13 março 2010

Lady Tarantino

Acabei de ver Telephone, o mais novo clip da Lady Ga Ga. Confesso que só abri o link depois de ver o projeto de horror chamado “Mini Lady Ga Ga”, que assisti no SBT outra noite. Conhecia tão pouco da titular do cargo que fiquei curioso pra ver algo. E vi.

Lady Ga Ga é um bem costurado Frankestein de ritmos, referências e valores. Oscila entre David Bowie – pai de todos os exotismos, androgenias e reais ousadias –, e Madonna – a rainha mãe do marketing pessoal –, com pitadas de outros pioneiros como Elton John, Cher e Cindy Lauper. O clip é uma referência sem fim a filmes e tendências de moda. Está tudo lá, costurado com necrofilia, perversidade, quebra de valores e transgressões em níveis e importâncias variadas – o óculos de cigarros acesos é o cúmulo do “politicamente incorreto”. Além de dois temas presentes em quase todos os outros vídeos de Ga Ga: a idéia de que os homens são maus e devem ser punidos – com a morte – e o lesbianismo que resulta da incompreensão e dominação masculina. Em Telephone, ninguém menos do que a sinuosa Beyoncé surge como a “mulher” de Ga Ga em uma encenação que mistura figurinos de alta costura dentro da prisão e road movie. Tudo estilizado, com uma edição maneirista dos anos 80 e um ritmo que gruda como chiclete. Tem até a dancinha dos zumbis de Thriller, do finado Michael Jackson, recriada em meio a corpos envenenados.

Lady Ga Ga não é feia, mas também não pode ser definida como bonita. Tem um corpo proporcional, sem ser boazudamente curvilínea. É pequena e desengonçada e usa isso à seu favor da mesma forma que Barbra Streisand soube usar o nariz avantajado e Carmen Miranda escondeu a pequenez sobre uma plataforma. É um sucesso repentino não apenas por cantar bem – sem a cafonice das notas mal sustentadas no gogó, marca registrada das “divas” norte-americanas – mas pela capacidade que tem de “expressar” o espírito do tempo, unindo com certa naturalidade o que parece desconexo. Todos os exageros estão lá, mas de uma forma linear, sem sobressaltos. É um livro de citações que marqueteiramente se faz soar original.

Quando uma menininha de oito anos incorpora inadvertidamente a necrofilia, as trangressões e a quebra de valores que subjazem nessas músicas – e os pais deixam –, há um fenômeno interessante em curso. E ele é velho e imemorial como o tempo e circula em nosso imaginário com o nome desgastado de mito. Fascinante e assustador, fala daquilo que não entendemos e, talvez, não queremos entender; questiona sem dar resposta. E atende pelo nome de Lady Ga Ga essa semana. Um posto que, mês passado, foi de Tarantino no cinema.

7 comentários:

ederson disse...

tomei conhecimento de Lady Gaga exatamente há um ano, por causa de uma festa de 15 anos. Neste tempo eu muito ignorei-a, mas nas últimas semanas acabei sendo envolvido pelas circunstâncias e agora eu até gosto. Bad Romance é a melhor música, creio. Os clipes são todos parecidos, luxuosos e com um quebra-cabeças de referências e estranhamentos.
Eu estava assistindo ao programa do SBT quando apareceu a tal mini Lady Gaga. Achei horrível, e não pensei que fossem passá-la, mas aconteceu.

Marcia disse...

não consigo gostar.
observo como fenômeno, entendo as lógicas, concordo com teu post.
mas simplesmente não gosto.
e nem é que ela me incomode, eu a acho ruim mesmo.
e também acho fake e datada.

Maria Helena disse...

Sean
Esses astros e estrelas produzidos,
são raros os que realmente se saem bem. Tudo é pensado, o figurino, o comportamento,o marketing pessoal. Esquecem apenas do mais importante,
talento. Permitir uma crinça de 8 anos imitar um personagem( sim porque é um personagem) erotizado, é uma sensatez.
Abração.

Sean Hagen disse...

*



EDERSON
medo daquela garota. se a ga ga já é um troço esquisito, aquele projeto é assustador.


MARCIA
errei a mão, pelo visto. eu não gosto da ga ga, não. me impressiona é a capacidade de fazer sucesso com nada que original, tudo é requentado, já visto e já comentado. mas mesmo assim faz sucesso. é uma capacidade e tanto pra parecer inédito e talentoso quando isso não corresponde a verdade.


MARIA HELENA
com certeza há o dedo da gravadora em tudo isso, mil assessores de marketing, publicitários e gente de midia. ela é só a materialização.



*

Marcia disse...

não errou a mão. eu que não resisti a pontuar. costume, néam. hábito. saudade de discordar, mesmo quando concordo.

Rosamaria disse...

eu nunca tinha visto a tal lady ga ga. domingo passado fui a saõ gabriel visitar minha irmã, que estava hospitalizada e de aniversário, e a tv tava ligada, de certo no sbt, e a mini estava lá, atordoando. sinceramente, não vejo nem pra me atualizar, prefiro ficar na minha.
bjim.

Anônimo disse...

Rah-rah-ah-ah-ah-ah!
Rama-ah-ramama
GaGa-ooh-la-la!