27 novembro 2007

Das boçalidades

O intragável Jô Soares está sendo investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Não, não é piada, é isso mesmo. O MP do Rio, com tanto problema real pra cuidar, resolveu perder tempo com bobagem. Diz que o apresentador pode ter manifestado preconceito em uma entrevista sobre mulheres de tribos da Angola.

Jô Soares é uma das figuras mais boçais da televisão. Só perde pro Faustão, Galvão Bueno e congêneres, porque realmente tem uma bagagem cultural grande – que usa pra ser, justamente, boçal.

Querendo ser engraçadinho a qualquer custo, e errando feio a mão, Jô constrói piadas fazendo comentários de mau gosto sobre minorias e situações trágicas. Homossexuais são seu alvo preferido, talvez como uma forma de aplacar o eterno boato sobre sua possível homossexualidade.

O que mais choca nessa entrevista, que está disponível no youtube, é o começo: meninas de 20 anos mutilam o clitóris para pressionar com mais força o pênis e competir com crianças na faixa dos oito anos, as preferidas dos homens.

Sou da opinião de que ninguém tem o direito de entrar na casa dos outros e dizer como se deve viver. Então, não sou eu que vou julgar os costumes e hábitos de outros povos, sua cultura, mitos e crenças. Mas mesmo assim, frente a essa realidade – pedofilia e mutilação genital –, é difícil fazer piada. E é aqui que os piores comentários aparecem.

Piada politicamente correta não existe, só os chatos e rançosos não aceitam isso. Mas tudo tem limite. E Jô Soares não tem freio na tentativa de se construir como um intelectual despojado e charmosinho. Merecia o limbo e a apatia, nada além. Quando o MP entra em cena pra “investigá-lo”, faz justamente o contrário: dá 15 minutos de fama a uma celebridade moribunda. E liga os holofotes sobre um boçal que merecia ficar esquecido nas insones madrugadas.

23 novembro 2007

O mundo gira

Conhecer é maravilhoso.
Japaratinga se chama paraíso.
O acaso.
Banho de mar numa praia deserta.
Paraíso é um quarto com vista pra Barra.
Espinhos de pinaúna no pé.
Confiar é surpreendente.
Sorvete de coco fresco.
Ladeiras de Olinda.
Caranguejo.
Percussão tomando o corpo.
Acarajé e punheta na praça.
Cores.
Queijo coalho e carinho.
Água azul cristalina.
Pôr-do-sol no farol.
Abraço forte numa missa em ritmo afro.
Banho de mar à noite.
Gírias.
Um almoço regado a bode.
Perder-se pra se encontrar.
Um papo cabeça.
Carne de sol.
Um olhar cúmplice.
Sol alto às cinco da manhã.
Passinhos inusitados de samba.
Arroz de polvo e lagostim.
Jogar pedras na água.
Empatia.
Lagartixa queimada de sol.
Risadas.
Rabo de tatu.
O tempo não pára.

O erro?
Não se permitir.

12 novembro 2007

O pulso ainda pulsa

Este blog ainda respira.
E o que escreve nele, também.
Mais uns dias e volto.
Podem crer.

06 novembro 2007

...

Sabe quando você não tá nada a fim de fazer uma coisa, e fica se obrigando a achar que é legal, que vai ser bom? E de tanto repetir, finalmente se convence de que vai valer a pena, e de que no fundo é uma grande oportunidade? E com isso ganha uma injeção de ânimo pra correr atrás, procurando alternativas pra que tudo funcione bem? Até que ouve o velho e irritante nã-nani-nanã, o que você quer e como você quer não podem ser feitos?

Pois é.