20 setembro 2007

Filme plástico

Brazil, o filme (1985), de Terry Gilliam

Ser velho hoje em dia é um momento de muito prazer pra uma parcela da população. Até mesmo porque o conceito de velhice mudou. Sem essa de alguém de 70 anos ser visto com decrépito. Quem pode pagar plano de saúde, alimentar-se bem e se cuidar, taí aproveitando a vida e se divertindo. O que faz muito bem.

Ontem, véspera de feriado em Porto Alegre, o shopping Bourbon – que tem uma sensacional livraria Cultura e um novo e moderníssimo teatro – estava lotado. Um show de tango de um grupo de Buenos Aires e bilheterias vendendo ingressos para o Disney no Gelo faziam uma multidão se aglomerar nos corredores.

Buenas, é aí que morava o perigo e não percebi. Gastei umas três horas de felicidade plena no meio dos livros e, ao sair, juro que pensei estar no labirinto dos horrores. A quantidade de plástica mal feita por metro quadrado era de arrepiar o cabelo. Nunca vi tanta boca com silicone, tanta bochecha esticada, tanto olho arregalado, tanta tintura acaju em barbas e cabelos, tanta maquiagem tentando soterrar rostos marcados pelo tempo.

Quero envelhecer com energia, mas sem virar um pastiche de mim mesmo aos 40. Se fizer plástica, será pra melhorar, não pra assustar. É um preço muito alto perder a própria identidade pra tentar iludir os outros de que a idade não passou. Fico imaginando qual a sensação de se olhar no espelho e não se reconhecer. De sempre explicar que aquela pessoa na foto antiga é você, apesar de parecer um outro completamente diferente. Vaidade é bom, mas essa que deforma me apavora.

Tenho curiosidade em saber como a mente processa isso. Já contei aqui que nos sonhos ainda tenho a casa em que nasci e vivi grande parte da minha vida como referencial de lar. E essas pessoas, qual o referencial que usam quando sonham, os rostos originais ou os fabricados? Será que alternam um e outro como se fosse uma dupla personalidade? Como lidam com um “eu” que é um “outro”?

Pior foi ver no meio daquele circo de horrores que muitos dos que nem chegaram aos 40 já são clones dos de 70 – ou seria o contrário? Todo mundo quer parecer igual a um rolo de filme plástico. Todo mundo quer ter a mesma cara, usar as mesmas roupas, ir nos mesmos lugares. Todo mundo quer ser uno, desde que seja todo mundo. Nem as rugas podem ser singulares, têm que ser repuxadas igual.

Por isso uso a tática do avestruz: fujo de lugares em que posso encontrar comportamentos como esses. Tenho medo de ter a alma fraca e acabar mimetizando alguma coisa. Até porque acaju é um tom que não me cai bem.

32 comentários:

maristela disse...

Lavei a alma com este post! Tenho a mesma sensação horripilante. Pior: os planos a longo prazo, com financiamento, para "retoques", tem aumentado não só o número de cirurgia mas o acesso econômci de quem antes tinha outras prioridades. sei de gente que não tem para o super, mas financiou seu sonho em mãos "barateiras". e sei de garotas da idade da manu que já mexeram em nariz, peito e bunda. Pior é ver um mundo de clone de boca revirada de glória menezes nas mulheres sem sem autocrítica e olhos de pomba (sem pálpebra inferior, de tão repuxada) dedé dos trapalhões nos machos sem noção. um quadro da dor total!

Adriana Amaral (Lady A.) disse...

tenho um grande amigo que diz uma frase que mata a charada:

"ainda não inventaram botox pra alma"

bjos e bom feriado

Graziana disse...

texto excelente, como sempre!
estas cirurgias na maioria das vezes só deformam as pessoas...

