17 março 2007

The dildo is on the table

O mito de que o sexo é uma língua universal está em xeque. A proximidade da abertura do Pan Americano no Rio de Janeiro, em julho, mudou a rotina das profissionais do sexo da Vila Mimosa, reduto tradicional do puteiro carioca. Três horas por semana, 20 mulheres tentam desvendar os meandros da língua inglesa, numa iniciativa voluntária, sem apoio oficial, de um professor que resolveu dar uma forcinha pras profissionais do sexo. Ele disse que “foi recebido de braços abertos” e está adorando – alguém duvida?

Agora, quando os gringos disserem blow job, todas saberão que se trata de um prosaico e usual boquete, nada além disso. E ninguém vai poder alegar que não recebeu o que pediu. Resta saber se a conta vai ser cobrada em dólar ou real.

A reportagem completa da Folha de São Paulo está anexada nos comentários.

18 comentários:

Sean Hagen disse...

FOLHA DE SÃO PAULO
Sábado, 17 de março de 2007

ÀS VÉSPERAS DO PAN, RIO ENSINA INGLÊS A PROSTITUTAS
SÉRGIO RANGEL
DA SUCURSAL DO RIO

Secretaria de Estado Ciência e Tecnologia também organizará cursos de espanhol

"Intenção é dar uma oportunidade. Elas poderão usar o idioma lá [na Vila Mimosa] ou tentar outros caminhos", diz diretor



No ano do Pan, as prostitutas da Vila Mimosa estão estudando idiomas. De forma voluntária, o professor Mariano Capote, 24, dá aulas de inglês para as mulheres da mais antiga zona de prostituição do Rio. Atualmente, um grupo de 20 profissionais do sexo tem três horas semanais de aulas num casarão antigo dentro da vila.
""Depois de mais de dois anos batendo, sem sucesso, em portas de escolas públicas e igrejas com esse projeto de dar aulas de inglês para carentes, as mulheres daqui me receberam de braços abertos e estou adorando", disse o professor, que ganha a vida dando aulas particulares na zona sul carioca.
A Vila Mimosa atrai mensalmente 120 mil homens por mês e reúne cerca de 3.500 prostitutas em ruas decadentes de São Cristóvão, zona norte da cidade. Os números foram dados pelo Coletivo de Mulheres da Vila Mimosa, ONG (organização não-governamental) formada por prostitutas da região, que participa do projeto. Prostituição não é crime no Brasil e é uma profissão regulamentada pelo Ministério do Trabalho.
Coordenadora da ONG, a assistente social Cleide Almeida disse que o curso de idiomas seduz as prostitutas pela proximidade do Pan. A competição será realizada em julho no Rio.
""Nos grandes eventos da cidade, os gringos sempre baixam por aqui. Desta vez, não será diferente. No mês passado, um ônibus inteiro de ingleses desceu aqui. Elas sabem que não vão falar inglês em tão pouco tempo, mas pelo menos vão conseguir se aproximar dos gringos de uma forma melhor", disse Cleide.
A iniciativa de Capote será ampliada no próximo mês. A Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia anunciou no início desta semana que novas turmas serão abertas. Segundo o projeto, as prostitutas também terão aulas de espanhol.
""Quase todas as mulheres estão no curso para criar uma nova alternativa de vida. Uma delas fica repetindo que vai sair daqui para trabalhar no Pan, mas todas já tiram proveito da língua aqui na zona. Algumas já conseguem conversar, embora a fluência ainda seja muito fraca", disse Capote, acrescentando que convive com o preconceito dos amigos.
""Eles me acham um idiota. Ficam rindo da minha cara, mas tudo bem. Embora tenham uma formação escolar fraca, as prostitutas são inteligentes e estão demostrando muita vontade de aprender. Isto é o mais legal", acrescentou o professor.

Capacitação
Os próximos cursos serão dados pela Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica). O órgão tem uma rede de cursos continuados para capacitar profissionais para o mercado de trabalho em 135 comunidades carentes do Estado.
Inicialmente, as aulas de idiomas atenderam a cerca de 200 pessoas na Vila Mimosa. As próximas estarão abertas também para os filhos das prostitutas e moradores da região.
""A intenção é dar uma oportunidade a essas pessoas. Elas poderão usar o novo idioma lá [na Vila Mimosa] ou tentar conseguir outros caminhos para suas vidas", disse Celso Pansera, diretor de Integração Social e Tecnologia da Faetec.

