26 setembro 2007

Pois é

Eu admiro a ingenuidade. Assim como a credulidade. Deve ser tão bom quando a gente não consegue ver o óbvio que machuca; acreditar em imagens absolutas, em bondades absolutas, em idoneidades absolutas. Ficamos livres de sofrer ou ter que dar explicações. É um idílio perfeito.

O problema é quando transpomos isso pra política. E não é nada difícil perceber que grande parte dos cidadãos que se posicionam no panorama político deste país se expressa assim, ingenuamente, crendo só naquilo em que quer ver. Por isso há uma grande verdade dominante, aja o que houver: o diabo no mundo é vermelho; o único mal brasileiro em 500 anos de história carrega uma estrela amarela no meio da testa; se a sujeira do PSDB – e de qualquer outro partido, sejamos justos – foi magistralmente guardada embaixo do tapete, numa bela orquestração de uma parcela do poder, da sociedade e da mídia, foi, na verdade, culpa do PT. Tudo é culpa do PT.

A máfia dos exames e ambulâncias nunca existiu antes de 2003. Nem a das empreiteiras. Nem a dos livros escolares superfaturados e das merendas estragadas. Mesmo que réus e evidências digam que essas falcatruas já existiam antes. É tudo ilusão.

E agora, mais um senhor idôneo confessa que a compra de votos, de afinidades e de ajuda dentro do Congresso já existiam – vejam só – no governo do príncipe FHC – matéria da Folha anexada abaixo.

Eu, como um cínico contumaz, que se declara petista e enfia o dedo na ferida do próprio partido, quero respostas: quem da alta cúpula do PT não foi competente pra abafar isso, hein?

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FOLHA DE SÃO PAULO
Quinta-feira, 26 set. 2007

AZEREDO AFIRMA QUE AJUDOU
NA CAMPANHA DE FHC EM 98

Segundo senador, dinheiro arrecadado
foi usado por comitês do ex-presidente

Sobre Walfrido, o tucano diz que o ministro não tinha o papel
de coordenador, mas que "participou da campanha ativamente"


ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Pivô do escândalo que colocou o PSDB sob suspeita de ter se beneficiado do valerioduto, o senador Eduardo Azeredo (MG) afirmou que prestações de contas de campanhas políticas, no passado, eram mera "formalidade", que não "existia rigor". Azeredo disse que teve "problemas" ao prestar contas, mas que a campanha envolvia outros cargos e partidos. Disse que contou na eleição para o governo de Minas, em 1998, com o apoio do ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), inclusive na captação de recursos. Segundo o senador, Walfrido não tinha o papel de coordenador, mas participava de tudo. Azeredo afirmou ainda que o dinheiro arrecadado para sua campanha -oficialmente foram gastos R$ 8,5 milhões- foi usado para campanhas de deputados e senadores da sua coligação e, até mesmo, do então candidato à Presidência Fernando Henrique. "Ele não foi a Minas, mas tinha comitês bancados pela minha campanha."

FOLHA - A Polícia Federal diz que houve caixa dois na sua campanha...
EDUARDO AZEREDO - Tivemos problemas na prestação de contas da campanha, que não era minha só, mas de partidos coligados, que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República.

FOLHA - Que "problemas"?
AZEREDO - Essas prestações de contas no passado eram mais uma formalidade, é hipocrisia negar isso, não existia rigor. O que se conclui é que no caso de Minas, a minha [prestação] foi a mais alta naquele ano, foi ela que se aproximou mais da realidade. E se concluiu que houve recursos a mais que não chegaram a ser formalizados.

FOLHA - O sr. acha que sua campanha custou quanto na verdade?
AZEREDO - Os R$ 8,5 milhões que informamos e alguma coisa a mais que teve do empréstimo que eu não autorizei. Mas nunca perto dos R$ 100 milhões que estão falando.

FOLHA - Qual foi a participação do Walfrido na campanha do sr.?
AZEREDO - Ele não foi coordenador [da campanha], o coordenador foi o ex-deputado Carlos Eloy, mas é evidente que o Walfrido participou da campanha ao meu lado ativamente.

FOLHA - De que forma? Na parte política ou na captação de recursos?
AZEREDO - Participou da campanha como um todo.

FOLHA - A PF achou papéis em que o ministro fez anotações de valores arrecadados. Ele tem conhecimento dos valores não contabilizados?
AZEREDO - Acho que ele é quem deve explicar. Cabe a mim dizer que ele participou da campanha, mas não era coordenador.

FOLHA - Mas o senhor disse que ele participou de toda a campanha, o que me faz concluir que também da parte de arrecadação de dinheiro.
AZEREDO - É evidente que ele tinha relações com pessoas que podiam apoiar a campanha.

FOLHA - Com relação ao empréstimo que o ministro Walfrido disse que pagou em seu nome por dívidas de campanha. O sr. pediu para ele?
AZEREDO - Como não tinha e não tenho até hoje posses que me garantam tirar empréstimo bancário maior, o Walfrido é que tirou o empréstimo, com meu aval para quitar a dívida.

FOLHA - O sr. vai pagar o ministro?
AZEREDO - Não. É uma dívida que foi quitada porque ele é meu amigo, continua sendo e tem condições de poder arcar com uma dívida dessas.