Penkala disse...

hagen, quando eu cheguei a poa, uma coisa que eu me assustei foi a grande quantidade de mulheres pra lá dos 70 vestindo roupas de adolescente e com aquela incrível dupla cabelo armado de tania carvalho com cara repuxadíssima de sei lá eu quem.

dignidade em qualquer idade. mas quando se é velho, mais, né? não por que velhos devam ser os vovôs do imaginário ocidental. mas porque velhos devem ter tido a chance que só o tempo dá pra adquirirem toda a sabedoria que um ser humano deve ter (e consegue ter). e não tem coisa mais ridícula que tentar enganar os outros com plásticas na cara que só adicionam uns 10 anos.

que-medo.

ederson disse...

lendo o texto lembrei de duas coisas: do Admirável mundo novo, que eu li há pouco tempo, e de uma nota recente num site de fofocas que dizia algo como "Fábio Junior fez tanta plástica que ficou com a cara do Moacir Franco".

marcia disse...

não gosto da palavra "velho", quando nos referimos a pessoas, pois acho que ela não se aplica a todos os casos igualmente. na verdade, não tem a ver com a idade biológica, e sim com vitalidade. quando alguém perde a vitalidade? aos 80, aos 90? de todo modo, ninguém perde a vitalidade por completo, e sim em alguns setores específicos, e isso é paulatino.

quanto às plásticas, o problema é que elas estão deformando as pessoas, deixando-as exatamente sem vitalidade. não tenho nada contra plásticas. o único problema é quando retiram, da pessoa, o seu melhor: a expressividade.

Sean Hagen disse...

*



MARISTELA
me cago de medo dos olhos de pomba.
vixi.
todos ficam com aquele olho redondo, arregalado, com a parte debaixo revirada.
vou cruzar os dedos pras técnicas evoluírem rápido.



ADRIANA
lembro dessa frase quando vc falou lá no alier das massas.
e é perfeita.


GRAZI
o que as pessoas buscam não é só uma estética, é uma maneira de sentir a vida.
e isso, a plástica não dá.
terapia seria muito mais apropriado.



PENKALA
plástica bem feita é muito legal.
rejuvenesce sem mudar o rosto.
mas não apaga ruga, apenas atenua.
o problema é quando estica pra apagar.

putz, e qualquer uma com mais de cinco anos vestida de xuxa é foda, né?



EDERSON
os vermes e minhocas já sabiam muito antes que gosto os humanos têm.

o fábio júnior é o monstro do lago negro.
nem hiroshima deformou tanto.



MARCIA
hum.
sabia que essa crítica viria.
mas eu acho que a palabra exata é 'velho', sim.
é assim que falamos quando não racionalizamos. é assim que expressamos quando sentimos. não gosto muito do politicamente correto que tenta mascarar as coisas pondo-as ainda mais em evidência.

e claro que minha ironia não se aplica a TOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOODOS igualmente. comecei o texto falando em 'parcela', ué. limitei meu olhar cruel aos freqüentadores do teatro, naquele corredor do shopping. acho que bem específico.

dexei claro, acho, que não se pode mais chamar alguém de decrépito aos 70, isso não condiz com a realidade - apesar da minha sobrinha de 15 me achar uma múmia.

putz, e eu também não sou contra as plásticas. até disse que faria, mas pra melhorar, não pra piorar.

pelo menos nas deformações, acho, a gente concorda.

ufa, nem tudo está perdido.





*

Penkala disse...

hagen,
sim, plástica bem feita, beleza. por que não melhorar? o que eu acho triste é que no rosto, a não ser as pequenas arrumadinhas (o nariz quase sempre fica bem bom), sempre tem deformação. não entendo como principalmente as mulheres ainda não perceberam que repuxar os olhos, botoxiar as pelancas e arrumar a boca dá em mudança de expressão e monstruosidade. fica sempre um arremedo. o que é pior, cara de velha de 70 (é a realidade, minha senhora, o que vai se fazer?) ou cara de monstro da hollywood dos anos 40?

acho triste isso. assim como acho triste todas as mulheres colocando litros de silicone aos 16 pra parecerem mais gostosas. em geral, fica, sim, uma tigela em cada mama. horrível.

sabe PIOR A EMENDA QUE O SONETO?

