13 dezembro 2006

Natal ecológico

Minha mãe tem a filial de uma farmácia dentro de casa. É remédio pra tudo, dos mais sofisticados e caros, aos mais simples e caros. Muitos já perderam a validade, já que foram tomados esporadicamente por longos períodos. Há pouco fiz uma triagem e fiquei na dúvida: onde colocar tudo isso, quem recolhe?

Pedi a ela que perguntasse a um médico, e o bom doutor prontamente respondeu “jogue na privada”. Wow, como? Fui até uma farmácia pra tirar a dúvida com um especialista, que indicou a solução: “privada neles!”.

Mesmo na minha grande ignorância, eu sei que qualquer droga jogada na água contribui grandemente para a poluição, além de criar resistência do corpo aos agentes ativos dos medicamentos usados em vários tipos de enfermidades. Essa semana um relatório divulgou a impressionante quantidade de progesterona, hormônios e outras substâncias fármacas presentes na água que abastece a cidade de Campinas, em São Paulo. Uma realidade que pode ser comum a todos os rios e lagos brasileiros.

Agora descobri que uma rede de farmácias de manipulação de Porto Alegre – Pharma&Cia – recolhe as substâncias vencidas e dá o destino que elas merecem. Custa fazer isso? Acho que não. Coisas que estão ao meu alcance eu faço sem pestanejar. Procuro consumir produtos ecológicos e classifico cuidadosamente o lixo seco, principalmente os plásticos, os menos biodegradáveis. Até papel de bala é separado.

Mas confesso que têm horas que me dá vontade de chutar o balde e não separar porcaria nenhuma. Cada vez que eu saio na rua e vejo essas medonhas árvores de natal feitas com embalagens pet, tenho vontade de pegar um isqueiro e brincar de São João. E o pior é que as garrafas estão por toda a parte, até penduradas nas árvores como se fossem bolas natalinas.

Tenho a maior simpatia pela onda eco-verde. Mas agüentar os eco-chatos xiitas e cafonas é dose pra mamute. Esses mereciam ser obrigados a usar roupas feitas só com peles de animais em extinção e ter a casa mobiliada com madeiras nobres. Com todos os acessórios e utensílios domésticos feitos de garrafas pet recicladas.

24 comentários:

lila disse...

vegetariano radical é a raça que mais me enoja, dimples. e eles são hipócritas, porque metem essa de preservação e TUDO DIRIGINDO E POLUINDO GERAL.

ai, preguiça dos infernos de radicalismo, jovem xôn.

vagem again disse...

eu já testemunhei um discurso ecochato pronunciado por um ativista histérico (ah, as redundâncias...) que tinha na mão um... cigarrão aceso, pourra!

Vini disse...

sim, sim, tudo pelo fim do politicamente correto e esteticamente odioso! mas não falem mal das folhinhas verdes na hora do almoço, por favor...

luis galego disse...

Mas agüentar os eco-chatos xiitas e cafonas é dose pra mamute.

não há paciência, MESMO!!!

marcia disse...

mas estes remedinhos não vão virar aquele creminho para a cútis que a gente manda manipular, né? :P

TARCIO VIU ASSIM disse...

Tudo isso que aí está; acredito: a tendência é piorar.
-
Gostei da proposta do incendiário da ornamentação petecologicatosca de natal. Muito melhor, mais barato e mais útil que aqueles shows pirotecnicos de fim de ano.
-
Beijo na venta, professor.

Maroto disse...

pô, cigarro é feito de plantinhas, papel é feito de plantinhas e fogo é coisa da natureza. Não sei porque a implicância do vagem com o eco-chato fumante. Nem todo chato é não-fumante!

> [ eRRuD!tO ] ... disse...

Nessas decorações natalinas parece que houve uma enchente e todo lixo ficou ali.
Eu também odeio enfeite de garrafa pet.
Ah... não jogue remédio na privada, é muito ruim!!! E você acertou em cheio, essa é a situação de todos os rios, até aqui na colônia.

ederson disse...

ué, mas enquanto a garrafa tá ali na árvore, como arremedo de enfeite de Natal, não está poluindo o arroio Dilúvio, nem fazendo minhocas desviar seu caminho. o problema é o destino delas depois.
Outro problema é a coleta seletiva. mas sobre isso vou escrever no meu blog em outro momento, porque é um bom assunto, realmente.

Nanachara C. disse...

Ah! Eu não gosto nem um pouco de enfeites de Natal feitos com Pet. Pode-se utilizar esse material em tanta coisa, precisa fazer arranjo natalino?

Por isso prefiro os ‘chazinhos’ da mãe! Curam de tudo, e tem destino facinho.

Sean Hagen disse...

*


LILA
o único radical de quem gosto sou eu :p


MIMI
as pessoas são assim, imperfeitinhas, vc que é imperfeitona! larga do cigarrão do rapaz, pourra!


VINI
ok, rei do alface e da endívia. deixaremos vc livre dessa vez. desde que nos mande alguns barris de petróleo.

LUIS
eles são muitos em Portugal também?


MARCIA
piadinhas politicamente corretas serão banidas desse blog. esse é o primeiro aviso. no segundo, vc será jogada dentro do esgotão do arroio dilúvio pra sentir nas penas os efeitos benéficos dos remedinhos na água.


TARCIO
boa!
vamos fazer são joão de natal.
e parar de poluir o céu com enxofre e pólvora dos fogos.

SUELY
quer lagar do mardito?
vc nenm fuma mais, pra que essa defesa?
olha que vou chamar o chatinho aquele pra ficar de inhé inhé inhé no teu blog, furando teu ouvido.
te cuida!!!

