31 janeiro 2007

Santa Clara, renascei!

Tem coisa mais meiga do que essa mulher, diz aí?

Que ciúmes dos vila-velhenses!
Eles vão poder ver o charme, a graça e o luxo da bispa Sônia Hernandes e eu não. Explico: o governo federal concedeu um canal de TV pra igreja Renascer retransmitir o sinal da Fundação Evangélica Trindade, canal 53 em São Paulo.

Eu acho isso tremendamente injusto. Em um momento em que a Renascer é acusada de tantas falcatruas, de sonegação, de milhões de dólares vazando pro exterior, esse governinho concede apenas uma merreca dum canal em Vila Velha. Eu acho que é discriminação, juro pelos profetas da Renascer. Se esse governo fosse sério, teria cedido canais em todas as capitais brasileiras, com retransmissoras no interior. Como querem que a charmosa bispa Sônia e o ilibado apóstolo Estevan se defendam sem o apoio dos próprios meios de comunicação?

Corra para a luz, bispa, para a luz!

Sinceramente, eu tô muito desiludido com esse governo - desesperançoso é o termo mais correto. Deixar a minha bispa preferida na cova dos leões é injusto. Vou propor ao vetusto senador Aldo Rabelo - aquele do aumento de 91% para os parlamentares - um projeto tornando a Renascer patrimônio do Estado. Não que eu esteja militando em causa própria, afirmo aqui que sou um cara de fé, mas caía bem um carguinho de coordenador de comunicação, juntar uma graninha, fazer um pé de meia. Se não o suficiente pra comprar uma bela indulgência, pelo menos pra subornar santa Clara, padroeira da televisão, e descolar um canal próprio.
Mesmo que fosse em Cafundó dos Judas.

* A nota integral da Folha de São Paulo está anexada nos comentários.

29 janeiro 2007

Os tomates de Napoleão


Dois guris, no máximo 16 anos, param em frente ao jardim do meu prédio.
- Tu viu quanto tomate, cara?
- E é dos gaúchos, responde o amigo.
- Pena que estão tão verdes, diz o primeiro com alguns na mão.
- Larga isso, diz o amigo puxando o outro pela camiseta, não dá pra comer assim.

A cena é assustadora e verdadeira. O que os dois garotos quase levaram pra casa é o que vulgarmente se chama de chapéu de napoleão, o fruto de uma árvore arbustiva decorativa que lembra levemente a forma de um tomatinho gaúcho verde, talvez pelos gomos que possui. Vale lembrar que a planta é altamente tóxica.

Napoleão: frutos leitosos extremamente tóxicos

Só um guri criado no meio do asfalto pra desconhecer que tomate não dá em árvore. Fico imaginando essas crianças horrorizadas descobrindo que castanha é semente e aipim, raiz – ok, quem não sabe que gauchismo é esse, olhe aqui.

Gaúcho: não perguntem sobre o bairrismo do nome, já chega o aipim

Isso sem falar em galinha, que nasce com penas e cheias de órgãos dentro. Mas esse papo eu deixo prum blog especialista no assunto.

25 janeiro 2007

A imaculada dragão de Comodo

Flora é imaculada.
Jura que nunca tocou no raio de um dragão que fosse.
Flora é virginal como um bebê.
Mas acaba de dar à luz: quíntuplos.
Alguns dizem que foi o espírito santo.
Outros, a natureza.
Eu afirmo: isso foi obra do Mozart, aquele tarado pilantra.
Eu avisei.
Flora, ingênua, falou que nunca tocou em um dragão.
Mas omitiu a parte dos iguanas.
Dizem que flora já entrou com pedido de pensão.
Está cheia de trocar fraldas enquanto Mozart fica de patas pro ar e aquilo pra cima.
Mozart mandou Flora passar fio dental e escovar os dentes.
Alega que a ex-affair tem a boca podre.
A relação desandou.
Só o priapismo continua firme.


*********************************************
Dragão de Comodo virgem dá à luz filhotes

24/01/2007 - 13h00

Últimas Notícias - Uol Bichos
Por Patricia Reaney

LONDRES (Reuters) - Flora, um dragão de Comodo fêmea que nunca se acasalou ou mesmo conviveu com um macho, tornou-se mãe e pai de cinco filhotes, nesta semana, afirmaram cientistas britânicos na quarta-feira.