;)

e, marcia, velho tem mesmo várias gradações e significados. tem "as véia aqui do lado", tem "aquele velho, só vendo raul gil e coçando o saco" e corpo velho mesmo, corpo que já passou da idade de achar que o tempo não muda. vitalidade, sim, pode ter em gente de 80 e não em gente de 30. mas olhando pro cenário que o xôn tava mostrando, velho é a melhor palavra... acho.

Rosamaria disse...

eu tenho muito medo de fazer plástica, Sean, por tudo o que foi falado, embora já esteja precisando.
achei legal a frase da Adriana: "ainda não inventaram botox pra alma" e penso que a pinta tem razão, quando muda a expressão da criatura fica órrivel!
por enquanto ainda estou de bem comigo mesma. quando pirar eu dou uma repuxada.

marcia disse...

xon,
eu entendi o post e não discordei dele. estávamos juntos naquele corredor de shopping, vimos as mesmas cenas e comentamos as mesmas coisas.

também não entendi que vc fosse contra plásticas, vc deixou bem clara sua posição. eu apenas disse a minha, que aliás é igual à sua (mas eu juro que tenho personalidade).

o que eu disse, e retomo, é um conceito de ser velho. se o cara está "aí, aproveitando a vida e se divertindo", ele é velho? deixamos de ser jovens quando saímos da cadeira produtiva do trabalho? é o trabalho, então, em uma lógica capitalista, que define juventude? discordo.


penkala,
eu discordo do termo. mas não é pra provocar polêmica. só discordo porque discordo, mesmo. :D

marcia disse...

não era "cadeira produtiva", e sim "cadeia produtiva". ato falho de quem produz, agora, sentada à frente de um computador. :(

Maroto disse...

Joguei tanta pele de urubua no lixo do hospital que era o caso de terem feito até missa de sétimo dia. Tenho mais cicatriz em volta da cabeça que o monstro de retalhos do Dr. Frankenstein. Faria tudo de novo com certeza, mas confesso que morri de medo de ficar com essa cara de 'velha portoalegrense' que você descreveu. Pior que tudo é o azedume que a gente entrevê debaixo daquela esticação. Que medo!

maristela disse...

migo, quero te desejar um belo começo de primavera neste domingo. com saúde e boa solução para todos os problemas.
bj

Lu disse...

Outro dia vi uma coisa na rua. Sim, uma coisa pois era um homem (quando nasceu) e agora tenta ser mulher. Mas era tão absurdamente horrível que não sei como ele(a) consegue andar na rua. É a segunda vez que vejo este fantoche na rua. A cara de boneca (mais parecia aquele boneco do filme que matava e agora não lembro do nome) e o corpo... nem se fala. Uma melancia era pequeno perto daquelas tetas. Simplesmente HORROSO.Além de bicha velha (nada contra os homosexuais), completamente plastificada.É o quadro da dor. Só de olhar dói... ai...
Em compensação vi outro dia o Guilherme Arantes na Tv e quase não reconheci o cara. A gente tá tão acostumado a ver os artistas de Tv sempre com a mesma cara, sem envelher naturalmente, que quando a gente vê alguém assim,com aparência natural da idade, se assusta.

BABI SOLER disse...

Infelizmente algumas pessoas pagam um preço alto pela vaidade e é isso o que acontece: sustos e horrores nos corredores por aí.
Perdem o senso do ridiculo e a própria identidade em prol de uma estetica modista e desenfreada.
Beijos e bom final de semana.

Sean Hagen disse...

*



PENKALA
pior que não.
porque tem um mundaréu de homem e mulher que faz plástica bem feita e a gente nunca percebe.
ele parecem bem e todo mundo elogia a tal "vitalidade" que a marcia falou.

esses que assustam na rua são quando a coisa deu errado. o problema, pra mim, é que o 'padrão deu errado' deixou de assustar, e muita gente nem nota o horror em si mesmo ou nos outros, já que se vê isso em todo o lugar.
ou seja: a aberração vira padrão.
medo.



