30 julho 2007

Uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuh

O Pan 2007 será lembrado como o encontro das vaias. Tudo o que se movia e respirava, e não tinha “cara” de brasileiro, tomou vaia. Vaiou-se por motivos políticos, por motivos culturais, por motivos sem motivos, por frivolidades. Vaiou-se por não se aceitar a diferença, por não se enxergar um outro, por se sentir diminuído, por não se ter civilidade para compartir espaços.

Vaiaram-se delicadas meninas equilibradas em traves de 10 cm; vaiaram-se parrudos jogadores de vôlei; vaiaram-se atletas consagrados e de longa trajetória; vaiaram-se inseguros estreantes.

Agora que a bolha de sonho se desfaz, o belo Rio volta à normalidade. Volta a se preocupar com seus crimezinhos e chacinas banais; volta a ser acuado pela violência, fome e falta de condições; volta a se preocupar onde a classe média vai comprar drogas de boa qualidade nas bocas de fumo dos morros.

Mas pra esses casos, não há a mínima mobilização pra vaia. Talvez porque sejam cotidianos e desimportantes demais, não merecem uma mobilização cívica. O tédio faz coisas incríveis.


28 julho 2007

Pau

Tá, eu sei que tem grande chance de ser mentira,
mas mesmo assim o texto é um primor de inventividade.
O link orginal tá nesse site de piadas aqui.

Clique sobre a foto para abrir em tamanho maior

26 julho 2007

Bendito frio


Serra Gaúcha, nove da noite, zero grau. Depois de um belo dia de sol em Gramado, com direito a fondue e muita risada em plena quarta-feira, a temperatura despencou de 12° pra 0° em questão de hora.

Decididamente, camiseta de algodão e camisa de flanela não era o melhor figurino pra esse cenário. Errei na roupa, mas qual o problema? O dia tava perfeitinho.

25 julho 2007


FelicidadeAs couraças quebram

As diferenças aproximam

Os afagos enternecem

Basta querer

Piu

21 julho 2007

Menos um

Lidar com a morte é sempre um sentimento dúbio. Quando ela vem cedo demais, quando leva alguém que amamos, quando se faz presente em forma de tragédia, nos choca, horroriza e consterna. Abre uma ferida nem sempre fácil de curar. Mas a morte do acerto de contas sempre é esperada. E festejada. Tem a capacidade de interromper um processo e cessar a dor. Não tem o poder de fazer justiça, como muitos gostam de dizer, mas pelo menos evita que a desgraça continue.

Antônio Carlos Magalhães, o senador das trevas, mais conhecido como Toninho Malvadeza, é um exemplo clássico do segundo tipo de morte. Personifica o que de pior a política nacional já produziu: corrupção, roubalheira, clientelismo, coronelismo, máfia e desprezo pela ética e pelas leis. Teve dinheiro e cara de pau suficiente pra nunca ser punido pela Justiça e sempre ser reeleito pelos cidadãos. Fazia o mal legitimado socialmente.

Foi o grande amigão dos poderosos, tanto faz se de conglomerados de comunicação global ou de economia neo-liberal expansionista. Esteve onde o poder estava. Mas acabou. Agora é menos um.

Sorte nossa.

18 julho 2007

Vaias à morte

Fico imaginando o que sente uma pessoa que perdeu alguém num acidente estúpido como esse da TAM. A violência é tão grande que beira o ficcional, mas de mentira não há nada. E a verdade horrenda de dezenas de mortos paira sobre nós como uma assombração: tenho algum amigo no vôo? Um colega? Um vizinho? Será meu irmão no próximo? Serei eu?

Uma coisa é certa: tenha ou não sido gerado pelos incontáveis e antigos problemas que Congonhas carrega – e avaliações preliminares apontam que o problema não foi na pista –, o grande culpado frente à opinião pública será o governo federal. Vai ser julgado por erros cometidos em outros momentos e em outros lugares; pelo cansaço de se esperar soluções, pela raiva que qualquer um sente em se ver frágil e desamparado cada vez que sobe no propalado meio de transporte mais seguro do mundo – que ainda é, apesar das sucessivas tragédias que têm ocorrido.

Tanta gente não morre assim sem causar indignação, algo tem que ser feito antes que a aviação nacional realmente vire tragédia, numa união de incompetências de aeroportos mal equipados, equipamentos sucateados, especialistas não qualificados e empresas aéreas que desrespeitam a segurança dos passageiros.

E deixo claro que esse conjunto não é um problema causado pelo governo do PT, apesar de querer, sim, que Lula aja energicamente e ponha um ponto final naquilo que compete ao governo. Isso, como muito do que ocorre no Brasil, vem de uma forma de governar que empurra o lixo pra baixo do tapete e nunca faz as reformas de base necessárias. Ou seja: é herança da ditadura, do PMDB, do PSDB, do PT, dessas instâncias que chamamos de partidos políticos.

