Jô Soares é uma das figuras mais boçais da televisão. Só perde pro Faustão, Galvão Bueno e congêneres, porque realmente tem uma bagagem cultural grande – que usa pra ser, justamente, boçal.
Querendo ser engraçadinho a qualquer custo, e errando feio a mão, Jô constrói piadas fazendo comentários de mau gosto sobre minorias e situações trágicas. Homossexuais são seu alvo preferido, talvez como uma forma de aplacar o eterno boato sobre sua possível homossexualidade.
O que mais choca nessa entrevista, que está disponível no youtube, é o começo: meninas de 20 anos mutilam o clitóris para pressionar com mais força o pênis e competir com crianças na faixa dos oito anos, as preferidas dos homens.
Sou da opinião de que ninguém tem o direito de entrar na casa dos outros e dizer como se deve viver. Então, não sou eu que vou julgar os costumes e hábitos de outros povos, sua cultura, mitos e crenças. Mas mesmo assim, frente a essa realidade – pedofilia e mutilação genital –, é difícil fazer piada. E é aqui que os piores comentários aparecem.
Piada politicamente correta não existe, só os chatos e rançosos não aceitam isso. Mas tudo tem limite. E Jô Soares não tem freio na tentativa de se construir como um intelectual despojado e charmosinho. Merecia o limbo e a apatia, nada além. Quando o MP entra em cena pra “investigá-lo”, faz justamente o contrário: dá 15 minutos de fama a uma celebridade moribunda. E liga os holofotes sobre um boçal que merecia ficar esquecido nas insones madrugadas.