Os pesquisadores anunciaram em dezembro, na revista Nature, que Flora havia fertilizado seus ovos sozinha, sem a contribuição de qualquer macho, em um processo conhecido como partenogênese ou "nascimento virgem". "Quando o primeiro dos bebês saiu do ovo, não sabíamos se deveríamos dar uma xícara de chá para Flora ou dividir com ela um charuto", afirmou Kevin Buley, curador do zoológico Chester Zoo, na Inglaterra, onde vivem o animal e sua cria. Flora e seus filhotes passam bem.

Outras espécies de lagarto podem fertilizar seus próprios ovos por meio da partenogênese, mas Buley e sua equipe disseram que essa era a primeira vez que o processo acontecia com dragões de Comodo, os maiores lagartos do mundo.

Dois ovos fertilizados continuam na incubadora do zoológico. Os filhotes de Flora mediam entre 40 e 45 centímetros e pesavam até 125 gramas quando saíram dos ovos. Eles estão sendo mantidos em uma área especial do zoológico, com uma dieta à base de grilos e gafanhotos. "Ainda não nos decidimos sobre quais serão os nomes deles. Como os dragões de Comodo podem viver até 40 anos de idade, queremos dar-lhes os nomes propícios", acrescentou Buley.

23 janeiro 2007

Iguana priáptico

Iguana corre risco de perder pênis em
conseqüência de ereção permanente

Últimas Notícias - UOL Bichos

Bruxelas, 22 jan (Agência EFE).- Mozart, um iguana macho do aquário Aquatopia, situado junto ao zoológico de Antuérpia (norte da Bélgica), foi acometido por uma ereção permanente e corre o risco de ter seu pênis amputado.O pênis de Mozart foi infectado durante a cópula, que provavelmente resultou na gravidez de um dos quatro iguanas fêmeas que habitam o aquário, segundo o responsável de comunicação do Aquatopia, Enid Balemans.

Os tratadores colocaram o animal em quarentena e cuidam de seu membro com panos molhados e ungüento, com a esperança de que, pouco a pouco, o pênis de Mozart desinche. Caso a ereção perdure, a única solução será a amputação. No entanto, a perda desse membro não daria cabo do instinto sexual de Mozart, nem de sua capacidade reprodutora, já que os iguanas têm dois pênis, que funcionam de maneira totalmente independente. Por esse motivo, ressaltou Balemans, a amputação do pênis não é um problema semelhante para iguanas e homens. Além disso, a uretra do animal não passa pelo membro.

"O pênis do iguana serve apenas para introduzir o esperma na vagina da fêmea e, depois da cópula, ele desincha e desaparece dentro do corpo do macho", afirmou o responsável de imprensa do Aquatopia.

Ele acrescentou que, agora que o membro está infeccionado e permanentemente ereto - o que não é raro entre iguanas, segundo o veterinário do Aquatopia -, tem o aspecto de "uma bolsinha rosada". Balemans explicou que Mozart está "muito estressado", mas garantiu que a situação não chega a ser dramática.

Cumé quié?
Iguana com priapismo?
Pênis que é uma bolsinha rosada?
Dois pênis num iguana só?
Vão cortar e não é uma situação dramática?
- A iguana é filha do alien ou ele ganhou um boquete do dragão de Comodo? -

Eu aqui com o sistema operacional do meu computador bichado, com dificuldade pra navegar, tentando arrumar essa josta sem ter que gastar uma fortuna com um técnico e o seu iguana brincando com os dois pênis que ele tem.
Só falta me dizer que os dois são grandes.

20 janeiro 2007

Fetichização

- É poderoso!
Já meio altinho pelo excesso de álcool no sangue, vi um comportamento que se repete onde quer que eu vá. Merecia uma análise mais profunda, mas uma ligeira falta de foco me impediu. Na noite seguinte, com a cabeça levemente acoolizada outra vez, tudo se repete:
- É maravilhoso! – frase proferida com um longo prolongamento do penúltimo “o”.

Duas festas, dois públicos, dois lugares diferentes. O único ponto de contato eram as mulheres. E o objeto que elas desejam: banheiros. Sim, banheiros. De onde mulher tira tanto apreço por banheiro? Um era enorme e tinha um espelho de parede a parede, além de um sofá e muitas almofadas – ah? –. O outro era tão chique e rebuscado, com tanto produto de beleza espalhado por mesas, que mais parecia um catálogo de cosméticos.

