12 novembro 2006

A cozinha do diabo

Tenho que confessar: ao mesmo tempo em que abomino novelas, eu me amarro em reality shows. Não todos. Alguns são muito ruins, e o máximo que faço é dar uma espiada. Gosto particularmente dos ingleses, que são inteligentes e bem produzidos.

Agora descobri um - mesmo sendo norte-americano - que aborda o universo da boa mesa, outra das minhas paixões, o que deixou tudo mais interessante: Hell’s Kitchen é estrelado por Gordon Ramsey, um chefe de cozinha tão talentoso quanto mau humorado.

A proposta é simples. Doze candidatos, alguns com larga experiência culinária, outros sem nenhuma, brigam pra ver quem ganha um restaurante no final. Para isso, vão provar que sabem cozinhar, servir, administrar, criar estratégias e, sobretudo, agüentar a extrema grosseria e mau humor com que são tratados por Ramsey e os assistentes dele.

É aí que entra a novidade: o chefe é um general nazista que trata a cozinha como um campo de concentração. Não aceita erros nem insubordinação. Já cuspiu em pratos que não gostou, esfregou comida em quem o desobedeceu e jogou toda a refeição no chão pra mostrar descontentamento. Fora a quantidade de ‘bips’ que apagam os palavrões que profere a cada fala. De sofisticado só tem as receitas que prepara, derrubando um mito muito comum nesse campo de atuação.

Para o grupo dos sensíveis que se horroriza com esse comportamento, o programa traz uma sacada interessante: Ramsey trata os clientes que freqüentam o Hell’s Kitchen com a mesma ferocidade e brutalidade com que trata os competidores. É óbvio que uma série produzida nos EUA só pode conter essas cenas porque são “armadas”. Um ‘segredo’ que, provavelmente, seja revelado no final. Mas o nervosismo dos participantes é tão grande, que pra eles aquilo soa como verdadeiro, conferindo mais poder ao chefe.

Quem conhece um pouco do mundo da gastronomia sabe que a cozinha é o próprio inferno, onde as pressões e cobranças são absurdas. Levará o prêmio aquele que tiver força pra superar tudo isso. E ver como as pessoas se desestabilizam com um grito ou um elogio, é entender porque alguns restaurantes oscilam tanto entre a boa e a má comida, dependendo do dia em que você chega. Para Ramsey, ser carrasco no treinamento é evitar que isso aconteça. Preocupação rara de se imaginar por aqui. Pelo menos nos pé-sujos que eu freqüento.


Hell's Kitchen passa toda quinta, às 22h30, no GNT.

10 comentários:

Graziana disse...

que interessante, num destes até me inscreveria, imagina ganhar um restaurante!
:)
bom, mas fora de brincadeira, esta coisa de depender do dia tem muito a ver né, pelo menos pra mim, eu preciso estar inspirada, com vontade mesmo de fazer um prato... depende muito do meu humor também, para que fique bom...
por isso gosto de cozinhar em datas especiais e pra pessoas especiais, é assim nos aniversários do tio (eugenio) por exemplo ;)
cozinhar é inspiração e transpiração, claro!

marcia disse...

o mundo é dos fortes, dos que ousam criar e dos que resistem.
para os que se lamentam e gostam de jogar a culpa nos outros, na sociedade, na infância, nos deuses e nos astros, está reservado o lado de fora.

pintinha cruel, essa. :o

Maitê disse...

Então, Sean. Eu tinha um blog no blogspot, mas antigamente todos meus blogs eram no wordpress. Dai que eu sou uma enjoada e não consigo mexer direito no blogspot. Acho chato e até eles resolverem transformar meu blog em beta e criar categorias (ou labels) ia demorar, dai mudei pro blogsome, q é wordpress. Então estava lá quietinha, tinha configurado mal e por camente um template, quando surgiu a promoção da Alê, que vai dar como prêmio um blog, com wordpress, endereço, tudo. Ela é dona de um servidor. Dai tô participando. Primeiro eu tinha que ser indicada pelo maior número possível de pessoas. Dai eu consegui. Dai ela deu um blog pra cada uma, com um template padrão e agora a gente precisa mostrar que "merece" o blog. Dai ela está dando tarefas. A dessa semana é gerar tráfego. Dai tenho que receber visitas e tive que colocar feeds, e um monte de coisinhas. É isso. A intenção dela é que a gente possa pesquisar e aprender e com isso ganhar o template.

Nunca consegui ver esse programa q vc falou, mas li em algum lugar sobre isso. Eles comentavam vários programas. Diziam q esse era até interessante,mas o outro, o Jamie era um chato e uma outra mulher, q eu não conheço era uma porquinha...abs

Maitê disse...

é, é algo meio cruel, com certeza. Assim como diz o comentário da professora Marcia. Mas a gente tme que tentar, hehe

ABs

Um taquin de pan disse...

Gordon e ingles. Ele fez uma serie de Hell's kitchen aqui e depois foi fazer nos EUA.
Cozinha que e uma maravilha, pois ja comi no restaurante dele. Carissimo por sinal, e geralmente, vc tem que reservar a mesa no minimo duas semanas com antecedencia, pois vive lotado.
Ele e um grosso e mal educado, e vi no restaurante dele que muita coisa ali, pelo menos eu achei, nao era armacao.
Tenho um abuso dele enorme, mas ate que acho o danado 'divertido'.

Mariana disse...

Preciso urgente assinar tv a cabo.

Sean Hagen disse...

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GRAZI
isso pra quem pode ficar só com a inspiração. o cara que pretende ser profissional não pode ter um 'dia ruim'.
por isso levam laço no programa, pra nunca perder a mão, mesmo sobre fogo cruzado.


MARCIA
cruel essa pintinha, mas combina muiito bem com polenta.

MAITE
a 'porquinha' é a NIgela Lawson. cozinha mal, mas tem muito carisma.
e é porca mesmo.

MÔNICA
tu é muito da chique, ô nordestina arretada. sai do meio das mundiça pra comer no restaurante do Gordon.
realeza britânica junto com a realeza de Garanhuns dá nisso.


MARIANA
relação custo benefício é tão baixa.
mas sem canais fechados, o que resta na tv?


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marcia disse...

ops.

Anônimo disse...

Meu querido amigo ignorante em culinária, o "idiot" gordon é da Escócia

Sean Hagen disse...

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meu querido amigo anônimo covarde e ignorante da língua portuguesa: releia o texto e tente compreendê-lo. em nenhum momento eu falo que ramsey é inglês.

na pressa de parecer engraçadinho - coisa mais politicamente incorreta, wow! - vc pisou na bola.

e ficou com cara de idiota.

- i'm sorry. talvez se eu tivesse escrito em inglês, você tivesse compreendido. of course, nenen -



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