29 agosto 2007

Sabedoria

Se as mulheres fossem um pouquinho mais espertas,
aposto que tinha muito homem que até ia lavar
umas cuecas no fim de semana.



Foto enviada pela Naná, freqüentadora

silenciosa deste blog e amiga do orkut.

24 agosto 2007

Política de Caras

Ser presidente é cool. É, mais do que fazer política, é uma chance de fazer marketing pessoal. Tudo virou uma grande festa de Caras, tudo é um eterno parecer ser. Todo mundo quer ser famoso e bonito, não basta ser influente ou ter poder.

Esta semana, fotos oficiais do presidente da Rússia sem camisa atravessaram o mundo. Aos 54 anos, Vladimir Putin adora posar de Rambo, e escreveu não leu, tira a camisa e desfila feito gorila em zoológico. O ensaio abriu uma grande discussão na imprensa sobre o físico do presidente, e na internet rapidamente se ironizou que as fotos mais pareciam saídas do filme Brokeback Mountain – a saga de amor proibido entre dois vaqueiros – do que das férias de um mandatário.
Agora, o direitoso presidente francês Nicolas Sarkozy teve as dobrinhas de catupury da barriga estrategicamente apagadas em fotos que posa de homem selvagem, em férias nos EUA. A Paris Mactch simplesmente tascou um photoshop em cima da banha e publicou a imagem que o fanfarrão gostaria de ter.
Quando os comunas apagavam – sem photoshop, à mão, com muita arte e criatividade – os indesejáveis das fotos históricas, por que tinham sido mandados pra Sibéria ou jaziam com uma picareta enterrada na cabeça, as tais democracias e jornais gritavam: “que horror, como alguém ousa manipular a verdade de uma foto?”.

Pois é. Vivemos em tempos pós-modernos em que a forma é formante, como lembra meu guru especialista em tudo, Michel Maffesoli. Parecer ser é tão importante quanto ser. Ou seja: as aparências não enganam, revelam. Porque a vontade de ser o que não se é, diz muito.
Aqui em Pindorama, como a imprensa ama apaixonadamente o Lula, o presidente desfila de sunga pelos jornais sem nenhum retoque. Barrigão, pelos, gordurinha e o escambau tão lá, pra serem vistos, chacotados e criticados. Isso não indica que nosso jornalismo é melhor, apenas mostra de que lado está. E que o Lula se acha tão bom que não tá nem aí pro que vão falar dele. Em época de estrelas, qualquer esforço é válido pra viver a fama.

21 agosto 2007

Cumbucas e micuins

Todo suplemento cultural de revista e jornal de quinta categoria, sempre traz uma entrevista pingue-pong – respostas curtas pra perguntas diretas. E entre os questionamentos, a indefectível “qual a palavra mais linda da língua portuguesa?”. Quando eu era criança, em que os concursos de miss ainda tinham alguma credibilidade, o Pequeno Príncipe se tornou o livro mais “lido” pelas misses, todas o indicavam. Tanto que gerou a piada de que é um livro de “alta” literatura quando se quer chamar alguém de inculto – o que é burro, porque o livro é bom, mas foi encarcerado na prateleira de auto-ajuda, quando não é.

Buenas, volto pra palavra mais linda da língua portuguesa. Nove entre 10 respostas apontam sempre o mesmo – e aposto que não preciso nem dizer que todos já sabem. Qual? Qual? Qual? Saudade, o único sentimento exclusivo da língua portuguesa. Sai o Pequeno Príncipe, entra a pieguice pseudo-letrada.

Eu tenho fascínio por muitas palavras, mas pela sonoridade, não propriamente pelo sentido. Gosto dessas palavras que enrolam dentro da boca, dão cambalhota, obrigam a língua a trabalhar em dobro. Ou das que vibram nas bochechas, reverberando dentro do ouvido.