REGES
isso mesmo, boa definição: as garrafinhas parecem empilhadas depois de um dilúvio.

EDERSON
e poluição visual não é pouluição, não?
meus olhos são sensíveis, não merecem todo esse lixo.
e deixa de ser fominha, rapá, libera a informação aqui. coisa feia guardar pra usar só no teu blog :p

NANACHARA
entra orgânico e sai orgânico?
coll.


*

Maroto disse...

é uma questão de princípios: eu implico com implicância

vagem again disse...

A vagem, suely, A vagem... e, bem, há controvérsia quanto ao resistente hífen entre o eco e o chato. eu nunca usei. e vocês?

Graziana disse...

Falta informação pra tudo sempre.
Assim como não sabemos o que fazer com os remédios, não sabemos o que fazer com as pilhas...

Também tenho vontade de desistir de separar os resíduos, mas acho que se cada um cuidar um pouco já é muito.Continuo separando...

Desculpa a opinião " politicamente correta" não sou xiita, nem eco-chata, eu acho, mas procuro contribuir com um pouco, talvez com muito pouco, para que a natureza continue viva.

E as garrafas pet são uma praga, melhor que colocar de enfeite de natal, elas podem ser reutilizadas de outras formas... Já vi camisetas feitas de pet, muito interessante.
Tem outras formas de reutilizar que não poluindo a cidade visualmente... mas tudo isso deve ser pensando dentro da política da cidade, a questão ambiental tem que estar no planejamento dos governantes. temos que pensar em desenvolvimento sustentável...

Acho que proteger a natureza não é só sair gritando por aí pra não matar os animais e etc... mas também, é só assim que os ativistas conseguem chamar atenção da sociedade, sair na mídia, enfim...

valeu a informação sobre os remédios, passarei a diante ;)

acabei me estendendo no comentário, talvez seja uma eco-chata e não saiba :P

lila disse...

Eu também, dimples. ;)

Robs disse...

Eu acho esse negócio de reciclar PET como artesanato uma coisa quase pré-histórica... tem tanta coisa mais útil que pode ser feita com a reutilização das garrafas, que chega a ser uma ignorância usá-las como decoração de Natal.

Zeca La-Rocca disse...

Aqui, a praça central está toda decorada com pet. Cafona? é... mas o trabalho social por trás de tudo é q é legal. E, qual enfeite de natal não é kitsch?
Tenho remédios vencidos, sem uso...
se eu mandar por sedex tu entrega na farmácia daí? aqui no faroeste não tem dessas coisas...

> [ eRRuD!tO ] ... disse...

seguindo...

eu acho que não adianta reutilizar para fazer esses "enfeites" porque depois se joga tudo fora de novo.

com pet e embalagem de leite dá para fazer até telha, o que é bem mais útil. imagino que tenha gente precisando de casa no brasil, não sei...

sempre lembrando que seria muito melhor não se ter tanta embalagem e que elas pudessem ser reutilizadas

eu falo demais... mas só queria dizer ainda que assim como remédio, não se pode jogar óleo de cozinha no ralo. um litro de óleo pode se misturar a até mil litros de água e isso encarece o tratamento e outras cositas más...

agora chega

Nanachara C. disse...

entao vamos fazer telhas de pet e tijolos de caixa de leite.
\)

Maroto disse...

onde é que se pode jogar o óleo? Eu colocaria cuidadosamente dentro das garrafas pet mas tenho medo que virem bolas de natal ainda mais elaboradas :(

marcia disse...

suely, quando for colocar o óleo cuidadosamente na garrafa pet, não esquece de adicionar um pouco de purpurina. e uns lacinhos vermelhos. fica mais binito. :P

Mary disse...

Ainda nao vi arvore de pet, porem vi algo sobre casas construídas sobre garrafas pet no norte do Brasil!Achei interessante!Vi tbm um trabalho feito por crianças de escolas de periferia por monitores da Votorantim ( qdo tive prestando serviços a eles) bem legal e o compromisso social e envolvimento dessas crianças é q tornou ainda mais especial aquelas "peças recicladas"...enfim se trouxer beneficio as pessoas carentes acho q é válido hehe!

Maitê disse...

Oi Xôn!

Sabe que minha sogra, mu Deus, tem duas caixas de madeira com tudo quanto é remédio dentro. Uma doideira. Não sei onde ela coloca quando desocupa... Abs

fernanda disse...

ai nem me fala, quase tive um ataque quando vi a praça da minha cidade todo de pet, parecia que tinha vindo uma enxurrada e quando a água baixou, lá estava o léééxo pendurado nas árvores. Tá, eu sei que o trabalho social é legal e tudo, mas bem que poderia rolar algo mais artesanal, criar objetos que identifiquem a comunidade, como na avenida Rio Grande - Cassino, tem uma árvore de Natal enorme, linda, e os enfeites são estrelas-do-mar, cavalos-marinhos, golfinhos, todos dourados, sobre o verde da árvore ficou lindo, simples e criativo. Ser ecológico não significa que tenha que transformar o mundo em PET, na verdade, odeio garrafa PET, nem Coca-cola de PET é bom, tem que ser de garrafa de vidro! Ah... sobre os remédios, lá no faroeste da minha cidade, quando o remédio vence, a gente doa pro posto de saúde, e não tem nada de mal nisso, porque até 6 meses depois da validade o remédio ainda está bom, isso faz parte de uma estratégia de retirada do produto, portanto, pra quem mora no faroeste, manda pro postinho!!