As vaias que Lula recebeu no Pan, que no post aqui de baixo causaram grandes discussões, devem se multiplicar. Isso se não forem acompanhadas de pedras, garrafas e o que as pessoas tiverem na mão. Se vaiar por si só já é uma reação emocional descontrolada, já que não argumentativa, agora será totalmente insana. Frente a tantas mortes, é preciso achar um culpado, uma explicação automática pra aplacar o horror e medo que sentimos. Lula será imolado na pira do descontrole. E provavelmente não pelos motivos corretos.

Espero, pelo menos, que algo de bom resulte dessa tragédia, com o vôo 3054 sendo o marco do último e definitivo desastre aéreo. Chega de mortos, chega de medo, chega de empurrar o problema pra frente. Roleta russa é prática de suicidas, não de quem paga impostos e desembolsa fortunas pra se locomover com segurança.




A Marcia fez uma pertinente análise dos primeiros momentos da cobertura
da imprensa no blog dela. Vale a pena dar uma olhada.

16 julho 2007

Vaca come gelo?

presente inestimável do Zeca

Não dou, não empresto, não vendo.
Mas preciso descobrir uma forma de produzir gelada.

14 julho 2007

Cariocas ruins de festa

A pira foi um dos poucos acertos num espetáculo de desastres


A abertura da Pan teve a cara do Brasil? Pra mim, não, por mais que Fátima Bernardes e Galvão Bueno repetissem isso. Não é minha cara porque não sou carioca. Porque não sou classe média descolada. Porque não me arvoro a arrogância de desrespeitar a tudo e a todos pelo simples prazer da galhofa.

A primeira vaia a Lula foi um protesto dessa classe média branca e viajada que pouco se importa se a vida dos mais pobres melhorou, reclama por seus privilégios – e nem posso negar que tenham direito a eles, então, vaia justa. Mas a segunda caiu na malandragem inconseqüente, na piada pela piada, na falta grosseira de entender o lugar que ocupavam no estádio naquele momento, frente a milhões de outros brasileiros e americanos.

Como toda personalidade inconseqüente, a massa carioca perdeu a mão, e as vaias foram a marca da abertura. E daí para o Maracanã virar um extensão de Copacabana e Leblon em domingo de sol foi um passo. Vaiou-se os venezuelanos, afinal, eles e Chaves devem ser a mesma coisa. Mas também se vaiou os bolivianos e, claro, os norte-americanos. Carioca “ixperrtu” sabe diferenciar as coisas. E sabe ser um ótimo anfitrião.

Os nativos que lotavam as arquibancadas quiseram tomar pra si a festa que era de todos: festa organizada por eles, que tinha a cara deles. Quando a câmera passava entre os ritmistas ou bailarinos, muitos largavam o trabalho e começam a abanar e mandar beijos, formando grandes aglomerações. Será que alguém se deu conta de que isso poderia estragar o espetáculo, ou que é falta de comprometimento e profissionalismo? Claro que não, merrmão, carioca descolado é assim mesmo. Tudo é farra, tudo é zoeira, pra que se estressar?

Pois é. E os cariocas têm o maior carnaval do mundo, algo realmente surpreendente. E o que se viu na abertura do Pan foi uma constrangedora festinha de escola, dessas com jogral e crianças vestidas com fantasias improvisadas. Não havia unidade no espetáculo, não havia inventividade, não havia aproveitamento de espaços. Tudo ficou micro e acanhado. Rosa Magalhães, um dos grandes nomes da área, pensou pequeno. Ou pensou carioca e fez um trabalho desleixado e sem brilho.

Adriana Calcanhoto foi um dos únicos momentos de real emoção nessa balbúrdia. Sentada numa gigantesca cadeira, tocando seu violãozinho, contagiou e deu seu recado. Praticamente sozinha, ocupou todos os espaços do Maracanã. Chico César fez o mesmo, amparado por uma magnífica coreografia de Débora Colker, uma carioca cidadã do mundo. E numa demonstração pra lá de macaca de copiar o que não se deve, a grande Elza Soares foi um constrangimento desnecessário. Linda e classuda nos seus mais de 70 anos, desafinou, esqueceu a letra três vezes e, involuntariamente, cassou o direito do público de cantar o Hino Nacional, já que deu uma roupagem nova à interpretação. Não houve naipe de sopros, não houve percussão, foi tudo à capela. O soberbo arranjo, uma beleza ímpar e gongórica que mais parece um passeio de montanha russa cheio de loopings emocionais, foi cortado. Até o Hino os organizadores cariocas nos garfaram.

Se é dessa forma que o Rio de Janeiro quer angariar respeito, lamento, mas não vai dar. Ou a porção séria, competente e trabalhadora da cidade assume as rédeas, ou a o povo da tal cidade maravilhosa vai continuar pagando pelos estereótipos que parte dele cria e solidifica.

