28 setembro 2007

Fogueira

Ela rala e corre e cobra e vai e exige e manda e quer e impõe e grita e bufa e xinga. Mas no final, que vive melhor é ele.

Sexismo à parte, quem afirma isso é essa pesquisa aqui, não eu - entenderam? não sou eu.

Relaxem, garotas, o patriarcado não foi construído em um dia – mas por favor, parem de odiar os pais. Esse sentimento só faz mal a vocês mesmas -

26 setembro 2007

Pois é

Eu admiro a ingenuidade. Assim como a credulidade. Deve ser tão bom quando a gente não consegue ver o óbvio que machuca; acreditar em imagens absolutas, em bondades absolutas, em idoneidades absolutas. Ficamos livres de sofrer ou ter que dar explicações. É um idílio perfeito.

O problema é quando transpomos isso pra política. E não é nada difícil perceber que grande parte dos cidadãos que se posicionam no panorama político deste país se expressa assim, ingenuamente, crendo só naquilo em que quer ver. Por isso há uma grande verdade dominante, aja o que houver: o diabo no mundo é vermelho; o único mal brasileiro em 500 anos de história carrega uma estrela amarela no meio da testa; se a sujeira do PSDB – e de qualquer outro partido, sejamos justos – foi magistralmente guardada embaixo do tapete, numa bela orquestração de uma parcela do poder, da sociedade e da mídia, foi, na verdade, culpa do PT. Tudo é culpa do PT.

A máfia dos exames e ambulâncias nunca existiu antes de 2003. Nem a das empreiteiras. Nem a dos livros escolares superfaturados e das merendas estragadas. Mesmo que réus e evidências digam que essas falcatruas já existiam antes. É tudo ilusão.

E agora, mais um senhor idôneo confessa que a compra de votos, de afinidades e de ajuda dentro do Congresso já existiam – vejam só – no governo do príncipe FHC – matéria da Folha anexada abaixo.

Eu, como um cínico contumaz, que se declara petista e enfia o dedo na ferida do próprio partido, quero respostas: quem da alta cúpula do PT não foi competente pra abafar isso, hein?

__________________________________________________
FOLHA DE SÃO PAULO
Quinta-feira, 26 set. 2007

AZEREDO AFIRMA QUE AJUDOU
NA CAMPANHA DE FHC EM 98

Segundo senador, dinheiro arrecadado
foi usado por comitês do ex-presidente

Sobre Walfrido, o tucano diz que o ministro não tinha o papel
de coordenador, mas que "participou da campanha ativamente"


ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Pivô do escândalo que colocou o PSDB sob suspeita de ter se beneficiado do valerioduto, o senador Eduardo Azeredo (MG) afirmou que prestações de contas de campanhas políticas, no passado, eram mera "formalidade", que não "existia rigor". Azeredo disse que teve "problemas" ao prestar contas, mas que a campanha envolvia outros cargos e partidos. Disse que contou na eleição para o governo de Minas, em 1998, com o apoio do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), inclusive na captação de recursos. Segundo o senador, Walfrido não tinha o papel de coordenador, mas participava de tudo. Azeredo afirmou ainda que o dinheiro arrecadado para sua campanha -oficialmente foram gastos R$ 8,5 milhões- foi usado para campanhas de deputados e senadores da sua coligação e, até mesmo, do então candidato à Presidência Fernando Henrique. "Ele não foi a Minas, mas tinha comitês bancados pela minha campanha."

FOLHA - A Polícia Federal diz que houve caixa dois na sua campanha...
EDUARDO AZEREDO - Tivemos problemas na prestação de contas da campanha, que não era minha só, mas de partidos coligados, que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República.

FOLHA - Que "problemas"?
AZEREDO - Essas prestações de contas no passado eram mais uma formalidade, é hipocrisia negar isso, não existia rigor. O que se conclui é que no caso de Minas, a minha [prestação] foi a mais alta naquele ano, foi ela que se aproximou mais da realidade. E se concluiu que houve recursos a mais que não chegaram a ser formalizados.