FOLHA - Com relação ao PSDB, o governador José Serra não quis comentar sobre o senhor.
AZEREDO - Sempre tive apoio do partido e tenho total confiança de que terei o apoio necessário no momento necessário. Serra me deu não só solidariedade, mas apoio também.

FOLHA - O dinheiro da sua campanha financiou a de FHC em Minas?
AZEREDO - Sim, parte dos custos foram bancados pela minha campanha. Fernando Henrique não foi a Minas na campanha por causa do Itamar Franco, que era meu adversário, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.

FOLHA - Por que o senhor acha que esse assunto voltou à tona agora?
AZEREDO - O PT colocou esse assunto no seu congresso porque não está satisfeito com a presença de um ministro [Walfrido] que não seja do seu partido e como compensação para o desgaste que o partido sofreu pela aceitação do STF de abertura do processo do mensalão.

13 comentários:

marcia disse...

ah, assim não dá. o mundo é muito injusto. como é que o destino não coloca no meu caminho um amigão como o Walfrido???? :(

será que minhas meias estão com nozinhos? vou lá na gaveta verificar.

Graziana disse...

"pois é,
fica o dito e redito por não dito"

Lu disse...

Guri, tá chovendo de novo, fazendo frio de inverno em plena primavera. Pode?
Culpa do PT é claro...hehehehe!!!!

É, as vezes, só fazendo palhaçada da nossa política pra não esquentar os miolos.


Bom fimdi!!!!

Rosamaria disse...

é tudo imundícia!!!

me diz unzinho que se salve, diz.

maristela disse...

de minha parte (hehehe), que não tenho a menor vergonha de assumir minhas preferências, o pior do PT é ter-se anunciado como o incorruptível, o único capaz de mudar toda a porcaria feita desde a chegada de Cabral, o partido do trabalhador, a base da pirâmide, e ter sucumbido a todo o fascínio do poder que tanto buscou. por isso, a ele toda a culpa - especialmente por estar se mostrando nivelado aos outros e fazendo aliança até com os inimigos mais combatidos.

BABI SOLER disse...

respostas essas que nunca chegam...

e as poucas "exceções" à regra (é, piada que a regra seja o inverso, kkkkk) não tem espaço nesse cenário corrupto.

sueli halfen ( POA) disse...

Maris...o PT reformulou...não dá prá ter certeza ,né? não ponho minha mão no fogo !
Até parece que tu nasceu e te criou nas Tres Figueiras !
Dono do Blog : ACHO QUE ,PELA FOTO , TU TOMOU BANHO E TE BARBEOU !!!!

sueli halfen ( POA) disse...

PRO DONO DO BLOG :
No ISLÂ tu irias ser discriminado e até interrogado...

Falta de PÊLOS !!! claro que pela nova fotinha .

Att sueli

sueli halfen ( POA) disse...

Não gasta ATPs comigo !
Prescindo de críticas ...como não sou masoquista...aceito SÓ ELOGIOS !!!

abraços e Att sueli

PULCHRO disse...

Eu sigo
continuando não
acreditando pelo
não dito
não dito
não dito

Sean Hagen disse...

*




MARCIA
pinta usa meia-calça?



GRAZI
e são tudo uns malditos.



LU
tem sol hoje.
viva o SPDB!



ROSA
se dizer 'unzinho' ajuda eu digo: unzinho!
:p



MARISTELA
cabral era petista, o gajo?



BABI
quando a gente tem uma resposta, a pergunta já é outra. é o cachorro tentando morder o próprio rabo.



SUELI
pára de regular.
eu gasto o que eu quiser com quem eu quiser.
cada um com suas gastanças.


PULCHRO
amém.
amém.
amém.




*

Arnaldo disse...

Sean,

De fato, não há ingenuidades absolutas. Na verdade, nada é absoluto. Nem nós e nem eles. Mas tentou-se convencer grande parte do eleitorado de que, antes do governo do PT, o mundo era cor de rosa. Esse imbróglio com o Azeredo é antigo, mas só agora, numa temperatura bem morna, longe da época de disputas eleitorais federais, é que a grande mídia se arrisca a comentar o fato. É típico da Folha e da veja, isso. Assim, posam de isentos, coisa que não são.

Ontem, foi inaugurado o canal Record News, um canal denotícias 24 horas, em TV aberta. Teve festa, celebridades, autoridades, com direito até, de entrevista coletiva do presidente Lula pra nova investida do Bispo Macedo. O ponto alto, entretanto, foi uma entrevista exclusiva do presidente do senado, o Renan Calheiros. De forma branda e didática, ele explicava à patuléia o quanto foi vítima de um complô para desestabilizá-lo.

A entrevista foi uma piada. Ele mentia, a repórter sabia que ele estava mentindo e ele sabia que a repórter sabia que ele estava mentindo. Nada disso importa. O objetivo é alcançar aquele telespectador mais desavisado, aquele incauto que acredita em tudo o que falam na TV, aquele da ingenuidade absoluta.

Eva disse...

Mais triste que tanta roubalheira é que a gente vai se acostumando, se acostumando...