MARCIA
talvez o que tenha que mudar, e acho que já está mudando, é que velho não pode ser igual a decrepitude, como eu disse no texto. mas quando vc compara 20 com 40 com 70, a idéia de mais tempo, ou seja, de "velho", vem à mente de cara. e eu diria que isso é natural, já que é uma progressão de idade em que a o físico denuncia o desgaste do corpo por mais bem que ele ainda esteja.

acho que há maneiras diferentes de sentir o termo "velho", mas grosso modo, acho que não há outra escolha.

terceira idade?
melhor idade?
maturidade?
idoso?
por zeus, fico com a pecha de velho. é mais pé no chão e não cria eufemismos boçais pro inevitável.



URUBUA
vc falou tudo.
é isso mesmo.



MARISTELA
gracias, xuxu.
que assim seja.



LU
acho o caso dos transexuais muito complicado. porque não envolve apenas querer parecer jovem, mas toda uma dinâmica de sentir e agir que não está de acordo com o corpo biológico. por mais caricatos e até doloros de ver, imagino que há muito sofrimento por debaixo de tudo aquilo. na verdade eu respeito quem tem coragem de entrar numa transformação tão radical quanto essas.

agora, quando é pura vaidade, não tenho pena de me espantar com o que vejo. talvez com o dinheiro gasto, uma boa terapia faria mais bem às pessoas. mas a essas que querem voltar a ter 25 anos quanto têm 75.



BABI
e nem notam, né?
e já pensam na plástica seguinte.





*

Ana disse...

Bahh! Minha questão é outra: morro de medo de anestesia, hospital, procedimento cirúrgico, agulhas...
Tive filho de parto normal só pra não enfrentar estas coisas... O resto é bom senso...

(
Mas ando louca pra dar uma recauchutada!! HEHEHEH!)

Lu disse...

Sean, concordo com esta questão dos transexuais é complicada. Mas realmente, este caso que falo é de chamar atenção até de cego na rua de tão estupidamente exagerado que é. Realmente é de dar pena.

Rosane Vargas disse...

Faz algum tempo, uma psicóloga (pena, não lembro o nome dela), no programa Sem Censura, disse que no Brasil as mulheres não envelhecem, ficam loiras... Cocordo com o uso da palavra velho, não acho desabonador. Vivemos em uma época de tantos eufemismos... "melhor idade" eu odeio. Com o valor da aponsetadoria e o preço dos remédios, é melhor pra quem?

Ferdibrand disse...

Muita gente acha que a cirurgia plástica, somada a todas as fórmulas mirabolantes de produtos retardadores de envelhecimento, é como um Photoshop em três dimensões. Mas não é. E os editores de imagens em nossos computadores deixaram ainda mais irreal a noção do que é beleza - em qualquer das idades.

sueli halfen ( POA) disse...

Oi !!!!!

sueli halfen ( POA) disse...

Oi !!!!!

Luís Galego disse...

que vivam as rugas, a geografia da alma, e que se lixe essa gentinha vulgar e balofa que se vende para mudar o rosto, sem perceber que se esqueceu de renovar o interior. Este post merece 5 estrelas...

fernanda disse...

acho que quem faz plástica pra disfarçar a idade é no mínimo preguiçosa, só levantam o traseiro pra passar da sala de espera pra sala de cirurgia. se dedicassem um pouco das horas do dia fazendo exercício, limpando a casa, passando adstringente no rosto, rindo com os amigos, lendo um livro que preste, teriam ideais menos fugazes e mais em conta. a mídia construiu esse circo de horrores, mas muita gente não precisaria ter comprado o ingresso. adorei teu texto, mais uma vez me diverti lendo-te. um abraço!

Chawca disse...

De perto, todos somos muito normais,,,já dizia alguém que não lembro quem é....

Mas nesse caso, esses "todos" estão ficando anormais, deformados e sem expressão...

E acaju não não cai bem em ninguém...

Um abraço

Claudia Lyra disse...

