20 abril 2007

Do sonho à singularidade

Não posso negar que sou epicuristamente hedonista: acredito que os prazeres não têm porque causar sofrimentos indesejados, pelo contrário. Prazeres libertam e transcendem.

Já falei aqui da minha paixão pela gastronomia. Estou longe de ser alguém refinado, que aprecia vinhos raros e condimentos únicos, mas morro pela boca quando um sabor me arrebata. Gosto de combinações inusitadas, do picante e do doce, do salgado e do azedo, do tradicional e do exótico.

Se viajo pela boca, pelo cinema levito. A tela grande tem um encantamento que me fascina desde piazinho, quando vi meu primeiro filme. É emocionante ver uma história contada com luz, cor, som e movimento.

Pois a Rejane Martins, que é sofisticada pra burro, mesclou imagem e gastronomia pra criar o projeto Mesa de Cinema, em que filmes servem de inspiração para banquetes preparados por renomados chefes. Imagine a cena: você está assistindo à orgia gastronômica de A festa de Babete e suas papilas gustativas entram em ebulição, a curiosidade vai ao além e o estômago perde a compostura com roncos ruidosos. Duas horas depois, inebriado com tudo que viu, sai apertando os olhos da sala escura e voilà!, tudo aquilo está materializado na sua frente.

Depois de ser apresentado na Serra Gaúcha, o projeto desembarca em Porto Alegre, no belíssimo prédio centenário do Santander Cultural – aos amigos espanhóis, um lembrete: blog também é cultura e o meu aceita patrocínio. A próxima edição acontece no dia 28 de abril. Um programa irrecusável para quem sabe o que é apreciar as boas coisas da vida.

15 comentários:

Clélia Riquino disse...

Flagra
Roberto de Carvalho & Rita Lee


No escurinho do cinema
Chupando drops de aniz
Longe de qualquer problema
Perto de um final feliz

Se a Deborah Kerr que o Gregory Peck
Não vou bancar o santinho
Minha garota é Mae West
Eu sou o Sheik Valentino

Mas, de repente, o filme pifou
E a turma toda logo vaiou
Acenderam as luzes, cruzes!
Que flagra!
Que flagra!
Que flagra!


Adorei esta declaração sua, Sean:

"Já falei aqui da minha paixão pela gastronomia. Estou longe de ser alguém refinado, que aprecia vinhos raros e condimentos únicos, mas morro pela boca quando um sabor me arrebata. Gosto de combinações inusitadas, do picante e do doce, do salgado e do azedo, do tradicional e do exótico.

Se viajo pela boca, pelo cinema levito. A tela grande tem um encantamento que me fascina desde piazinho, quando vi meu primeiro filme. É emocionante ver uma história contada com luz, cor, som e movimento."

Eternamente Berenice disse...

Nossa Sean, a Clélia tem razão de tudo que li no seu blog até hoje...essa declaração foi a mais...digamos "refinada". Agora me fala quando tudo isso vem pra São Paulo, hein???
Bjsss
Enquanto isso curto um escurinho no cinema sem banquete...que é bom tb.

Clélia Riquino disse...

Cinema Olympia
Caetano Veloso


Não quero mais
Essas tardes mornais, normais
Não quero mais
Video-tapes, mormaço, março, abril

Eu quero pulgas mil, na geral
Eu quero a geral
Eu quero ouvir gargalhada geral
Quero um lugar para mim, pra você
Na matiné do cinema Olympia

Tom Mix, Buck Jones
Tela e palco
Sorvetes e vedetes
Socos e coladas
Pernas e gatilhos
Atilhos e gargalhada geral
Do meio-dia até o amanhecer
Na matiné do cinema Olympia

Arnaldo disse...

Tenho uma concepção muito próxima da tua no que se refere ao prazer. Acho o prazer libertador e terapêutico. E mesmo aqueles prazeres que "fazem mal" à saude, são compensados pelo próprio. Além do mais, passar vontade faz mal à saude.

Achei bem interessante a proposta do evento mesa de cinema. Mas R$ 75,00 não tá meio salgadinho, não?

Vivien disse...

Babei.

ederson disse...

gostei, achei bem interessante a proposta da coisa toda, mas 75 pila está longe do meu bolso no momento...

)-:

Adriana disse...

Sean, seu post como sempre esta otimo...suas palavras escritas sao capazes de descrever o seu gosto prazeirozo de degustar e cinema...
Como aqui nao existe...me contento...com um jamon serrano, seguido de paella e um bom vinho albariño das terras galegas com odescrevi no meu post de hoje.
Um grande beijo do outro lado do oceano

Nana disse...

No mínimo bastante tentador! Mas o teu texto...maravilhoso.
bjs.

Graziana disse...

o restaurante moeda é maravilhoso! fiz minha recepção da formatura lá, o atendimento também é muito bom. Na época minha amiga trabalhava lá e lembro que pude escolher as sobremesas: doce de abóbora, ambrosia, mousse de chocolate branco e preto, minhas preferidas :D

Quem sabe conversamos com a Eleonora Rizzo e ela descola uns convites ;)

Achei genial este projeto, só podia ser menos caro né :P

Thelma disse...

Te acompanho na cinefilia e na gastronomia, querido. Morro pela boca e adoro uma história contada em 16 mm.

Rosamaria disse...

Quantas vezes acontece o que descreveste tão bem, a gente sai do cinema querendo comer aquelas delícias que vimos, mas a Rejane Martins que teve a brilhante idéia de tornar realidade.

Fabi disse...

O prazer pra mim é simples...
sinto ou não sinto.
Não entendo porque algumas pessoas complicam tanto..rs

Ah, respondendo a sua pergunta, tenho trabalhado em sanefas de madeira. Remoção de tinta, consolidação e reintegração cromática ;)

Beijos

Luci Lacey disse...

Oi Sean

Tambem morro pela boca e pela balanca, minha inimiga numero 01 he he.

Beijinhos e boa semana

Chawca disse...

Ah, morri... Isso seria demais legal...

Zeca La-Rocca disse...

Será q vai ter alguma sessão sobre o "Comilança"???