27 fevereiro 2007

Sensações básicas

-------------------------------------------- site da Nasa

Pouco importa a idade, sempre volto a ser criança
quando vejo um céu estupidamente estrelado.

20 fevereiro 2007

Off

Em espera.
Volto na segunda.

18 fevereiro 2007

Fuça, fio!

Começou nessa madrugada um novo ano na China.
Um ano que é a minha cara.
Será marcado pela boa sorte e pela riqueza.
Tá, vai ter turbulência aí no meio também.
Mas será suculento.
É o ano do porco.

- ok, ok, eu sou cabra no horóscopo lunar.
Mas é o espírito que vale, né não? -

Ónic, óinc pra vocês.


A Thelma fez um post decente sobre o assunto. Dá um pulo lá pra conferir.

17 fevereiro 2007

Sem confete ou serpentina

----------------------------------------------------foto Sean HagenO tempo nublou, a rua calou, o feriado se instalou. Gosto de ver a cidade vazia, silenciosa, sem a balburdia de carros e gentes. Não sou contra carnaval, de forma alguma, mas alguns excessos não me agradam muito. E ter a oportunidade de tanta paz e quietude só acontece nesses dias mesmo. Porto Alegre não tem praia e expulsa os moradores com o calor estúpido.

Que as confusões, engarrafamentos, filas de espera e desencontros fiquem à beira-mar, onde ninguém está estressado e acha que tudo isso tá incluído no pacote carnavalesco.

Eu vou ficar aqui, na cidade semi-deserta curtido as poucas opções que ela mesquinhamente oferece pra quem fica. E absorvendo cada pequeno som inusitado que é impossível perceber no outros 361 dias do ano

15 fevereiro 2007

Etéreas nuvens de ilusão

-------------------------------------------------------------------------foto Sean Hagen
O sono não tem sido muito bom nos últimos dias. Durmo mal, pouco e acordo muitas vezes durante a noite. E pela manhã, a sensação de que algo está fora do lugar é grande. Acho que todo insone se sente um pouco arqueólogo ao buscar unir os cacos de ilusão que restaram espalhados nos domínios de Morpheu. E eu sou o tipo obsessivo, que fica puxando os fios em busca de explicação, tentando colar as peças que não se encaixam e deixam a memória anuviada. Detesto a sensação de que perdi alguma coisa.

O problema é que os fios que costuram essas tramas são frágeis como teias. A gente pega uma ponta, crente de que puxará toda a meada, e o fio se desfaz, jogando a esperança da descoberta no infinito novamente. Por que aquela pessoa, que na verdade era outra pessoa, disse aquilo no meio de uma festa estranha dentro do almoxarifado da empresa que vc trabalhou em 1915? O problema não é a confusão toda, mas lembrar que “aquilo” é esse. Você não lembra, não faz idéia, mas fica com o “aquilo” martelando na cabeça nas 24 horas seguintes.

Só um dia eu acordei bem. Lembrei de um sonho todo, começo meio e fim. Zumbis tinham dominado o pedaço e estavam comendo os miolos de todo mundo. Eu corria, chutava, explodia cabeças, mas continuava a jornada, astro maior da minha produção adolescente trash. Era pra ser um pesadelo – acho –, mas Freud ou Durand que tentem explicar porque as imagens que deveriam ser lidas como “ruins” acabaram na catarse de um acordar bem humorado. Talvez o fato de ter lembrado tudo tenha mudado essa perspectiva.

Em vez de pedaços de sonhos fofos, que me tiram do sério quando fora do contexto, prefiro os assertivos comedores de miolos. Não sei se eram jornalistas, mas souberam contar um história muito bem.

11 fevereiro 2007


Do amor

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foto Sean Hagen


O amor é um sentimento fluido como o ar pra mim, fácil de definir pela falta, não pela presença. É essa atmosfera que nos envolve, está sempre presente e possibilita que a vida seja plena.

