17 fevereiro 2008

Crianças, xô!

Domingo de sol, eu aqui na frente do computador com um zilhão e trocentos bilhões de coisas pra fazer, e a vontade é de sair correndo porta a fora e não olhar pra trás. Daí lembrei que o blog estava sem atualização outra vez e vim dar uma espiada. Meu primeiro impulso foi comentar as notícias políticas que tenho acompanhado no blog do Josias de Souza. Primeiro, o lance do el rey FHC que, como todos sabem e todos fazem que não vêem, teve um governinho com tantas irregularidades que até Zeus duvida:

Cpi encontrará 'falhas' também nas contas de FHC

* TCU já mencionava ‘falta de transparência’ em 2002

* Auditoria pôs em dúvida contas das viagens de FHC

* Presidência fracionou despesas para fugir à licitação

* Algumas compras não têm comprovante de quitação

* Adquiriam-se de comida a utensílios para o Alvorada

* Assessora de ministro viajou até em fins de semana

Mas pensei: tá velho. Então, vou falar da CPI das ONGs, que começou lá no governo do outra vez intocável FHC, e se espraiou no governo do filhote de tucano Lula.

Crise dos cartões ofusca CPI de R$32 bi das ONGs

* Verba foi repassada pelo Tesouro entre 1999 e 2006

* Foram beneficiadas 7.670 entidades em todo o país

* Lista inclui de sindicatos a organizações indigenistas

*Suspeitas alcançam de congressistas a universidades

Voltei a pensar e vi que isso é muito sem graça pra falar num domingo de sol. Na hora ouvi a voz do Carrion alertando que eu tava ficando muito chato, o que me fez trocar de idéia. Então, em homenagem a'O hedonista, e dando seqüência ao post de baixo, coloco um videozinho maneiro pra energizar a semana. Se sexo faz bem até pras rugas, imagine o que sexo sem gravidade e cheio de conceito faz.

Uia.
Dor nas costas.

12 fevereiro 2008

Fuqui-fuqui rejuvenescedor

Vou falar o óbvio: transar faz bem. Faz bem pro coração – não tô falando do metafórico. Ao que eu acrescento: faz bem pro ego. A reportagem, da Folha de São Paulo de hoje, traz dados do serviço de saúde da Inglaterra (NHS), que manda o povinho de lá "sexercise" – ou seja: fuqui-fuqui no lugar de exercício. Vou reproduzir um trecho (o texto tá anexado nos comentários):

"As endorfinas liberadas durante o orgasmo estimulam as células do sistema auto-imune." Segundo o NHS, durante a relação sexual são usados todos os grupos musculares, o que faz com que "o coração e os pulmões trabalhem duro e haja uma queima de cerca de 300 calorias por hora". O serviço afirma ainda que a produção extra dos hormônios estrógeno e progesterona, envolvida na relação sexual, ajuda a manter os ossos e os músculos sadios e previne rugas.

Previne rugas, minha gente, rugas!

09 fevereiro 2008

Plasticidade sanguínea

Imagine que Edward Mãos de Tesouras parou de tomar antidepressivos. E que pra se vingar de um mundo que julga cruel, decide “limpar a área” até chegar na fonte de todo desajuste. Grosso modo, é o que Tim Burton faz em Sweeney Todd (2007). Jonny Deep, novamente como protagonista, encarna o lado B do fofinho e ingênuo Edward, que no lugar das tesouras usa navalhas - não para fazer belos penteados, mas para cortar gargantas.

De longe, este é o filme mais explicitamente soturno e sanguinolento de Burton. Cada um sobrevive como pode numa sociedade que faz a transição entre a fidelidade feudal aos senhores e suas leis, e a máquina que traz a fortuna a qualquer custo. O contraste do vermelho que jorra das gargantas com os tons de cinza e azul de uma Londres decadente mostra a primazia do desenho de produção. Tudo é impecável: a direção de arte, a fotografia, a cenografia, o figurino, a maquiagem.

E Sweeney Todd seria perfeito se não fosse um detalhe: é construído como um musical. A idéia parece excelente, ainda mais com a infinita ironia que Burton sabe exercitar. Mas o tiro sai pela culatra. Basicamente, um único tema melódico se repete por todo o filme, como um CD avariado que fica pulando e repetindo sempre o mesmo. Raros são os momentos em que o paradoxo entre forma e conteúdo se estabelece – quando Todd faz um duo com o juiz que o mandou pra cadeia e roubou sua mulher e filha, os dois louvam o mesmo amor: um, o que perdeu depois de 15 anos aprisionado, e o outro, o desejo de desposar a agora filha adolescente do homem que encarcerou injustamente.

Dentro desse gênero, a música é o clímax de uma seqüência, intensificando a carga emocional da trama. Burton “esfria” as canções, deixando-as sem sentido e truncando a fluência da história – Lars von Trier, que já havia pintado de negro os musicais em Dançando no Escuro, nunca dispensou o clímax catártico, como nos angustiantes números antes e durante e execução de Björk.

Quando se consegue abstrair esse fato, o filme ganha corpo, apesar de estar muito aquém do que poderia ser. Mas a essência de Burton está presente, com seus seres em desalinho em um mundo hipócrita. A magistral abertura, em que o sangue faz girar uma desumana e fria máquina, contrasta com a belíssima seqüência final, em que o sangue redime o ódio e a incapacidade de sentir, congelando a ação na mítica imagem da Pietá de Michelangelo. É preciso que o sangue se una ao sangue para restabelecer a harmonia perdida. E a justiça renasça pelas mãos da inocência corrompida.

Uma curiosidade: além da óbvia comparação com Edward Mãos de Tesouras – a barbearia de Todd tem a mesma estrutura do sótão onde Edward morava –, outras referencias estão presentes: Beetlejuice se cristaliza na cena em que Todd veste roupa de banho listrada na praia; Corpse Bride ressurge na cena-delírio do casamento; Ed Wood está no penteado de Todd. Ironia é que não falta.

07 fevereiro 2008

Rodamoinho

----------------------------------------------foto Sean Hagen
Ninguém sai impune dos desafios que se impõe – ou não se imporia desafios. A sensação de domar o tempo, um assunto, um percalço, uma questão técnica, uma emoção faz a gente se sentir apto a coisas maiores. Dá aquela sensação de que, se deu certo desta vez, com todas as dificuldades, algo maior pode ser arriscado na próxima.

Imagino que as epifanias sejam feitas do mesmo material: quando subitamente uma verdade se materializa e traz uma outra opção de olhar as banalidades do mundo. Talvez não seja de todo consciente, talvez se manifeste apenas no regozijo da superação num primeiro momento. Mas lá no fundo, onde as águas sempre revoltas giram as pás do moinho que nos dá a energia vital pra ser quem somos, um novo ritmo começa a tomar forma. Mesmo que lento e quase imperceptível, à espera de outras epifanias que consolidem o novo fluxo que começou a se instaurar.