Por exemplo: não consigo falar libélula sem achar que a língua vai saltar da boca. É um verdadeiro triplo mortal carpado. Assim como dislalia, que, ao menor descuido, pode espirrar mil perdigotos no interlocutor.

Áh, perdigoto é supimpa. Começa linear como um passeio no campo, e duma hora pra outra, um abismo se abre no tônico, despencando morro abaixo: perdigôôôôto. Assim como supimpa tem a sonoridade do naipe de sopro das bandinhas de colégio, com direito à xilofone e tudo.

Já que estamos nas bandas, que tal cumbuca? O que falar de cumbuca? É uma verdadeira escola de samba dentro da boca, com todas as percussões possíveis. Falta só a cuíca – outra unidade da língua bonitinha, que parece um sagüi chorando ao luar. Tá, agora lembrei de sagüi, com esse som que parece linguagem de bebê, desses que a gente fala arreganhando as bochechas pra fazer voz de pato. Putz, e bo-che-cha? Já me vi com as maracas na mão dançando rumba. Bochecha é sexy, vai dizer que não?

Não sei por que, mas rumba me lembrou micuim. Que criança das antigas não foi alertada pra não rolar na grama, em dia quente de verão, que os micuins iam pegar? O bom de micuim é que, além de ser uma entidade etérea, é como se houvesse um briga entre as sílabas, ninguém casando com ninguém. Começa com um mi átono, fraco, verdadeiro bundão. Daí passa pra cu, que não podemos negar, se impõe com personalidade e força. E termina no im tônico, apesar da pouca expressividade, que mais parece cachorro que levou pedrada e saiu ganindo rua a fora. Mas pelo conjunto, micuim poderia ser um palavrão, daqueles bem sujos e cabeludos.

Acho saudade muito insossa. Pirulito, almôndega, cacareco, fuinha, trolha e tantas outras palavras soam tão mais lindas. Tá, eu sou esquisito, mas me divirto muito mais com a língua. Pelo menos eu tento.

19 agosto 2007

Picuinhas cotidianas

É cruel pensar assim, mas quase tudo na vida acaba caindo no mesmo buraco: dinheiro. Tenho uma amiga qualificadíssima, que depois de 10 anos ralando numa empresa, ganhou cartão vermelho. Pagando apartamento e carro, questiona agora onde está o futuro.

Outra amiga, 20 anos, ralando pra pagar a faculdade, num estágio em que ganha mal e acaba em desvio de função, cheia de divergências com a família, tenta descobrir como se emancipar e tomar as rédeas da vida.

Eis o vil metal ditando regras e nos fazendo priorizar coisas e situações que não seriam as mais importantes. Mas como fugir disso? Indo morar numa caverna e dando as costas pra civilização?

Fiquei com água na boca imaginando o prêmio acumulado da mega sena caindo na minha mão. A previsão é de R$ 33 milhões pro sorteio de quarta-feira. Áh, gente boa, é muita grana pra quem compra pantufa de R$ 1,99. Ia poder ajudar tanta gente e ainda ficar com uma tremenda bolada pra viver de papo pro ar. Preocupar-me mais com o que interessa e deixar de lado tanta mesquinharia que transforma as relações num inferno.

A questão é saber se caráter é suficiente pra barrar as deformações que a liberdade financeira traz. Tenho medo de que a falta de amarras com as picuinhas cotidianas possa gerar criaturas do mundo de Caras, só preocupadas consigo mesmas e com o parecer ser.

Mas sinceramente? Eu gostaria muito de correr esse risco. E deixar pra pensar nisso tomando um drinque em alguma praia deserta de uma ilha paradisíaca da Grécia. Quero ser fútil, nem que seja por um dia.