12 julho 2007

Relativamente frio

Nove da noite. Os termômetros marcam 3° em vários locais de Porto Alegre – fontes oficiais dizem que ontem fez a noite mais fria na capital gaúcha nos últimos 46 anos. Da rua, o restaurante envidraçado parecia acolhedor: luzes quentes, fechadinho, e a promessa de comida fumegante. Ao botar o pé no recinto, noto que está tão frio dentro quanto fora. Num canto, ao alto, um tremendo condicionador de ar está desligado. “É possível ligar o ar?”, pergunto ao garçom, que numa sinceridade desconcertante diz: “Esse é só ar frio, o dono resolveu economizar. Faz tanto tempo que não faz frio que ele achou que não precisava se preocupar com isso”.

Mas precisava. Sento numa mesa de canto, no encontro entre duas laterais envidraçadas, e um maldito sopro de ar frio me gela as orelhas. Entra pelas fendas dos vidros. Troco de lugar, faço o pedido, e fico olhando a paisagem enquanto espero meu file à parmegiana. Ao fundo, um adolescente passa de bermuda e blusão. Já tinha visto outros pelo caminho, e fico pensando até onde vai a bravura ou a estupidez de cada um. Ou se frio não passa de uma sensação relativa, dependente do que você está fazendo ou quer num dado momento.

O pedido chega e me entretenho em garfiar com afinco a comida quentinha. Mas não tenho como deixar de perceber uma figura altíssima, cabelo gigantemente desgrenhado entrando no restaurante. Além de algo que não se encaixava bem em uma mulher, vestia, debaixo de um longo casaco aberto, jeans justíssimo e uma blusa que só tapava os peitos. A barriga estava totalmente de fora. O amigão que a conduzia faceiramente como um troféu parecia gostar dos modelos. E quando digo modelos, no plural e masculino, me refiro à roupa e ao modelo que a trajava. Pensei: vão pedir sopa e vinho pra aquecer o corpo e manter a pose. Que nada, pediram duas cocas e sanduíche aberto, como se fosse uma noite quente de verão.

Mesmo não sendo tão corajoso quanto os guris de bermuda ou a modelo de barriga de fora, ainda adoro desfrutar o que esse clima oferece de melhor. Pensei nisso ouvindo o gelo bater contra o copo enquanto bebia minha coca estupidamente gelada.

08 julho 2007

Medo II, a revanche

E o que fazer quando as toalhas
combinam com o sabonete e os azulejos?


04 julho 2007

Bozo messiânico

A História parece se movimentar em ciclos: algo que morreu e foi enterrado, tempos depois volta com uma força inacreditável. E tudo se repete, agregando novas cores, valores e desfechos a um enredo já conhecido.

Hugo Chaves personifica o que de pior a América Latina já produziu com a roupagem de ditador¹. É raso, populista, afetado e histérico. O tipo que deve ter sonhado na adolescência em ser o protagonista de um dramalhão “mexicano”, desses em que o galã anda de cavalo branco e diz frases de efeitos.

Como se nota, ele não precisou de um filme pra andar de cavalo branco e – só – dizer frases de efeito. Se acha maior do que a própria vida. Agora, resolveu dar um ultimato ao Congresso brasileiro e ameaçar não fazer parte do Mercosul, caso não seja aceito em três meses. Chavez chuta um morto que nunca nasceu tentando acertar a política tupiniquim.

Sinceramente? Tchavito é uma espinha que precisa ser espremida. É um perigoso anacronismo ambulante que não fez nem um décimo do mal que ainda pode causar. Por enquanto é um palhaço vestido de vermelho a repetir frases mortas da contra-cultura dos anos 70, feito um papagaio gago. E a protagonizar desastres políticos e sociais por onde passa.

Mas já está na sobrevida. O lugar dele é o túmulo dos esquecidos, de onde foi buscar a forma de governo que preconiza. Tenho certeza que pela bufonaria e populismo, na galeria dos ditadores, vai ficar entre Luis XIV – da fofíssima frase “O Estado sou eu”–, e Juan Domingo Perón – o “pai dos descamisados”, inventor da campanha do agasalho.

Não sei qual alcunha Tchavito vai ter, mas se ele fosse escolher uma, acho que gostaria de ser chamado de messias. Mesmo que isso entrasse em choque com os doutrinamentos da cartilha vermelha de Mao. Afinal, acima de tudo, Hugo Chavez é um revolucionário.

¹Adendo à primeira postagem: a idéia de "roupagem", aqui, é a de trejeitos, maneirismos e cacoetes externos e exóticos que estamos acostumados a encontrar na figura dos ditadores latinos. Mas de forma alguma Chávez se iguala, neste momento, ao grau de terror e insanidade de Pinochet (Chile), Dutra (Brasil) ou Videla (Argentina), por exemplo.

02 julho 2007

Medo

O que fazer quando o papel é
arroxeado e o sabonete verde radioativo?