06 dezembro 2006

Bate, Sean Connery, bate!






















A blogsfera como representação da sociedade é uma premissa óbvia, não preciso nem explicar. Tem o que há de melhor e de pior. A diferença é que, em grande parte das vezes, só é preciso deletar os blogs que você não gosta pra esquecê-los. Na vida real é mais difícil, os chatos assombram em carne e osso e grudam em você – apesar de já ter presenciado casos em que os neuróticos virtuais invadem até o blog de suas vítimas pra despejar ranço e mau humor, sempre com a desculpa de serem politicamente corretos, é claro.

Encontrar um blog em que as idiossincrasias da vida estão presentes, em que a capacidade de rir de si mesmo e dos outros é a tônica, está cada vez mais raro. Em compensação, o crescimento dos “certinhos castradores" é enorme. Quando o bom humor dá lugar à patrulha ideológica, em que tudo na vida deve ter um propósito específico, em que todos os sentidos são literais e não há espaço pra nuances, a histeria se institucionaliza.

Já tive que usar bombinha pra poder respirar em ambientes assim, e olha que não sou asmático. Acabo de ver meu xará Sean Connery ser linchado porque teria dito, 20 anos atrás, que as mulheres ficam tão histéricas – novamente o conceito de histeria – que só um tapa conseguiria botá-las no lugar, às vezes. É claro que o post tirou isso de contexto e não temos o todo, só a parte. Sem falar que a entrevistadora assume a postura de juiza, com Connery sendo irônico com a agressividade da jornalista. Mas arrepiei os cabelos com as respostas das feministas raivosas, todas querendo a morte do eterno 007.

Sinceramente? No fundo, o que muitas dessas donas politicamente corretas querem é um homem que banque uma postura mais forte e tenha coragem de assumir isso, como Connery faz. Não falo aqui de violência ou abuso doméstico, algo totalmente condenável e cruel, bem longe disso. Mas dos velhos papéis sociais de macho e fêmea que se perderam na poeira do tempo. Muitos comentários enfatizavam “ainda bem que tenho um homem bonzinho” – ao que meu “sensor de ironia” disparou o alarme no mais alto som.

Chauvinista, eu? Digam o que quiserem, mas a estocada final está no mesmo blog, dois posts abaixo. Ao promover um concurso de “blogueiro mais sexy”, essas mesmas mulheres tratam os homens como carne de açougue. Fazem exatamente o que condenam: coisificam o homem, assim como o homem sempre foi acusado de coisificar a mulher. Isso é ruim? Não sei, é preciso entender os contextos e analisar os limites e conseqüências. Às vezes pode ser até bem divertido. O enjoado é ver essa moral de cuecas – calcinha, nesse caso – tomar conta do pedaço.

Por essa e por outras vejo que o bom e velho Nelson Rodrigues continua vivo como nunca. Mas Sean Connery corre sério risco de vida.

21 comentários:

vagem again disse...

eu trocaria todos os livros da beauvoir por um petelequinho só do 007 mais gostoso de todos os tempos. e pode ser assim mesmo, à beira dos 80. urru!

marcia disse...

só não bate no rosto, que eu preciso dele pra garantir o leitinho.

Maitê disse...

Ixi, eu sei de que blog vc tá falando. E eu não leio ele há muito tempo por causa dessas e outras... Abs

Maroto disse...

SEAN, me dá o endereço desse blog! Pre-ci-so ir lá encher o saco! Se tem uma coisa que toda mulher precisa mesmo, na minha doce opinião, não é tabefe de cuecudo, mas de uma outra mulher a quem azucrinar durante a TPM :P

Saindo das praticidades para a teoria, eu conheci muitos homens machistas na minha vida (mais no RS que em SP, com certeza), mas conheci uma quantidade muitas vezes maior de mulheres machistas. Todas muito mais radicais que o mais tacanho exemplo do sexo masculino. Na minha opinião, o machismo continua vivo e cada vez mais forte, mas não por causa dos homens, que muitas vezes até topariam abrir mão de certos princípios e privilégios, mas por culpa de uma mulherada cínica e sacana ao extremo.

Ana disse...

Odeio admitir, mas concordo com cada palavra!

Xô, "bonzinhos"!

Um taquin de pan disse...

Eu odeio homem bonzinho... ficam la fazendo tudo que a gente quer e e um saco! No comeco e ate legal, mas depois que a gente limpa os pes nele quando chega em casa... sei nao!
Viva os mauzinhos!

Graziana disse...

li o tal post , mas não abri os comentários, vou ter que ver...
achei meio fora de lugar aquele texto mesmo...

Lila disse...

Ai, Sean Connery. Ai, kilts. Ai, tapas. AI MEU DEUS DO CÉU.

Saldözo Jece Valadão.

Mosca disse...