É... é difícil presenciar nosso envelhecimento... Deus nos livre do ridículo!

venuss disse...

eu sempre digo que esse excesso de repuxes não deixa a pessoa mais bonita ou mais jovem, deixa a pessoa com cara de quem mexeu no rosto. Fim. É isso. Tenha ela 30, 50 ou 70, todos ficam com cara de quem mexeu, e mal, no rosto.

Débora Elman disse...

O problema das plásticas é que elas não resolvem o dilema do envelhecer. O mundo exige juventude e não só vitalidade e esta se apresenta vinculada à imagem.Mas não acho a plástica em si um mal.Já vi muitos casos onde resolveu problemas de auto-estima, problemas posturais, retirada de sinais e manchas.Também já acompanhei botox muito bem aplicados,bolsas embaixo dos olhos retiradas com propriedade.Em tempo: gostar de si e da beleza não é demérito nenhum, basta saber o limite de cada um e até onde o valor disso cabe na vida.

Nana disse...

sabe como é que chamo aquela "cara de plástica" que tanto te surpreendeu: "cara de ventania", parece que todo mundo está enfrentando um baita temporal e fica dequale jeito, de olhos esticados e arregalados, sem as mínimas condições de ter mais nenhuma expressão. Até meu queridinho da adolescência tá virado numa "tia velha no meio do temporal". (risos).obs: velhice não é uma questão de idade!bjs

Thelma disse...

Existe no Brasil uma cultura da plástica, que realmente deixa todos com a mesma cara. Ignorância ou falta de identidade?
Tenho uma aluna que trabalha num centro de estética e que, quando me vê, começa a desfiar o rosário: "Professora, a senhora tem que dar uma retocadinha na pálpebra, na bochecha, na papada, na cintura...." e eu tenho que ficar com a mesma cara, esperando que ela termine sua "escultura" de mim.

Sean Hagen disse...

*



ANA
se tu voltar com olho de pomba, nós te banimos dos blogs e do orkut.
a boa plástica é como golpe de mestre: ninguém percebe.


LU
temos dificuldade pra aceitar o que não se enquadra, concordo contigo. deve ser terrível pra eles também.


ROSANE
salve salve e seja sempre bem-vinda!

putz, te imaginei loiraça belzebu agora. tá pronta pra encarar essa?
:p



RENATO
bem que podia ser, né?
pefeição sem dor.
eu ia querer.



SUELI
oiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!


LUIS
plástica é como livro encapado. tenta esconder o que tem de melhor.



FERNANDA
plásticas menos invasivas já seriam uma boa, né?
e lendo o que vc escreveu lembrei que tenho que deixar de ser preguiçoso e fazer algo rapidinho.
ou não vai ter plástica que me salve.


CHAWCA
como disse a Rosane em resposta antes da tua, acho que o loiro será a cor sensação.
:p


CLAUDIA
do ridículo irreparável, porque coisas ridículas eu faço o tempo todo.



VENUSS
ficam como carne embalada em filme plástico. não importa a idade que tenham.



DÉBORA
pensamos igual.
que rico.



NANA
quando nem o temporal mais dá jeito, o melhor é alugar uma turbina de avião e ligar toda vez que for sair de casa.



THELMA
diz pra tua aluna que tu topa, mas desde que ela consiga botar um pouco de cultura e sabedoria dentro da cabeça.





*

Eva disse...

Há uns anos o universo aspiracional dos brasileiros e o dos jovens de 17 anos. E essa loucura de querer ser forever young começa, acho, lá pelos 30 e alguns anos, quando as mulhres começam ase espremer em roupas justésimas e os homens usam umas camisetas cheias de figurinhas, recortes e desfiados. Depois, a coisa evolui (ou melhor, degringola) até chegar no inferno das plásticas. Velho bonito, velha bonita são coisas que não existem. pra elogiar, a gente tem que dizer que parecem tão mais jovens. E não usar a palavra velho, porque é ofensivo. Ô tristeza de mundo.