06 setembro 2006

Risíveis horrores

Aceitar o universo de M. Night Shyamalan, em a Dama na Água (Lady in the water, 2006), requer um tremendo esforço de inocência, paciência e esperança. Não a esperança que o filme insiste em dizer que há para a humanidade – e aí a grandiloqüência pretensiosa desse falso pequeno filme já erra feio –, mas a esperança de que o espetáculo cinematográfico se instale e propicie a boa e velha magia cinematográfica.

A ação ocorre em um condomínio cheio de chicanos, asiáticos, freaks, caretas, jovens e velhos que vivem em desarmonia – metáfora do mundo ou dos Estados Unidos? Um único e solitário homem, casualmente o zelador, é quem une esses errantes, tentando manter a paz e a ordem no caos instaurado. Mas uma ninfa, surgida das águas azuis da piscina, vai mudar a vida de todos de forma mágica e harmoniosa. O mundo será salvo, a inocência preservada e o amor renovado. Em tese, porque só o que temos é o tédio e o repisar de lugares comuns.

Shyamalan é mais um dos cineastas pós-modernos que insistem e fazer colagens. A história é a mesma de O Milagre Veio do Espaço, produção de 1987 do Spillberg. A ninfa, sempre com cara de assustada feita pela Bryce Dallas Howard, é um clone da Júlia Roberts em O Segredo de Mary Railly (Frears, 1996), de sobrancelhas peladas e eterno ar de medo. O ataque do lobisomen-de-grama foi chupado de uma seqüência do Drácula, do Coppola (1992).


Que direção de arte tem coragem de copiar o pior visual da Julia Roberts?

Roberts, Malcovich e a franja que afundou o filme do sempre ótimo Stephen Frears

Mas se o roteiro é ruim, Paul Giamatti – o zelador – é péssimo, sempre com cara de cachorrinho sem dono, fazendo esgares sem fim. Encarna o gago mais risível do cinema, com uma voz chata e monótona, impossibilitando o registro de qualquer emoção.

Giamatti: cara de pidão, voz de ganso e talento pra ser péssimo

Shymalan fez um estrondoso sucesso com o Sexto Sentido (1999), filme já cultuado como um expoente no gênero suspense/sobrenatural. Depois da estréia com o pé direito, foi um tropeço atrás de outro. Esse a Dama das Águas é constrangedor. No filme, a existência de um universo paralelo é tão natural quanto o ar. A idéia da criança que deve ser mantida viva dentro de nós – lembrem que isso é inédito – rende uma das seqüencias mais bizarras e constrangedoras do cinema: a verdade está entre as caixas de cereais e vidros de mostarda, só não vê o trouxa que não quer. Até Andy Warhol deve estar ser retorcendo na tumba entre as latas de sopa Campbell. É uma visão da cultura pop-pós-moderna-descolada levada ao extremo vazio.

Cada vez mais eu tento entender que cinema é diversão antes de ser arte. E diversão não precisa de grandes arroubos intelectuais ou excessiva coerência da história. Mas um diretor/roteirista que cria o personagem de um crítico de cinema só pra se vingar das péssimas avaliações que vem recebendo, merece ser esquecido no próximo filme. Terapia se faz no consultório, não às minhas custas.

Quer saber mais? Passa no blog da Marcia Piu que tem outra abordagem lá.

4 comentários:

marcia disse...

andy warhol, é? tu vê.
piu piu piu.

Zeca La-Rocca disse...

Xôn, sinta-se a vontade... uma honra ser listado por ti!
vc já está no meu, ok!?
ah, mas troca o nome, pode ser?
abço

Mariana disse...

Sean! O tempo tá passando... ;.)

Mariana disse...

Ó que eu achei:
http://www.seanhagen.blogspot.com/
Tu jogou fora o blog véio, foi?
Ó: cadê minha lista, cadê, cadê, cadê? Humpf.