FOLHA - O sr. acha que sua campanha custou quanto na verdade?
AZEREDO - Os R$ 8,5 milhões que informamos e alguma coisa a mais que teve do empréstimo que eu não autorizei. Mas nunca perto dos R$ 100 milhões que estão falando.

FOLHA - Qual foi a participação do Walfrido na campanha do sr.?
AZEREDO - Ele não foi coordenador [da campanha], o coordenador foi o ex-deputado Carlos Eloy, mas é evidente que o Walfrido participou da campanha ao meu lado ativamente.

FOLHA - De que forma? Na parte política ou na captação de recursos?
AZEREDO - Participou da campanha como um todo.

FOLHA - A PF achou papéis em que o ministro fez anotações de valores arrecadados. Ele tem conhecimento dos valores não contabilizados?
AZEREDO - Acho que ele é quem deve explicar. Cabe a mim dizer que ele participou da campanha, mas não era coordenador.

FOLHA - Mas o senhor disse que ele participou de toda a campanha, o que me faz concluir que também da parte de arrecadação de dinheiro.
AZEREDO - É evidente que ele tinha relações com pessoas que podiam apoiar a campanha.

FOLHA - Com relação ao empréstimo que o ministro Walfrido disse que pagou em seu nome por dívidas de campanha. O sr. pediu para ele?
AZEREDO - Como não tinha e não tenho até hoje posses que me garantam tirar empréstimo bancário maior, o Walfrido é que tirou o empréstimo, com meu aval para quitar a dívida.

FOLHA - O sr. vai pagar o ministro?
AZEREDO - Não. É uma dívida que foi quitada porque ele é meu amigo, continua sendo e tem condições de poder arcar com uma dívida dessas.

FOLHA - Com relação ao PSDB, o governador José Serra não quis comentar sobre o senhor.
AZEREDO - Sempre tive apoio do partido e tenho total confiança de que terei o apoio necessário no momento necessário. Serra me deu não só solidariedade, mas apoio também.

FOLHA - O dinheiro da sua campanha financiou a de FHC em Minas?
AZEREDO - Sim, parte dos custos foram bancados pela minha campanha. Fernando Henrique não foi a Minas na campanha por causa do Itamar Franco, que era meu adversário, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.

FOLHA - Por que o senhor acha que esse assunto voltou à tona agora?
AZEREDO - O PT colocou esse assunto no seu congresso porque não está satisfeito com a presença de um ministro [Walfrido] que não seja do seu partido e como compensação para o desgaste que o partido sofreu pela aceitação do STF de abertura do processo do mensalão.

20 setembro 2007

Filme plástico

Brazil, o filme (1985), de Terry Gilliam

Ser velho hoje em dia é um momento de muito prazer pra uma parcela da população. Até mesmo porque o conceito de velhice mudou. Sem essa de alguém de 70 anos ser visto com decrépito. Quem pode pagar plano de saúde, alimentar-se bem e se cuidar, taí aproveitando a vida e se divertindo. O que faz muito bem.

Ontem, véspera de feriado em Porto Alegre, o shopping Bourbon – que tem uma sensacional livraria Cultura e um novo e moderníssimo teatro – estava lotado. Um show de tango de um grupo de Buenos Aires e bilheterias vendendo ingressos para o Disney no Gelo faziam uma multidão se aglomerar nos corredores.

Buenas, é aí que morava o perigo e não percebi. Gastei umas três horas de felicidade plena no meio dos livros e, ao sair, juro que pensei estar no labirinto dos horrores. A quantidade de plástica mal feita por metro quadrado era de arrepiar o cabelo. Nunca vi tanta boca com silicone, tanta bochecha esticada, tanto olho arregalado, tanta tintura acaju em barbas e cabelos, tanta maquiagem tentando soterrar rostos marcados pelo tempo.