16 agosto 2007

A dura luta pelo glamour diário


Cansei de ver a Regina Duarte fazer papel de virgem de 15 anos aos 65.
Cansei de ver a Hebe falar tanta idiotice e circular entre os novos ricos fichados na polícia federal – ou os que deveriam ser.
Cansei de ver a Ivete Sangalo cantar sempre a mesma insuportável música e carregar no sotaque baiano de mentira.
Cansei da frivolidade mulherzinha resignada da Ana Maria Braga.
Cansei dessa palhaçada marqueteira, absolutamente sem nenhum fim social, que o mal-sucedido João PSDB Dória Junior e o arrivista D’Urso, comandante da OAB de São Paulo – um conhecido diretório de frustrados possíveis políticos neo-liberais direitistas – estão fazendo.

Nem a brincadeira inicial de que todos vão protestar vestidos pela Daslu tem graça. É grotesco demais, é oportunista demais. Essa não é e nunca foi a indignação dos brasileiros, mas da elite acostumada a champanha francesa e caviar em vôos de primeira classe pelo mundo. E que fala cinco línguas, mas não conhece o significado de povo em nenhuma delas.

O que eu gosto de ver é que todos dizem que estão protestando sem interesse próprio, fazem por essa tal entidade chamada povo. Mas, se publicidade farta garantir patrocínio para montar peças teatrais financiadas por empresários simpatizantes, se render muitas capas de Caras, se vender discos e turbinar a audiência de programas de TV decadentes, tá limpo. E se o marketing golpista conseguir emplacar uma nova turma de neo-liberais direitosos dentro das prefeituras, assembléias e o congresso, melhor ainda. Mas o supra sumo seria assistir a volta de um presidente da elite chique e bem-nascida dos pensantes, alguém com estirpe, saca?, alguém que se possa chamar outra vez de rei - que não seja o Roberto Carlos.

Leio que a Sé impediu que o amigo D’Urso faça o protesto dentro da catedral, em São Paulo. E agora, dona Cora? A Daslu estará disposta a receber Hebe Camargo e sua trupe? Vou assistir, ansioso, toda a cobertura no Amaury Jr. Porque não sou chique, mas me fascina a dura luta pelo glamour diário.

13 agosto 2007

Rede solidária

Já contei aqui que tinha o maior preconceito com blogs. Achava que era coisa de exibicionista que não tinha nada pra fazer ou de poetas frustrados. Até que a Marcia fez o Patifaria e conseguiu mudar minha volátil cabecinha.

Nesse tempo em que estou blogando, já encontrei de tudo: gente legal, chata, agressivos, amáveis, inteligentes, os que não voltaram, os que ficaram. Realmente descobri e aprendi muita coisa, seja como eu me comporto, seja como os outros reagem ao que escrevo.

Uma coisa muito legal é esse movimento de solidariedade que rapidamente se instala quando algo acontece. Antes eu achava que isso era vazio, pró-forma, mas percebo agora que não. Os laços que se estabelecem, mesmo não sendo presenciais, desprovidos de um prévio conhecimento, limitados pelo instante em que alguém surge na tela como um texto, para só então ganhar corporificação, sentimentos e atitudes, carregam verdade. Sempre que lancei um S.O.S tive resposta. E mesmo quando não lancei, ela veio.

Este post aqui de baixo é um exemplo – dentre muitos outros, envolvendo tantas pessoas amigas. Classificado de escatológico, resumia uma décima parte de como eu me sentia nos últimos dias. Entre os muitos votos de melhora, e os conselhos pra tentar apressar a cura, a Sueli Halfen foi direta ao sacar os 29 anos de experiência como farmacêutica e bioquímica: virose. Em longos e divertidos mails, escritos com uma fluência e um bom humor que tornam a tecnicidade do assunto interessante, indicou várias possibilidades pra eu acabar logo com o problema. Em pleno domingo à tarde, se dispôs a conversar com um moribundo, tirar dúvidas, ajudar no que fosse possível.

