30 outubro 2007

Os gênios de Caras

Diz aí: é ou não um gênio essa mulher?

Nosso querido e mumificado arquiteto Oscar Nyemeir entrou na lista dos “cem maiores gênios vivos” feita por uma tal de Synectics, empresa de consultoria global – ãh? O último comunista está bem, ficou em oitavo lugar, por usar de forma pioneira o concreto armado.

A tal Synectics, malandramente, diz que o conceito de genialidade é difícil de definir. Talvez por isso George Soros apareça em terceiro, e Matt Groening, em quarto. O mega-especulador Soros enricou jogando com os mercados, e marketeiramente, fazendo polpudas doações “filantrópicas” pra limpar a barra dele. Groening criou os hilários Os Simpsons, personagens tão iconoclastas, que uma milionária grife vende a estampa deles até pra marca de papel higiênico. Isso é ser gênio? Legal.

Mas vamos em frente com a genialidade. O músico Brian Eno, o rei da mela-cueca chique, ficou em 18°. Steven Spilberg (27°) deve estar se amaldiçoando por ter perdido uma posição pro Dalai Lama (26°), mas bem mais feliz do que Prince, o rei do ego, que ficou em 34°. O homem do olho de vidro e da música camaleônica, David Bowie, ficou com o 68° lugar, atrás da atriz-bife, Meryl Streep (56°).

Injustiça mesmo, foi dar o 96° a Dolly Parton, a cantora brega-country dos-maiores-peitos-e-lábios que o mundo já viu. A mulher lutou a vida toda pra parecer uma boneca-inflável-com-ubres-que-grasna (não os ubres, a mulher), e termina desse jeito, quase no último posto desta mimosa lista de Caras? Não é justo. Alguém tem que pedir recontagem. E dignidade.

**A lista completa está anexada nos comentários deste post**

25 outubro 2007

Desprezo

Presenciei duas cenas inusitadas num mesmo dia. Em comum, algo desconcertante: violência.

Pela manhã, da sacada do meu apartamento, vi um guri de uns 20 anos enfiar a mão na cara da namorada. Voou cabelo pra todo lado, ela choramingou, ele gritou, e sentou a mão outra vez. O choro enjoadinho se fez mais alto, e só foi interrompido pela minha pequena e baixa voz vociferando pro valentão dar uns tapas em alguém do tamanho dele. O cara surtou, ameaçou me jogar uma pedra, e tive que delicadamente mandá-lo tomar no cu, já pronto pra descer. Mas não precisei. Ele saiu a passos largos, xingando, e sumiu da vista. Ela? Correu atrás, clamando por ele e tentando segurá-lo pela camiseta.

No final da tarde, estou esperando pra atravessar o cruzamento de duas movimentadas avenidas, quando começo a ouvir gritos. Um mendigo, nitidamente bêbado, segurando uma garrafinha de água – água? –, batia boca com um homem de uns 70 anos sentado numa cadeira de ferro, dessas de abrir, em frente a uma banca de revistas. O velho gritava a plenos pulmões “sai daqui, vou chamar a polícia”, mas o mendigo insistia e chegava próximo. Até que o velho se levantou, fechou a cadeira e investiu contra o outro, que o máximo que conseguiu fazer foi jogar o conteúdo da garrafa no agressor. O velho deu umas boas cadeiradas no indigente – ainda lembro do barulho: bóing, bóing –, gritando alto, cheio de bravata, até que o mendigo foi chorar as mágoas pra um incauto que esperava o ônibus na esquina oposta.

Todo mundo viu a cena, as janelas ficaram apinhadas de gente. O velho, todo pimposo, estava em êxtase, gritando e se vangloriando, dizendo que tinha defendido o espaço, apesar do dono da banca, um homem de uns 40 e poucos anos, tentar dizer que não era bem assim, que o bêbado era “cliente” antigo e que não precisava ser salvo.

Por mais de uma vez, quase me meti nessa briga também, achando que o “velhinho indefeso” estava sendo importunado; mas lembrei da outra, e de como a garota correu atrás do agressor, e me segurei. O que fiz bem. O difícil, pra mim, é compreender o que faz um cara de 20 bater na namorada pra se mostrar macho, e um cara de 70 bater num bêbado pra se mostrar macho. Obviamente que não tenho uma resposta, mas esse é um tipo de gente que expressa uma cultura da qual tenho profundo desprezo. E da qual quero profunda distância.

20 outubro 2007

O nada e a máquina de refrigerante

Acabo de descobrir que “chindogu” é uma palavra japonesa que designa algo como “instrumento esquisito”. Incorporo essa relevante informação à minha vida, graças a uma extensa reportagem do The New York Times – disponível nos comentários desse post – sobre disfarces japoneses para evitar assaltos. Assim como fico sabendo que uma japa espertinha criou uma roupa que imita a aparência de uma máquina de refrigerante.

Eu explico: quando os ladrões vieram calmamente pela rua anunciando seu nome – acompanhado do RG – como a próxima vítima, é só sacar a roupa, vesti-la confortavelmente e voilà: chindogu neles, que nunca vão perceber que você está ali em baixo. Sacou?

Não sei se amei mais o Japão por nos oferecer essa novidade ou o TNYT por mostrar algo tão relevante – com um repórter que oferece várias explicações sobre o assunto.

Pensando bem, acho que vou ficar com o Japão. Achei muito meigo os pezinhos da “máquina”, algo quase Hello Kitty. É a ternura combatendo a brutalidade, o amor vencendo a dor e se abrindo como uma flor.

Mas confesso que fiquei preocupado com uma coisa: e se os gatunos ficarem loucos pra molhar a garganta depois de procurar exaustivamente a esperta vítima que desvaneceu? Aonde eles vão depositar as moedinhas é o de menos, meu medo é de onde vai sair a coca-cola.

16 outubro 2007

Bom dia

Se o tempo não tem avesso,
por que eu acordo sempre no lado errado do presente?

11 outubro 2007

A Bicha do Demónio, pá

Não fou fã de besteirol, muito menos esses que fazem paródias de filmes. Mas não posso negar que dei boas risadas com essa versão lusitana da chatíssima trilogia O senhor dos anéis. O sotaque é puro charme, e as expressões lusitanas para o universo dos "paneleiros" e "fufas" são hilárias.

Quem tiver saco e banda larga, têm mais cinco filminhos que completam a série. Atenção especial para 'A filha sai do armário', mais hilário do que este, mas bem maior.

Gandalf e a prima da Bicha do Demónio
A queda de Lídia
A filha sai do armário
O funeral da Bicha
A última das Bichas do Demónio

07 outubro 2007

São Pedro, o cheiroso

A mandinga era certa, segundo minha tia: um sabonete jogado sobre o telhado limpava o tempo. São Pedro, o guardião das chuvas, recolhia o regalo todo feliz e parava de mandar água das nuvens.

Com a quantidade de chuva impressionante que tem caído nos últimos meses no Rio Grande do Sul, meu vizinho resolveu ser radical: arremessou uma tesoura pro alto. Ou ele quer cortar esse aguaceiro de vez ou assustar são Pedro. De qualquer forma, não tá funcionando muito. O santinho deve ser mais valentão – ou mais preocupado com a vaidade – do que ele imaginava.

02 outubro 2007

Imparcialidade

Aipim gúcho é assim: grande, grosso e pesado.
Eita!
Uol Últimas Notícias
Aposentado Santo Rodrigues, 84, colhe com a ajuda de vizinhos raiz que pesa cerca de 80 quilos, com 22 mandiocas, a maior delas de 70 cm; o aposentado, que mora em São Borja (RS), diz que não usou adubo.