Quero envelhecer com energia, mas sem virar um pastiche de mim mesmo aos 40. Se fizer plástica, será pra melhorar, não pra assustar. É um preço muito alto perder a própria identidade pra tentar iludir os outros de que a idade não passou. Fico imaginando qual a sensação de se olhar no espelho e não se reconhecer. De sempre explicar que aquela pessoa na foto antiga é você, apesar de parecer um outro completamente diferente. Vaidade é bom, mas essa que deforma me apavora.

Tenho curiosidade em saber como a mente processa isso. Já contei aqui que nos sonhos ainda tenho a casa em que nasci e vivi grande parte da minha vida como referencial de lar. E essas pessoas, qual o referencial que usam quando sonham, os rostos originais ou os fabricados? Será que alternam um e outro como se fosse uma dupla personalidade? Como lidam com um “eu” que é um “outro”?

Pior foi ver no meio daquele circo de horrores que muitos dos que nem chegaram aos 40 já são clones dos de 70 – ou seria o contrário? Todo mundo quer parecer igual a um rolo de filme plástico. Todo mundo quer ter a mesma cara, usar as mesmas roupas, ir nos mesmos lugares. Todo mundo quer ser uno, desde que seja todo mundo. Nem as rugas podem ser singulares, têm que ser repuxadas igual.

Por isso uso a tática do avestruz: fujo de lugares em que posso encontrar comportamentos como esses. Tenho medo de ter a alma fraca e acabar mimetizando alguma coisa. Até porque acaju é um tom que não me cai bem.

17 setembro 2007

Estupro mental

Quem acompanha esse blog sabe que sou petista. Voto no PT desde a primeira eleição livre, lá naquele perdido 1985 pós-ditadura. Mas isso não me impede de mostrar meu profundo desagrado com o rumo que o partido trilha. Quando o Lula tem a pachorra de dizer “Não acho que haja impunidade” no caso Renan Calheiros, merece a morte política que o aguarda. E como ele sempre sabe piorar as coisa, foi mais longe: “A sociedade fica achando que precisa prender. Mas para prender, é preciso ter mecanismos”. Lula está certo: precisamos de um governante e um Congresso pra isso. Coisa que, parece, não temos.

Muito provavelmente, Lula vai da presidência para o limbo. Não imediatamente, é claro, ainda terá uma sobrevida política. Mas será lembrado como o presidente que impediu o estabelecimento de uma ordem moral na política. O presidente que salvou amigos e correligionários da forca. Ninguém vai falar que o Brasil saiu da linha da miséria no governo dele. Que milhões de pessoas deixaram de morrer por receber um auxílio mensal irrisório. Que a taxa de juros caiu como em nenhum outro período da história, possibilitando o início de um crescimento econômico.

Lula vai ser conhecido como o presidente que deu continuidade ao trabalho de Fernando Henrique Cardoso – este, sim, cultiva uma bela imagem de grande estadista de nível internacional. E no entanto, o grande feito de FHC foi estancar a inflação, ainda quando era ministro de Itamar Franco. Mas a um preço tão absurdamente alto, que a recessão imperou por mais de década, intensificando a pobreza, o desemprego, a saúde e afundando o país. Isso sem falar na farra das privatizações, maior distribuição de favores que um governo poderia fazer.

Alguém que é capaz emitir comentários como esses num momento em que se pede respeito moral, realmente merece o limbo. Lula devia ser proibido de abrir a boca até pra respirar. Talvez daí ganhasse algum crédito pelo que vem fazendo, apesar do muito que ainda falta fazer. Usando uma idéia do boçal e estúpido Maluf, outro grande frasista da política, eu peço: matem-me de uma vez, mas chega de estuprarem minha frágil inteligência.

15 setembro 2007

Preguiça

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. Encontrei essa frase em um folheto espírita, dentro da minha caixa de correio, quando fui pegar o jornal pela manhã.

Confesso que às vezes preferia ser feliz como as amebas.

12 setembro 2007

5.768

Que este novo ano traga a esperança de um mundo melhor pra se viver. Em paz com as diferenças, crenças e opiniões. Um lugar em que a religião seja apenas expressão de fé, e nunca um belicoso armamento da política.

Shaná Tová U-metuká!