Tive a sorte de ter duas mães nessa vida. Uma biológica, que amo muito, e uma por escolha, ou melhor, por quem fui escolhido. Reza a lenda que foi amor à primeira vista: quando me viu na maternidade e pegou no colo, não largou mais. Com pai e mãe trabalhando em longas jornadas, o carinho que a tia Tê me fez sentir ajudou a moldar minha visão do que é o amor: grande, solidário, parceiro, íntegro, incondicional.

Teresa é a irmã mais velha de minha mãe, primeira filha de um casal de libaneses que chegou ao Brasil no início do século fugindo da falta de perspectiva que assolava o Oriente Médio depois da Primeira Guerra. Entre os sonhos de uma vida nova, trouxeram os costumes da terra em que nasceram. E uma primogênita não era uma opção agradável pra eles. Alijada de uma representação de vida verdadeira, Tê se construiu para os outros e pelos outros.

Aos 17 anos recebeu um vaticínio: nada de estudos, namoros, de vida pessoal. O papel que teria era de guardiã dos pais e da família. Fico imaginando como alguém tão perspicaz, tão sedento de conhecimento e de vida se resignou a isso. Mas foi o que aconteceu. Tê criou cinco irmãos, os filhos dos irmãos, os netos dos irmãos. Zelou por pai e mãe com um afinco que só vi nos mitos gregos. E nunca – repito aqui, nunca – pediu nada em troca, nunca cobrou o que foi negado. Sempre viveu pelo que sobrou da vida dos outros.

Numa família em que muito cedo o estudo deu lugar ao trabalho, cultura não era prioridade, até mesmo por uma questão de impossibilidade. Mas como explicar aquele verdadeiro paraíso que era a pequena biblioteca que colecionava? O contato com Emyle Brontë, Mario Quintana ou Aghata Christie? Os grandes clássicos do cinema norte-americano que ela contava com olhos brilhantes ter visto num pequeno cinema de Bagé nos anos 40 – e que revíamos juntos na sessão da tarde? As revistas e jornais, itens tão fascinantes quanto as guloseimas compradas escondidas?

Sem falar na memória de elefante. Das datas importantes e fatos mundiais à trajetória dos Aquere, é nela em quem nos apoiamos pra manter a história viva. É ela quem, de alguma forma, costurou as delicadas tramas familiares que as diferenças e incompreensões facilmente fazem puir.

Hoje, às sete da manhã, o hospital nos informou que a morte dela foi oficialmente decretada. Há três dias teve um acidente vascular cerebral e ficou inconsciente depois que soube que o irmão teve mais um enfarte. Estranho falar em inconsciência sobre quem deu sentido a vida de tanta gente. Tê não leva nada do mundo além do amor que sentiu. Poderia ter sido o que quisesse, talento e inteligência tinha, mas foi alguém que simplesmente amou, apesar de tudo.

Uma grande parte de mim vai com ela, tenho certeza. Mas a totalidade dela fica comigo. Sou o que ela possibilitou que eu fosse. E isso, nada nem ninguém pode apagar.


06 fevereiro 2007

Murphy

Por que raios o chuveiro sempre queima
quando a gente está embaixo?

04 fevereiro 2007

Carneiro em pele de rottweiler

Longe da posse dos Collors, Clodovis e Malufs, o mundo animal continua meigo. Olha essa: uma rottweiller de apenas 11 meses adotou dois carneirinhos no País de Gales. Molly assumiu a maternidade espontaneamente, já que Lucky e Charm foram rejeitados pela mãe. A cachorra não deixa nem o gato chegar perto, e se mostrou uma mãe ciumenta, mas exemplar.

Os especialistas afirmam que os rottweiler, conhecidos por serem sanguinários, só se tornam violentos depois de um adestramento cruel. Se forem criados dóceis, dóceis serão. O problema é que entre o fato e a lenda, a lenda sempre leva vantagem, e tenho certeza de que os pobres peludinhos serão discriminados. “São rottweilers em pele de cordeiro”, dirão muitos, quando se sabe que carneirinhos até ladram, mas nunca mordem. Identifiquei-me sobremaneira com os bichinhos. Como diz o sábio ditado, “assim como são os animais, os homens são”.