Depois de longas cinco noites sem dormir, ontem foi a primeira vez que consegui descansar um pouco. Já estava decidido a procurar um médico, ver disponibilidade de horário – que raramente é pro mesmo dia –, enfrentar a habitual bateria de exames – que se arrastam por dias –, esperar os resultados, voltar ao médico e pagar uma fortuna em consultas particulares. Mas cinco horas depois de ter tomado o que a Sueli me indicou, eu já podia escalar o Himalaia, tal a diferença que sentia. Note bem, não estou aqui desmerecendo o trabalho médico, mas há soluções rápidas pra problemas simples que não estão ao nosso alcance.

Em suma: o blog salvou minha vida. Tá, exagerei nessa, mas me arrastei feito lagartixa manca e sem rabo todo esse tempo, esperando passar a puta gripe, quando era uma puta virose. E bastou alguém disposto a ajudar, com conhecimento, pra tudo se resolver – gracias, Sueli. São esses laços, baseados na camaradagem, que tornam a internet um veículo de possibilidades únicas. Algo de muito bom ainda há de vir disso.

10 agosto 2007

Mucoverde

Sabe quando você tá sem saco pra fazer qualquer coisa? Não tem vontade de ler, de escrever, de navegar. Não tem paciência pra atravessar um texto com mais de dois desenhos. E fica morgueando feito uma alma penada, cabeça ao vento, dedos dispersos, sem saber se é um homem ou uma lesma.

Junte a isso uma gripe fiádaputa, daquelas que você nem imagina que existe, de tão porrada que é. Que moem os ossos em pedacinhos tão pequenos que o cóccix vai parar no crânio e o crânio na pélvis.

Voilà! Eis meu estado nos últimos dias. Apesar de não ter anotado o número do trem que me atropelou, hoje consegui colar o último pedacinho que faltava da tampa. E percebi que grande parte da massa cinzenta foi trocada por uma outra massa, mais cremosa – blergh –, esverdeada – bleeergh –, abudantemente auto-gerativa – bleeeeeeeeergh.

Mas tudo bem. Dizem que os neurônios têm grande capacidade de fazer novas conexões. E com tanta meleca grudenta entre os miolos, algo vai colar com algo. Em breve, esse bloguinho deve retomar ao ritmo normal. E eu, quem sabe, adquira novos talentos antes impensados.

E agora dá licença que o velho vai tomar o anti-histamínico. Verde muco não é minha cor preferida.

02 agosto 2007

Perdigotos de sabedoria

Tô desolado. Muito desolado. Quem acompanha esse bloguista sabe o quanto lutei pela supremacia do amor. E agora descubro que a Thammy e a namorada romperam depois de seis longos meses, duas capas de revistas de nu artístico e uns filminhos eróticos - gostei do redator da notícia, que fez questão de nos dizer que o “namoro” entre as duas era um “relacionamento lésbico”. Ou eu desaprendi o conceito de namoro ou o preconceito continua comendo solto. Decididamente, eu não acredito mais no amor.

E pra aqueles que me acusam de só falar de sexo, vou falar de sexo. Sexo pudicamente tachado de bizarro. Melhor: bestialidade. Na hipercivilizada Holanda, um homem deu queixa que sua fofíssima ovelinha foi abusada. A polícia está apurando se foi sexo consensual ou não. Pela lei, só se houver dor na hora de comer animaizinhos os abusadores vão pro xilindró. Estando ou não os animais – ambos os dois – in love. Decididamente, eu não acredito mais no amor [2].

Tá, a foto não tem nada a ver com o caso, mas o amor é lindo

E olha quanta fé: um nepalês resolveu dar uma mãozinha pra deusa hindu Kali. Deve ter pensado: eu dou uma mãozinha pra ela, ela dá uma pra mim. Está no hospital, esperando receber a mãozinha que amputou de volta. Mas parece que a deusa não ficou muito comovida com a oferenda, porque os médicos não falam em reimplante. Se fosse esperto, tinha dado o cérebro. Ia fazer bem menos falta.