11 setembro 2007

Vice

Lutei a vida toda pra ser A em tudo,
pra me superar,
e um maldito exame de sangue me pôs no meu lugar.
Bati na trave, sou B+.






07 setembro 2007

Escola do saber

André Luiz Martins Di Rissio Barbosa acaba de ser nomeado professor da disciplina de “inquérito policial” da Academia da Polícia Civil de São Paulo. Vai ensinar como uma investigação deve ser clara, precisa e honesta para proteger o suspeito e resguardar os direitos do Estado. Tudo conforme prevê a lei.

Di Rissio devia ensinar “economia doméstica’” aos policiais. Com o salário de delegado – em torno de R$ 7.000 –, tem apartamento de de R$ 1 milhão num bairro nobre de São Paulo, dois Jaguar blindados, além de pequenos mimos, como uma coleção de Rolex e muitas jóias, essas coisinhas que compõem a vestimenta "oficial" dos delegados.

Di Rissio é acusado pelos Ministérios Públicos estadual e federal de falsidade ideológica, uso de documentos falsos, descaminho, contrabando e corrupção ativa, entre muitos outros crimes. Já foi preso três vezes, mas sempre solto por liminares da Justiça.

Di Rissio será professor e ninguém poderá fazer nada pra impedir isso. Tudo no maior respeito, porque assim determina essa senhora idosa e caduca chamada Lei.

03 setembro 2007

Nó górdio

Essa bomba eu descobri no final de semana: meus caminhos estão fechados. É, completamente enosados. O diagnóstico foi dado pela faxineira do meu irmão, que postula haver uma interrupção de vias quando o vivente dá um nó nas meias antes de guardar. O gesto impossibilitaria o livre andar e o cara vai cambaleando pela vida.

E eu, com um gavetão cheio de nozinhos, não chego nem na padaria da esquina. Vai ser o reinado da tele-entrega. Buenas, na verdade vou esperar até sexta pra ver se a minha faxineira confirma essa história. Daí eu vejo o que faço.

01 setembro 2007

Betoneira

Se ele tivesse um tanquinho do post aqui debaixo, aposto que isso não acontecia.

PEDREIRO É FLAGRADO TRANSANDO COM UM MURO
Renê Moreira
Último Segundo/IG

Uma cena no mínimo muito estranha foi presenciada na madrugada desta sexta-feira por uma dona-de-casa de Franca. Ao ouvir um barulho no quintal de sua casa, levantou da cama e foi ver o que acontecia. Teve então uma tremenda surpresa ao se deparar com o vizinho, um pedreiro de 59 anos, transando com o muro.

A cena deixou a mulher perplexa e de imediato ela acionou a polícia. Ela contou que o vizinho, A.G.M, estava com suas partes íntimas de fora penetrando um buraco no muro, sussurrando e acariciando a parede bastante áspera. O mais incrível é que levado ao plantão policial, o acusado confessou tudo e garantiu que estava arrependido.

Já a mulher contou que há tempos vinha desconfiando dos comportamentos estranhos do vizinho, que teria mexido com sua filha de apenas dez anos há poucos dias quando a mesma voltava de uma padaria. Entretanto, ela diz que não esperava nunca ter visto uma cena tão grotesca como a que presenciou no muro que divide sua casa com a do pedreiro, na rua Egídio de Castro Oliveira, no Jardim Aeroporto.

O escrivão de polícia Rogério Primo contou que o acusado já esteve preso por atentado violento ao pudor. Dessa vez acabou indiciado por importunação ofensiva ao pudor e liberado algumas horas depois e, ao contrário do que se imagina, não apresentava sinais de qualquer tipo de distúrbio mental.

Antes de deixar a delegacia, durante o período em que permaneceu no local, o pedreiro ficou de "castigo" lendo um livro religioso sobre direitos humanos que fica plantão policial. E ao deixar o distrito garantiu ter aprendido muito com a obra. De todo modo será investigado pela polícia, que quer saber se ele não está envolvido em algum outro crime de ordem sexual registrado na região.