Minha teoria: homens não vêem a decoração do banheiro por causa da mira. Vão lá, fixam o olhar no vaso pra não fazer besteira, e vão embora. Se tiver quadro ou planta, pouco importa. Mulheres não. Já entram espiando pra ver se não serão espiadas quando se despirem – e sabemos que a velocidade que o olho feminino leva pra reconhecer um ambiente é igual a da luz. À espera do fim do processo orgânico, olhos de bobeira, devassam todos os detalhes que chamaram a atenção na entrada. Talvez por isso banheiros rococó causem tanta fascinação.

O bom é que essa fetichização substituiu a irritante mania de irem fofocar em duplas. E nos poupa o sorrisinho irônico da volta, aquele que atesta que a sua vida foi escrutinada em míseros minutos. Culpa da falta do que olhar dentro do "poderoso", é claro.

18 janeiro 2007

Água negra

E sou um cocólatra assumido. Na fase mais aguda tomava dois litros do líquido preto por dia - em casa. E só os santos sabem quantas latinhas na rua. Coca Cola, pra mim, é a bebida perfeita: tem um PH que casa tanto com salgados quanto com doces, com carnes brancas ou vermelhas, com queijos ou especiarias. Se estupidamente gelada é ótima, até em temperatura ambiente é possível encarar no desespero – diferentemente da água, que fica com sabor “amargo” e pesa no estômago.

A grande heresia foi a criação da tal Coca Diet que passou pra Light depois. O gosto é medonho e parece remédio pro estômago – os mais antiguinhos devem lembrar de Olina ou Solvobil, típicos remédios pra ressaca e enjôo.

Agora o mercado gaúcho é invadido pela Coca Zero. Li várias reportagens dos médicos alertando que todo o consumo diário de adoçante permitido está contido em apenas uma lata de Light. Eu realmente espero que eles tenham conseguido zerar o açúcar dessa, dando mais conforto, principalmente, para os diabéticos. Mas fico imaginando que bomba de produtos químicos deve carregar.

A Pepsi vem com a Mix, sem açúcar, mas como Pepsi não é refrigerante, nem vou comentar. As duas empresas lançam os produtos aqui porque alegam que os gaúchos são mais exigentes, antenados e têm o gosto mais qualificado que o brasileiro médio – quem disse foram eles, não venham com ciumeiras pra esse lado.

Eu, como um bom tradicionalista, continuo com a minha Coquinha de sempre - meus ossos já estão acostumados e minha língua também. Mas vou ficar de botuca, e cruzar os dedos pra que ninguém tenha um peripaque quando tomar esse coquetel molotov. E também rezar muito pra que essa porcaria não exploda.

16 janeiro 2007

Rabo quente

Passagem do cometa pelo Canadá............ Jaff Mcintosh, AP/ZH


Minha mente tem muito do pensamento primitivo dos homens da caverna. Olho os fenômenos da natureza com a mesma curiosidade e estupefação. Apesar de saber que são reações físico-químicas que terminam em um processo, e não a fúria ou benevolência de algum deus, desfruto desses momentos como se fossem uma epifania – sim, comecei 2007 epífano. São instantes de comunhão com algo maior do que eu, mais primitivo e eterno, poderoso e revelador.

Ver a lua crescendo e sumindo no céu, o sol vermelho e redondo no horizonte, o vento que aparece de lugar nenhum e levanta tudo por onde passa ou aquela onda que cresce sem ninguém perceber e afugenta da areia – sim, eu sucumbiria a um tsunami. Ficaria hipnotizado, extasiado, vendo o mar recuar e depois avançar. E iria morar com os peixinhos, glub, glub, glub.

Adoro quando, de uma hora pra outra, o céu fica negro e aquelas nuvens enormes se formam, baixas, pesadas, dando a sensação de que vão cair na nossa cabeça, e a chuva forte que segue e alaga tudo por onde passa. Lembro de ver uma tempestade se aproximando da costa, deitado numa rede, de frente pro mar. Era tão lindo ver aquelas nuvens rolando e se agigantando, os raios ensurdecedores estourando em filetes nervosos de luz. Sem falar nos relâmpagos, ora em tons azulados, ora liláses ou alaranjados. Achei que Moiséis fosse sair dali trazendo a arca de Noé a cabresto. Essa epifania não aconteceu, mas fiquei com uma semi cegueira por quase dois dias, com a retina machucada pelo excesso de luz. Parecia um ceguinho andando.

