006

Abraçado com o desastre, rezando pelo futuro

Criticar – com embasamento – sempre é mais fácil do que fazer, não tenho dúvida. Mas assim como não posso aceitar que Israel, depois de sofrer todos os horrores nas mãos dos nazistas faça o mesmo com os árabes, não acredito que o presidente Lula se arvore o direito de pedir uma constituinte, como foi anunciado ontem.

Explico: a necessidade de uma revisão é urgente e oportuna. Nossa constituição ainda tem buracos negros gigantescos, discriminações, facilidades para a mesma elite de sempre. Lamentavelmente, ainda não é definitiva, precisa ser melhorada.

Mas onde está a articulação política desse governo? Tarso Genro, depois de mostrar caráter pra lá de duvidoso na campanha estadual de 2002 e na reforma ministerial de 2005, mostra-se um desastroso coordenador político. Não foi ao Congresso costurar essa proposta. Não foi à sociedade. Não procurou ninguém. Basta-se a si mesmo.

A oposição e juristas cairam de pau acusando o governo de ditatorial – e com justa razão. Para um partido que ajudou a derrubar a ditadura e tem com bandeira o coletivo no poder decisório, essa é uma proposta, no mínimo, esdrúxula.

Tarso Genro tem se mostrado um político perigoso. E Lula, um governante que não tem mais como desculpar os erros que vem cometendo, seja dele ou de assessores – o que dá no mesmo.

Não tenho dúvida de que existem avanços em muitas áreas nesses quatro anos, algo que FHC e toda a sua pataquada neoliberal psdbística não quis/conseguiu fazer em oito. Mas cada dia fica mais difícil votar no PT. A articulação política é um desastre, e uma vergonha inominável a titubeante vontade de cortar a banda podre pela raiz. Mesmo assim, não vejo saída nos outros partidos e suas mirabolantes propostas: vou morrer abraçado ao desastre, rezando por melhores articulações.

02 agosto 2006

Orkutanças

E o orkut mexeu no layout de novo.
Mudou a letra – mais reta, sem serifa -, deus mais espaço entre os comandos, tirou alguns botões.
Tá um pouquinho menos rápido acessar as próprias informações: não tem mais a página Home, só Perfil e Início. Os nomes e fotos não tão mais centralizados, mas na parte superior do post, e precisa digitar senha de segurança pra postar link, como me alertou a Cida.
Mas pra visitar os outros continua tudo igual.
Pra mim, ainda é o melhor brinquedo pra fazer uma social descompromissada com os amigos.
Até quando, não sei, mas tá funcionado por enquanto.

01 agosto 2006

Márquetim



Alguém tem que dizer pra Heloísa Helena que usar sempre a mesma blusa de velha – branca com gola de rendinha – , e jeans, não pega bem. Ela não é Einstein, que pra evitar perder tempo escolhendo roupa, tinha jogos iguais de terno, camisa e sapato no armário.



E o Cristovam Buarque está precisando de um descarrego forte. Ele fala como o Brizola, anda como o Brizola e usa as idéias do Brizola.
Fora, Exu!