Certamente os tempos atuais e esses novos conceitos e posturas em relação ao papel do homem e da mulher, e principalmente aos papéis deles como pais, é a principal causa do caos em que nos encontramos.. esse mundo fora dos trilhos.. Também não quero parecer Chauvinista, mas é fato que o respeito entre as pessoas e a boa educação era muito mais valorizada nos tempos dos nossos avós.. muitos até achariam ignorância da minha parte, mas a psicologia moderna e essa mania de ser e se expor como politicamente correto, não tem trazido resultados positivos concretos para a sociedade.. crimes há tempos não são obras exclusivas dos delinqüentes estilizados, excluídos da sociedade, pobres favelados, mas dos que tem tudo o que quiseram, inclusive boa educação, dessas genéricas que se “usam” hoje em dia..
É... cabe a cada um de nós analisar.. analisar e analisar.. mesmo que alguns sejam incapazes de chegar a uma conclusão.. analisar já é um bom começo!

Muito bom o teu blog! Parabéns.

Maroto disse...

ei, vocÊ trocou o título e adicionou o Connery. Estragou tudo, caramba! volta ao formato reduzido - Bate, Sean, Bate - a galera já estava compondo a melodia!

TARCIO VIU ASSIM disse...

Simplifica pra mim: é pra bater ou não é? Se é pra bater, em quais circunstâncias?
-
E mulher é bicho complicado mesmo.Reli os comentários acima e desisti de entender.
-
Abraço. Devagar, pra não doer. ;-)

lila disse...

eu tou com a Suely.

Bate, Sean, bate!

lila disse...

ah, esqueci: era pra ser Bate, Sean, bate! GRRAU. ;)

Maroto disse...

taí, Sean, já tens pelo menos duas mulheres pedindo em público: Bate, Sean, bate!
:P

Lila disse...

Hahahahahahahahahahahaha

Campanha: BATE, SEAN, BATE! hahahhhahahahahhhahahahhahahhahaahaa

Eu não deveria estar rindo assim no trabalho...

Vini disse...

Bah! Sean de deus, como se faz pra ter tanto sucesso entre as mulheres? E ainda pedem pra bater? Uiaaaa! Dá uns conselhos?

Felipe disse...

Putz, Sean!
Nélson Rodrigues viu o futuro! E eu pensava que o cara falava dos anos 50! Visionário!
Acho que o prolema não é ser mauzinho ou bonzinho como se isso fosse algum tipo de gênero da moda que a gente tem que seguir pra ser bacana. O problema é que a cada dia está mais difícil a gente poder ser franco sem que num dado momento o mundo desabe em cima. Quanta raiva reprimida por aí afora! Será que uma psicanálise global ajudaria?

ederson disse...

isso me lembra quando eu trabalhava no jornal do comércio, em 2003; certas coisas aconteceram e uns textos foram publicados sobre a novela Mulheres Apaixonadas, onde Cristiane Torloni tinha aparecido sem blusa... mas não posso falar a respeito.

teu blog também me pede nome e endereço toda a vez, não é só o sapo que é mau. mas eu uso o firefox, daí eles ficam gravados, é só clicar.

Mary disse...

Muito interessante esse post e tbm a opiniao das pessoas!!Pra mim, homem tem que ser "forte" no sentido da coragem, da decisao, do tomar a frente das coisas!Deve ser "delicado" no tratamento com as pessoas, com as mulheres, com as crianças, com os amigos. Depois tudo é uma questao de bom senso! Nada de extremismos, isso nao leva a nada! Que tal um bom tempero? Afinal nem homens nem mulheres sao seres "perfeitos"...rsrs

Luís Galego disse...

Fazem exatamente o que condenam: coisificam o homem, assim como o homem sempre foi acusado de coisificar a mulher.

espantosa clarividência a de este texto...também já é tempo de dizer as coisas, tal como aqui são apresentadas. Bem Haja!!!

Robs disse...

Primeiro, na qualidade de pessoa venenosa, eu acho que você deveria liberar o nome do blog, porque intriga é bom e eu gosto! :P

Segundo, na qualidade de pessoa malandra, eu queimaria todas as feministas no fogo do inferno, porque o que eu queria mesmo era não ter que trabalhar e ficar em casa fazendo artesanato. Mas como eu sempre gostei de homem pobre e fazer a dondoca nunca foi uma opção pra mim, abraço o feminismo com restrições.

Porque eu gosto de homens que invertem papéis sem neuras mas também não abusam (se eu quissesse uma mulher, tinha me casado com uma) e também acho que, mulher que quer ter um "machão" pra proteger e cuidar, tá é procurando um pai (e nesse caso, eu ainda tenho um que faz bem esse trabalho até hoje).

Porém, na qualidade de pessoa minimamente consciente, eu juro pra você que realmente não quero "os velhos papéis sociais de macho e fêmea que se perderam na poeira do tempo", até porque eu nunca entendi esses papéis muito bem e nunca me encaixei neles (ou no pouco que restou deles). O que eu queria mesmo era que as pessoas fossem capazes de se sustentarem sobre a suas próprias pernas, sem relações de poder ou dependência, sendo só companheiras. E pra isso muita adaptação tem que ser feita, como a reformulação desses papéis, que não tem fórmula secreta, mas sim o que funciona pra cada um.