Leio no jornal que entre hoje e quinta o cometa McNaught está passando pelo hemisfério sul e vai ser visto em todo o Brasil. Nunca vi um bicho desses, e desde criança tenho a maior curiosidade em conhecer. Já tive minha cota de frustração com o Harley, o mais marketingzado fenômeno do século passado, que não resultou nem em poeira. Mas como meu lado pollyana é mais forte, fiquei excitado em olhar esse.

A mitologia sobre o assunto é tão rica, que não dá pra deixar de viajar nessa. Ainda não decidi se vou ficar embaixo dele e esperar a epifânica transformação que vai operar em mim, ou se vou fazer aquele pedido especial que só milagre resolve.

Sugestões – sábias – são bem vindas.

12 janeiro 2007

Epifania, alguém tem uma?

O blog tá visivelmente largado às traças.
Tô tentando fechar um artigo pra concorrer com uma das míseras 10 vagas do grupo de trabalho em jornalismo da Compós, que acontece em junho, em Curitiba.

E sabem da melhor?
E o prazo termina em dois dias.

O problema é que meu miolo é fraco.
E deixar pra fazer na última hora, quando não dá mais pra correr atrás do prejuízo, é bucha.
Alguém sabe onde compro umas epifanias, das boas?

09 janeiro 2007

O armário da Thammy, a lerdeza do Xôn

Boazuda com audiência certa entre os fiéis seguidores da mãe do Piripipi

Não sei em que país eu tava, mas só ontem à noite eu vi que a Thammy, filha boazuda da Gretchen, saiu do armário.

Putz, precisei zapear com tédio pela TV aberta pra encontrar a mesmíssima entrevista, no mesmíssimo horário, em duas emissoras diferentes. A diferença é que a Luciana Gimenez, a que garfou o Mick Jaegger, é mais burra e divertida, e não se leva a sério. Já o tal de Gilberto Barros dispensa comentários.

Em suma, fiquei surpreso com a mudança da menina, muito. Nada da sensualidade vulgar de outrora ficou, nem o cabelão, marca registrada. Thammy assumiu uma imagem masculinizada e mostrou estar muito feliz assim, pouco se lixando pros ataques que recebeu. Ponto pra ela.

Já fui um fofoqueiro mais ágil, com certeza.

Hoje: jeito de brother, quilos a mais e nada do passado

07 janeiro 2007

Cheirinho bão

Sempre me gabei de ter nariz de perdigueiro, apesar de não conseguir identificar cheiro de maconha no meio da multidão – falha grave, segundo uma grande amiga. Quando entro num lugar, tento descobrir, muitas vezes sem notar, que cheiro é aquele, que misturas o compoe. Talvez eu me iluda quanto a ter um olfato bem desenvolvido – como todo mundo deve acreditar que tem –, mas a verdade é que aromas me dão grande prazer. Alguns são top de linha, entre tantos e muitos, que identifico à distância.

Cebola frita – boa comida. Cozinha. Prazer. É um cheiro que instiga o gourmand tosco que mora em mim.
Figo maduro – hedonismo. Prazer das papilas gustativas.Tardes de verão.
Goiaba verde – infância. Roubar frutas nos pátios alheios. Comer em cima da árvore. Risadas.
Churrasco – fome. Sinto cheiro de churrasco há léguas quando faminto. E salivo só de imaginar que esteja mal passado.
Pipoca – gula. Nada pra fazer. Prazer de não fazer nada. É o único cheiro verdadeiramente crocante.
Chocolate derretido – êxtase. Lascívia. Paixão.
Terra molhada pela chuva – alívio. Bem estar. Esperança pro fim do calor. Renascimento. Oportunidade.
Esmalte – intensidade. Soco nas narinas. Sensação especial, não natural, não usual – não, eu não sou viciado em loló.
Cheiro de livro novo – excitação. Algo além da imaginação. Mundo desconhecido.
Jasmim-manga – tranqüilidade. Aconchego. Tempo passado.