Maitê disse...

Xôn, achei bacana isso. Bah, queria ver os gringos falando Vila Mimosa...
Acho q o pagamento será em dólar. abs

fernanda disse...

well, pelo menos assim, elas estarão aprendendo algo que vai diferenciar o currículo, além das peripécias de cunho sexual, que devem preencher formidavelmente tais formulários, e o melhor, vão poder escolher a moeda. Perfect!

Rosamaria disse...

Bom pra elas e pra eles.

(Todos os dias a gente aprende alguma coisa nos blogs).

Tb acho que o pagamento será em dolares.

Rosamaria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chawca disse...

Esse mundo globalizado é cheio dessas coisas...

Será que agora elas vão fingir orgasmo em inglês tb fugindo do tradicional Fuck me, e Oh my God..

E Vila Mimosa foi um nome muito, mas muito bem escolhido...

Graziana disse...

quem sabe os pagamentos não serão em Euros, Dólares e demais moedas, as gurias estão se globalizando ;)

Arnaldo disse...

Elas receberam o professor de braços abertos e receberão os clientes de pernas abertas.

É claro que o pagamento será em dólar. E no mesmo valor absoluto do que costumam cobrar em reais. E estão muito certas, elas.

marcia disse...

que mimoso!!!

ederson disse...

ah, sim, prostituta tem que ser fluente em línguas...

Vivien disse...

po, márcia....eu entrei aqui pra dizer..."que mimoso!".
Não resisto a um trocadilho infame...hahahah

Arnaldo disse...

Trocadilho infame e meigo!!!

lila disse...

O chato é que na VM é só baranga podre; é longe dos pontos turísticos; mas é barato. MUITO BARATO.

E como eu sei? Pô, a VM fica ao lado do maior antro de metaU do Rio. E eu já tive meus dias de metaleirinha. ;)

>> [eRRuD!To] ... disse...

A profissão é antiga, tem que se reciclar. Tá certo. E ninguém pode acusar elas de nada porque a tia da ONG disse que o "curso de idiomas seduz" as profissionais.
Mas gostei mesmo foi da frase do professor "mas todas já tiram proveito da língua aqui na zona".

Eternamente Berenice disse...

A globalização atinge todas as profissões, por que não essa também? E além do mais aprender uma nova língua nunca é demais, porque imagina a situação dessas moças não entendendo e o que o cliente quer dizer e não satisfazê-lo, os estrangeiros vão falar mal do nosso país, o que seria uma injustiça...Porque nosso país é um paraíso...não é isso que dizem por aí???

Laura Storch disse...

Oi... Te descobri entre os clicks bloguisticos! ;)
Lembra de mim?!

Gostei do blog...!
Vou add no meu blogroll, ok?!
Abçs...

Fabi disse...

Pelo menos o Pan está trazendo algum tipo de benefício pras 'primas' cariocas... hahaha
=**
Beijão

Sean Hagen disse...

*



MAITÊ
vai ser algo como "viua maimôza"


FERNANDA
esses dos formulários tão em algumas repartições públicas.
só nos cravando.


ROSA
minha flor: diz pra mim o que vc aprendeu aqui.

CHAWCA
já pensou se elas começam com aqueles "oh yes. yes, yes, YEEEES"?
eu saia correndo na hora.
ia achar que tava num filme do buttman.


GRAZI
o problema é se elas deixarem de receber me reais.


EDERSON
quer dizer que é mito esse lance de que beijo na boca não rola?

MARCIA E VIVIEN
o que seria desse blog sem a infâmia?
gracias, chitas.
keep waling.


ARNALDO
faltou dizer que eles estão de boca aberta.
trocadilho infame?
mas tão meigo!

LILA
corrige isso, então.
manda as metaleiras pra lá.


REGES
sabe cumé, né?
lingua de estrangeiro tem outras particularidades.
apesar de que, sempre achei que lingua não entrava no 'pograma'. mas o ederson já derrubou esse mito.


BERENICE
sim, queremos manter esse paraíso bem falado. e nossas moças são a melhor arma pra isso.


LAURA
bem vinda!
espero que vc aproveite alguma coisa por aqui, nem que seja dar risadas.


FABI
coisa linda é família, né?
todo mundo fica comovido quando vê melhoras.



*