Claro que para todo prazer há desprazer. E são muitos os cheiros que me causam asco e mal estar – de tantos, mereciam um outro post. Mas tem um que é hors concours: cheiro de perfume (em excesso). Três cenas pra exemplificar o que sinto:


Cena 1 – Você está calmamente apreciando o seu entrecot mal passado, e uma dona boa, com um paizão 30 anos mais velho, ocupa a mesa ao lado encharcada de Alma de Flores comprado no 1,99. Adeus olfato, adeus paladar, adeus saco. Acabou o jantar.

Cena 2 – Verão, 38°, ônibus lotado, sete da noite. Pior do que o bodum, é o cheiro de pinho sol que muito marmanjo espirra embaixo do braço pra tentar disfarçar o corpo putrefato.

Cena 3 – Sala de cinema hermeticamente lacrada. Você chega cedo pra pegar um bom lugar, o cinema lota, a luz apaga e aquela poltrona vazia do seu lado é ocupada por uma senhorinha que trocou o sangue por Anaïs Anaïs. Você não sabe se junta o nariz que caiu no chão devido à reação alérgica, ou se defende do ataque das abelhas assassinas.

04 janeiro 2007

Alma lavada, cara nua

Quando o céu ficou incrivelmente preto, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi “rua”. Desde que moro em apartamento, pequenos prazeres como tomar banho de chuva se perderam na poeira do asfalto.

O mais incrível é que enquanto eu procuro chuva – numa tarde tórrida em Porto Alegre –, as pessoas ainda têm medo de se molhar. Em pleno Parcão, às cinco horas da tarde, apenas oito pessoas faziam caminhada debaixo de uma leve chuvinha sem graça, dessas que deixa o corpo melado. Nessa hora, o segundo parque mais freqüentado da cidade concentra o maior superávit de beleza da capital: gente bonita e sarada que só se destaca se for absurdamente linda, já que a concorrência é pesada.

E foi só a chuva desabar com força pra eu ficar sozinho no parque. E não tô brincando, não havia ninguém. Senti como se estivesse no quintal de casa outra vez. Tirei os tênis e a camiseta e chafurdei nas poças, caminhei pelos gramados e abri a bocarra pra deixar a água saciar a sede. Podia ficar pelado que ninguém ia rir da minha situação.

Lavei a alma, o corpo, a vontade de me molhar na chuva. Brinquei feito criança. Até que percebi que meus óculos, relíquia fabricada no início do século passado – haste de ouro entalhada, sem aro e lentes sextavadas –, não estavam mais comigo. Detalhe: com a chuva torrencial, o parque virou um lago em vários pontos, e rios caudalosos em outros, quase todos convergindo com força para o laguinho central.

Percorri mais de uma vez os caminhos que tinha feito, mas a água pelos tornozelos me tirou qualquer esperança. Foi um toma lá, dá cá difícil. Troquei um tesouro sentimental por um banho de chuva memorável.

02 janeiro 2007

Delírios a 40°

Primeiro pensei em ir pra Torres, já que é dentro do estado.
-------------------------------------------------------------foto sean hagen

Furnas: 200 metros acima do nível do mar
e diversão garantida

------------------------------------foto sean hagenPraia da Cal: pedras e água clara

---------------------------------foto sean hagen
..........

Mas se é pra ser paraíso,
então vou pra Santa Catarina.

-----------------------------------------------------------foto sean hagen
Bombinhas, nível do mar. Ser engolido pela maré
na praia é um programa irresistível.

-----------------------------------------------------foto cláudia porcher
Só a paisagem já é o bastante pra relaxar.

---------------------------------------------------------------foto sean hagen
Taínhas: dificílimo acesso e pouca gente.

--------------------------------------------------------foto cláudia porcher
..........


Mas isso decididamente não basta.
Preciso é de frio verdadeiro pra sentir
que a vida ainda tem algum sentido.

---------------------------------------------------------------foto sean hagen

Chacaltaya, Bolívia, 5.400 metros acima do mar.

----------------------------------foto cláudia porcher

Ver o mundo do topo dos Andes é maravilhoso.

------------------------------------------------------foto cláudia porcher

Pegar uma nevasca aqui, mais maravilhoso ainda.

----------------------------------------------------------foto sean hagen
Acordei do desmaio suando na frente do computador,
em uma tarde estupidamente
quente de janeiro em Porto Alegre.
Não há outra explicação pra isso: castigo.